“Notas” – 10/11/2018

Sobre “Saber Vencer”

David Nasser dedicou um artigo para a edição comemorativa do 31 de Março de 1964 da revista “O Cruzeiro” com o título “Saber Vencer”. Texto ilustrado com foto do jornalista escrevendo à máquina na sua casa da Tijuca, mesa repleta de armas de fogo. Lembro por alto de uma frase : “Que a carniça que eles são não nos transforme nos urubus que não somos”. Pregava a vitória sem mesquinharias, sem perseguições menores que teriam o efeito de anular o êxito naquela batalha. Aquele era um momento histórico no qual estas advertências faziam sentido; a vitória sobre o governo de João Goulart veio através de um movimento armado,e naquele momento nada parecia apontar reações violentas aos recém-vitoriosos.

Saber vencer é mais difícil que saber perder, na maioria das vezes. Há a companhia dos oportunistas que demonstram capacidade de dar conselhos estúpidos com aparente total disposição, há o cansaço da (s) batalha (s) recente (s)e há a sensação de que o pior já é passado, um punhado de recordações amargas, apenas.

Vejam a derrota parlamentar do Partido Republicano; a Economia parecia, em seu processo de recuperação, garantia de vitória do partido de Donald Trump. Articulistas da revista neoconservadora “The Weekly Standard” apontaram excesso de autoconfiança no partido que superestimou vitórias anteriores e vinha descuidando de seu eleitorado.”Eles gostam de mim”, acreditava Trump sobre eleitores que gostam e deixam de gostar de um candidato ou um partido com igual velocidade. Houve também, apontam outros textos da publicação neocon, uma divisão nas diversas alas do Partido. E a de Trump parece ser a menos afetada.Onde os Republicanos tentaram combater no território Democrata, perderam. Saber vencer nos dias que sofremos implica pressão constante.

Há uma vitória recente no Brasil que exigirá demonstrações frequentes de firmeza e compromisso com eleitores que rejeitaram tudo o que o sistema de Poder do PT e associados representa. Caso Jair Bolsonaro resolva que o pior já passou terá, muito antes que imagina, pesadelos que o assaltarão, unidos e dispostos a reduzir sua vitória a uma nostalgia recente.

Imagino que já estejam a postos, entre comentaristas da chamada Direita, os conselheiros que cantam a canção que cantam já há diversas eleições: “Ganhando dessa gente, tudo é consequência.” Esta canção agrada quem deseja decretar fim de guerra sem a rendição assinada pelos perdedores; o desejo de retorno à “vida normal” é o motor que move muitas bravatas e berros de vitória prematuros.

Esquecem, estes apressados, que Bolsonaro ganhou com menos votos que o esperado (estou entre os que acreditam nas fraudes) e que o número de votos nulos e brancos não permite acreditar que ele conta com a maioria dos brasileiros. Assim como muitos Republicanos esqueceram que Trump se elegeu com os votos do Colégio Eleitoral e que teria, portanto, ainda que a Economia melhorasse, muitos americanos contra si.

Bolsonaro terá que ser apoiado com firmeza ainda maior que o foi na campanha; as provocações e sabotagens nem começaram; derrotados ainda discutindo onde erraram e quais candidaturas deveriam ter sido priorizadas podem passar a impressão que a derrota foi admitida. Quando estudiosos de História sabem que os combatentes experimentados admitem derrota apenas para preparar a volta, ainda mais furiosa e determinada,ao campo de batalha.

A primeira provocação,“O Ministério de Bolsonaro só tem homens” não foi respondida como deveria, Bolsonaro teria respondido que o Ministério ainda estava se formando, quando deveria rejeitar qualquer intromissão na formação de seu Ministério por parte de uma imprensa colonizada e com reiterada má vontade para com ele. A Ministra anunciada já é alvo de ataques, como serão quaisquer outros representantes de “minorias” às quais presidentes devem reservar cotas.

“Onde negros neste Ministério?”

Bolsonaro nomearia um negro.

“É negro de alma branca, espírito de capitão do mato.”

Onde gays neste Ministério?

Bolsonaro depressa providencia um Ministro gay.

“Este gay nunca representou o segmento LGBT, onde este gay nas nossas iniciativas de lacração?”

Ora, vimos este enredo sendo filmado no início do governo de Michel Temer. Os que se dispunham a compor o Ministério de um “governo golpista” eram atacados até que viesse outro, outro, e mais outro…

Esta gente derrotada nas últimas eleições presidenciais sabe como exercer pressão constante, e verificou que gritos estridentes conseguem o que argumentos muitas vezes não conseguem: vencer pela prostração e temor das consequências. Confrontos sempre carregam embutidas as consequências que cautelosos preferem evitar.

Bolsonaro presidente é diferente do Bolsonaro candidato; o candidato não está amarrado pelo cargo, a faixa presidencial servindo como mortalha, muitas vezes. Daí a necessidade de apoiadores decididos e que saibam aconselhar o Presidente a evitar ceder em demasia.

Quando escrevo sobre apoios decididos tenho em mente a homenagem ao Elia Kazan em certa cerimônia do Oscar (deram-lhe um Oscar honorário, Kazan com cerca de noventa anos). Warren Beatty estava entre os que aplaudiram o diretor de pé enquanto muitos mantiveram-se sentados em protesto (Kazan era amaldiçoado pela Esquerda das mansões de Los Angeles por ter sido acusado de delação na “Caça às bruxas” do macartismo, em Hollywood). Beatty não poderia ser acusado de direitista, ou conservador, mas era amigo de Kazan. Por caráter, não se acovardou. Como não foram covardes os que protestaram, em minha opinião. Os que mantiveram-se sentados, de braços cruzados, como Nick Nolte. Não o vaiaram, não cercaram seu carro, apenas não o aplaudiram. Fosse juiz moral talvez acusasse antes os que aplaudiram o enorme diretor, porém sentados, como Steven Spielberg.

Pior que a oposição é o apoio morno.

O pior não começou, repito.

Saber vencer, nestes dias após a vitória, é saber vigiar e distinguir companheiros dos oportunistas. Conseguir identificar no auditório os que o aplaudiram, porém sentados e cuidando para não ser vistos. E saber se cuidar dos que aconselham recuos e concessões.

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“Notas”- 01/11/2018

Notas sobre a primeira semana de Jair Bolsonaro presidente eleito

Nunca os pombos da Av.Paraná me pareceram tão corvos sob um céu cinza como naquela tarde de um dia de final da década dos anos’80; ‘87? ‘88?

Quase no meio-fio da calçada da Paraná partindo da R.Tupis em direção à R.Tamóios, caminho que cumprido em reta vai dar na Rodoviária. Meus catorze, ou quinze, e não juro que não os dezesseis, me empurravam os oitenta e poucos quilos em direção ao prédio no qual morava, no mesmo quarteirão.

Meu avanço era retardado por um senhor de aparentes setenta anos, com também aparentes 1,60m e com seus máximos 60kg. Poderia,por próximo dele, perceber-lhe as oscilações respiratórias.

À esquerda do senhor descrito acima, jovem de aparentes vinte e poucos anos, com também aparentes 1,90m e o mínimo de 90kg de músculo e covardia:

“Vai reclamar de mim pros hômi? Vai chamar os hômi?”

Berros que não abafavam o som dos dois socos no braço do senhor à direita. Este nem olhava para o agressor, não se atrevia a gemer.

Que fiz? Que disse? Que protestei?

Ora, voltem à descrição que fiz de minha figura no início deste texto e percebam a imoralidade deste questionamento; desnecessário escrever que não ensaiei um “Oh!”, antes procurei me esquivar da cena temendo ser percebido mesmo nesta fuga. Nada poderia fazer; a Paraná deserta de policiais (não é assim quase sempre?), parecendo comportar naquele trecho apenas os três personagens.

Muitos dos que engrossaram o #EleNão têm muito a perder e cobrar deles ao menos a abstenção na falta de coragem em declarar o voto em Jair Bolsonaro me parece tão indecente quanto cobrar de um garoto franzino intervenção em um assalto a um idoso. O papel que cabia ali à Polícia Militar cabe aqui aos colunistas bem sucedidos da imprensa mainstream que emitiram quando muito “Ohs!”quando milícias do projeto de Poder do PT e associados avançavam no assalto ao Brasil.

Não houve, em todos estes anos, qualquer promoção de vozes discordantes do projeto de Poder do PT e associados, enquanto o Poder sempre esteve atento no exercício da promoção sem descanso dos seus simpatizantes. Carreiras se firmaram neste sistema de louvação à casta acadêmica enquanto os discordantes não contam com qualquer apoio, mesmo dos pretensos adversários deste sistema. As pessoas veem quem controla os cargos e o mecanismo de promoção de carreiras e não pensam em desagradar, em discordar, em dissentir; desafiar seria o verbo síntese dos anteriores, e ninguém é louco para desafiar poderoso sem ter alguma garantia. Hoje o meio artístico mainstream é governado por gente que não cochila na vigilância das adesões e dos recuos que sejam interpretados como recusas. Pessoas que no íntimo talvez sintam asco ao linchamento de um recém-esfaqueado elaboram desculpas diante do espelho íntimo no temor de desagradar os que tomam as decisões no mundo artístico.

“Mas este Poder está caindo, os boicotes às carreiras das estrelas do # EleNão mostra que as coisas estão mudando.”

Acredita nisto quem quer, não?

Boicote em massa das marcas anunciadas por estas deusas da publicidade não tenho visto, e ainda que de fato estivesse ocorrendo, mais temível seria o boicote dos colegas de profissão; os nomes proscritos dos elencos de novelas, filmes, peças de teatro…

Os músculos que poderiam defender um candidato recém-esfaqueado deveriam ser buscados em outros meios, não? Guilherme Boulos convidando seus seguidores à invasão da casa de uma recém vítima de tentativa de homicídio não foi tratado por jornalistas bem colocados na Imprensa como o escândalo que é, e isto é mais grave que atrizes e cantoras ainda na fase de assentar a reputação cedendo às pressões e influências dos nomes já consagrados nas carreiras que seguem.

Na primeira semana após a eleição de Jair Bolsonaro, os campos opostos estão já nítidos o suficiente; desmoralização de boatos não constrangem seus autores: a suposta vítima da suástica desmentida pelas autoridades policiais (internautas notaram desde o início que a dita suástica estava bem desenhada demais em um corpo constrangido) e nenhum pedido de desculpa por parte dos formadores de opinião. Elio Gaspari dedicou artigo inteiro à suástica desenhada por supostos bolsonaristas. Decerto responderá, se cobrado, que seu artigo tratava mais da declaração do delegado sobre a suástica ser símbolo de paz, querem apostar?

Há que se reforçar a musculatura dos que dizem apoiar Bolsonaro; presidente recém-eleito, ainda padece das limitações impostas pelo atentado. Ameaças a ele e à sua residência devem ser tratadas como são: terrorismo. Contra ele e contra milhões de eleitores. Tuítes postados por aspirantes a celebridade e por celebridades no ocaso (gente que deseja escapar do ostracismo merecido falando grosso com um senhor que porta uma bolsa acoplada ao intestino) devem, segundo penso, ser alvos de interpelações; liberdade de expressão implica responsabilidade pelo que se escreve. A política de anonimato nas caixas de comentários deve, penso, também ser extinta. Até mesmo por ser contrária ao que prevê a Constituição. Escrevi texto aqui no blog, há alguns anos, sobre as caixas de esgoto que são as caixas de comentários, repletas de anônimos. Texto postado, na ocasião, no 247 e na “Tribuna da Internet”, sofreu ataques dos ditos comentaristas anônimos.

Eu, um blogueiro sem licença para exercer o jornalismo, defender estas medidas não basta. Jornalistas que podem exercer a profissão e a exercem por bom preço deveriam propor estas medidas com maior insistência que eu. Até por interesse, não importa.

Esperar pela posse de Bolsonaro e pelo início da nova legislatura me parece temerário, e uma demonstração de ignorância histórica. Poder é exercício constante, e disto a Esquerda sabe mais que o suficiente. E por saber mais que o suficiente não perde um minuto no esforço de desmoralizar a eleição de Bolsonaro; eleito e seus eleitores devem ser retratados como idiotas, como débeis, como fracos; tomados, portanto, sem descanso, como inimigos a serem alvos de constrangimentos, de boicotes e de ataques físicos.

Janeiro nunca foi tão distante visto do início de Novembro.

Bolsonaro tem sido firme nas entrevistas desta primeira semana e não demonstrou qualquer soberba, qualquer superioridade prematura.

Mas alguns de seus apoiadores… O que tem de idiota encarnando a caricatura elaborada pela Esquerda, anunciando “matar viados”, “surras em viados” entre outros concertos de estupidez via whats’app… Bolsonaro deveria vir a público anunciando medidas duras para quem usar de seu nome e de sua vitória para cometer crimes. Caso já o tenha feito, que reforce o aviso, nunca é demais insistir nas mensagens necessárias, e nunca foi tão necessário admoestar estúpidos.

Sem estes avisos e conselhos, sem demonstrações mais efetivas de apoio inteligente, sem a musculatura do apoio crítico e vigilante, Bolsonaro será como garoto que fui contra os algozes do Brasil. Repleto de indignação e fúria contra assaltantes covardes, mas impotente para qualquer ação.

Como o garoto frente ao idoso e seu agressor, numa tarde quente e de céu cinza, sob pombos que portavam-se como corvos, voando baixo, baixo, baixo…

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“Notas”- 10/10/2018

“Edição 400” – notas soltas sobre as eleições presidenciais

Quis que esta edição “400” do “Cadernos” fosse dedicada às eleições mais importantes no Brasil em muito tempo. Não se completa um número como este todos os dias. Estas eleições convocaram os brasileiros a dizer o Brasil que não querem de jeito algum, muito mais que o Brasil que desejam. Este, o Brasil desejado, será fruto das lutas de gerações a partir do momento em que se colocar de forma nítida que Brasil se trata de recusar.

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Minha avó materna dizia que era na guerra que se sabia quem era quem. Assistira sua Polônia invadida pelos nazistas, e depois dada de presente aos soviéticos. Presenciara assassinatos, saques, roubos, gestos de covardia. E gestos de gratidão e grandeza, estes não raro de quem menos se esperava. As máscaras não se fixam nos rostos em tempos severos, parece.

Dante Alighieri alude, na “Divina Comédia”, aos círculos do Inferno que esperam pelos “neutros em tempos de grave crise moral”, não? Cito errado?

Um candidato esfaqueado não comoveu as celebridades que aderiram apressadas (umas acotovelando as outras na pressa de aderir) à campanha #EleNão; Jair Bolsonaro hospitalizado sendo imagem demasiado suave aos que temem perder prestígio, oportunidades de trabalho, amizades.

Formadores de opinião decretam e celebridades acatam, indiferentes ou mesmo inconscientes à equação #EleNão = # BolsonaroEsfaqueadoSim .

As biografias dos que permitiram o registro de suas figuras como membros de rebanhos não terão como omitir este capítulo.

Qual justificativa oferecerão aos que,passados alguns anos destes momentos miseráveis que suportamos, perguntarão:

“Para não ganhar cartazes colados às costas vale tudo, mesmo ajudar a massacrar no campo moral uma vítima de tentativa de homicídio?”

São dias de limpeza, se pensarmos sem emoção. Estes dias estão mostrando os amigos verdadeiros, os companheiros sob o sol; os convivas de ocasião, sempre prontos a saltar nos ombros do pirata quando este encontra-se no comando dos mares, afastam-se.

“Vai mesmo declarar voto no Jair Bolsonaro? Olha, se perguntarem se somos amigos, responda que nos conhecemos apenas, tá?”

“Não suporto esta gente do PT, mas votar no ‘Bolso’ é demais pra mim, entendeu? Eu fosse você evitaria pagar este mico. Você não sabe o dia de amanhã, vai que esta gente do PT volte com força total…”

Cada um que arraste sua covardia como julga de acordo com o que necessita, sim? Não penso em dar lição de moral a quem deveria tomar lições de História para aprender como os totalitários percebem e lidam com os covardes.

Sei que esta eleição foi palco de muita abjeção, de muito espetáculo de sordidez, muitos corpos disformes protagonizando strip teases…mas também de muita demonstração de coragem e independência. Para cada seguidor de ordens de publicitários do #Ele Não, um se expunha dizendo #EleSim.

“Sou gay, mas não sigo ordens de pretensos líderes dos gays. Voto Bolsonaro”.

“Sou negro, e Bolsonaro pode contar com meu voto.”

“Sou mulher e voto Bolsonaro. Por que não votaria? Pela opinião de patricinhas?”

Youtubers que eu não conhecia, populares que fundaram canais apenas para declarar o voto no inimigo das celebridades-soldado; gente que acredito sem maiores proteções, e portanto, mais corajosa.

Mas também gente com muito a perder, mas de coragem indiscutível, como Antonia Fontenelle, sem qualquer medo de declarar o voto e defender sua escolha mesmo entrevistando, como na entrevista com Leo Dias. Como Alexandre Frota, cuja coragem e constância foram reconhecidas pelo povo do estado de São Paulo (estado que correu nos últimos anos, mesmo enfrentando o ataque de covardes pela internet, fakes operando sem descanso com o único argumento : “ator pornô”) com votação expressiva.

Pessoas que se expuseram ao deboche e ao estigma dedicados aos que atrevem-se enfrentar a casta acadêmica e seus braços na Imprensa e no mundo dos espetáculos.

Aos famosos e não famosos que se uniram nesta caminhada, meu respeito, meu carinho.

Tenho certeza que as gerações por vir saberão quem respeitar quando as biografias dos membros do #EleNão e do #EleSim forem objeto de apreciação.

Se numa guerra se vê quem é quem, a paz depois da guerra traz a balança das almas.

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Mario Sergio Conti em crônica recente na “Folha de S.Paulo “ observou que as fakenews propagam-se por servirem de veículo ao coletivo geral, que acredita no que deseja acreditar. Não faço citação textual, mas o espírito é este.

Os eleitores de Bolsonaro, desprezam os homens de cultura e os profissionais sérios do jornalismo por não verem atendidos nestes seus desejos primitivos. Entendi o texto, jornalista Conti? Não é este o resumo da argumentação?

Mas, oh não!, para o final do mesmo texto Conti atribui ao Bolsonaro a ideia de eliminar o Décimo Terceiro salário, defendida na verdade pelo candidato a Vice, Gal.Mourão.

Isto não é fakenews, jornalista Conti? O filtro que separa profissionais sérios de palpiteiros de internet falhando justo no texto que tenta ensinar aos ignorantes a razão pela qual deve a massa respeitar jornalistas?

Má fé, ou um cochilo, não importa.

Ato falho sempre diz algo.

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Eu tivesse postado antes do Primeiro Turno dedicaria linhas aos direitistas que sabem protagonizar espetáculos circenses no hall do Palácio das Artes, mas que são incapazes de organizar uma derrota eleitoral em um estado, em dias de redes sociais e de internet. Dias de grupos de WhatsApp não impedem a vitória de uma candidata que as pesquisas apontam como destinatária de menos de trinta por cento dos votos?

Pessoa que estimo e respeito me impediu de postar uma temeridade; esta pessoa um minuto sequer acreditou no que as pesquisas diziam sobre a disputa pelo Senado em Minas Gerais, e me recomendou esperar pela votação do Primeiro Turno para depois escrever.. Fui adiando, adiando, adiando … e me livrei de um vexame; Dilma Rousseff ficou em terceiro lugar, com menos votos do que se esperava. A “maioria silenciosa” soube trabalhar na internet e divulgar em um estado grande a informação de que havia uma candidatura a derrotar, e quais candidaturas pudessem concretizar este objetivo, nestas se deveriam concentrar os votos, mesmo que as candidaturas não fossem as candidaturas dos sonhos.

Grande jornalista falecido me dizia ter esperança neste conceito, o da “maioria silenciosa” nos dias amargos que atravessamos. Nada de gritos, nada de aceitar provocações. Pessoas discretas e determinadas derrubando um esquema de Poder, era no que este jornalista experimentado acreditava. De onde está, sei que ele deve ter me sorrido quando tive a alegria de falhar nesta previsão.

As expressões e ditos na segunda-feira no centro de Belo Horizonte me diziam que Minas Gerais foi dormir no Domingo com um juízo melhor sobre si; um auto-respeito que tratou de derrotar quem julgava-se, sem qualquer razão para isto, como senhor de vasto curral.

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Muitos vídeos assisti com supostas (para não escrever prováveis) fraudes nestas eleições. Os números impressionam mesmo os mais céticos.

Lembrei de texto do Elio Gaspari publicado em 19/09/2018. Nele o jornalista adverte sobre “urubus golpistas que pretendem deslegitimar uma eventual vitória da chapa petista”.

O PT não venceu, e as queixas ainda assim surgiram; seriam todos os eleitores que se queixam de problemas nas urnas “urubus golpistas?”

Observadores internacionais deveriam ser convidados a se manifestar sobre as denúncias de urnas suspeitas e de casos onde eleitores não conseguiram votar. “Urubus golpistas” se combatem com investigações independentes, não?

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Os bolsonaristas mais exaltados que atacam críticos do seu candidato e agem com primitivismo personificam a faixa de eleitores de Jair Bolsonaro à qual muitos eleitores dele não desejam se ver associados; meu texto no qual escrevi que votaria em Bolsonaro sem vestir a camisa referia-se a isto: todo cuidado com gente que serve apenas para fornecer munição aos inimigos, a confirmar caricaturas.

Claro que se deve exigir filtragem de fakenews e nunca se permitir o esquecimento sobre qual candidato foi esfaqueado, e quais vozes fizeram graça deste atentado. Que louvaram a “justiça aplicada a um fascista”.

Caso Bolsonaro ganhe mesmo estas eleições, este tipo de arruaceiro primitivo será seu maior problema, seu maior inimigo. E o cabo eleitoral mais eficaz das futuras candidaturas do PT do “Pós-PT”.

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Até o Segundo Turno!

Que outras 400 edições deste blog venham!

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“Notas”- 16/09/2018

Sobre conselhos que eu não daria

Penso em iniciar carreira de autor de livros de auto-ajuda; há temas que já contemplo com os títulos respectivos. Há uma lista que venho anotando e talvez divida-a com os leitores do blog; acaso algum leitor furte a ideia, tanto melhor: quantos livros não há, de auto-ajuda que vendem ao que parece por repetir temas com títulos quase idênticos?

Para cada problema humano, uma biblioteca de soluções. Há livros a ser escritos que serviriam a jovens aprisionados nas “friendzones”, para dar um exemplo. Ou para usuários compulsivos de salas de bate-papo. Apenas dois exemplos dos temas que pretendo “desenvolver” para, ou escrever eu mesmo, ou vender para algum PhD; títulos acadêmicos são obrigatórios nas capas destes produtos. Na verdade, já estou tomando notas para um livrinho que teria o título “Peça meu conselho…e morra esperando”.

Trataria de libertar o leitor da mania de fornecer conselhos não solicitados, ou solicitados por impulso. Quem já não colocou amizades a perder por tomar como honestas perguntas como “O que devo fazer?”, “Que achou da minha namorada?”, “Esta minha tese de doutorado não é interessante?”

Estas perguntas não são pedidos sinceros de conselho ou de avaliação, e o ansioso por ajudar não desconfia (talvez por generosidade, talvez por vaidade) que estas perguntas são ,quase sempre, o que se conhece por “perguntas retóricas”. O interlocutor deseja elogios e incentivos, ainda que mecânicos e postiços, ambos. Não sou bom conselheiro nem para mim mesmo. Querem ver?

Escrevi logo acima sobre a rotina de um funcionário na repartição,sim? Pois é o que venho experimentando. Me aconselho, pois, a diminuir estas leituras, ler por alto, no máximo. O que me aconselho mais, porém, é desertar destes espaços. E reincido, dia depois de dia, no Helio Fernandes, madrugada de Domingo depois de madrugada de Domingo nos colunistas da “Folha”.

Sou um homem de hábitos de leituras de internet que não variam; uma olhada rápida no Reinaldo Azevedo todos os dias; de Segunda a Quinta, Helio Fernandes; na madrugada de Sábado para Domingo, colunistas da “Folha de S.Paulo”: começo pelo Elio Gaspari (o qual já leio também na Quarta), dele até o Mario Sergio Conti para terminar na leitura dos textos do Ruy Castro publicados durante a semana. Algo previsível, rotina que cumpro como um funcionário na repartição. Mas…cada vez com menos prazer em todas essas leituras.

A vontade que tenho é de reincidir em hábito do qual custei a me livrar, a ouvir os meus próprios conselhos: comentar. Aconselhar, sobretudo jornalistas experimentados (e profissionais não ouvem conselhos de “amadores”), é ridículo. Tentar alertar do descrédito ao qual se lançam em utilizar seus espaços para o jornalismo de campanha, sobretudo em um ano eleitoral, seria uma idiotice, pois.

A campanha anti-Jair Bolsonaro grita ao leitor nos textos destes jornalistas que parecem acreditar no nome no público que conquistaram mais do que deveriam acreditar; credibilidade também se desperdiça. Leitores podem desertar; sobretudo os de internet, sobretudo os de admiração recente (o que não é o meu caso para nenhum dos jornalistas citados. Leio-os há mais de vinte anos).

Helio Fernandes vem desde o atentado contra Jair Bolsonaro, relativizando o crime. No início, manifestou estranheza pela “ausência” de sangue na faca. Fez questão de escrever que era um “atentado” “atentado entre aspas” nos primeiros dias da semana seguinte ao atentado. Que conselho eu daria a um jornalista veterano de décadas, talvez o mais antigo jornalista em atividade no Mundo? Que está ficando feio este forçar de barra? que ele deveria se informar antes de escrever? Que devesse ouvir gente fora do que parece ser o seu círculo usual dos últimos anos? Me vi escrevendo estes conselhos,e logo me contive; que tenho de proximidade com o grande jornalista? Sou um seu amigo? Sou seu editor ou auxiliar?

“Mestre Helio, concentre suas forças na sua autobiografia, em um livro-depoimento como o ‘Depoimento’ do Carlos Lacerda. Deixe as coisas recentes para quem tem se informado mais, até por ter meios de o fazer. O que o senhor já fez na Imprensa brasileira faz merecer este fim de vida -e carreira- apenas memorialístico. Este apenas grafado com todas as aspas, sim?”

Que escrevera ao Elio Gaspari após o texto da madrugada de Domingo?

“Elio, o paralelo que o sr. tenta traçar entre a candidatura de um militar com as diversas revoltas e revoluções envolvendo militares é pouco honesto. A comparação honesta seria a das candidaturas militares que malograram, não ? E pouquíssimo honesto é vender ao leitor não tanto lido de História do Brasil como o sr. a ideia de que os militares ‘produziram anarquia’ nos episódios citados no texto. Foram por lidar com armas na profissão os que tiveram que arcar com ‘desordens’ causadas por ricaços, políticos mesquinhos e formadores de opinião colonizados. Estes setores causam mais estragos que qualquer fardado. O ricaço que não admite ceder em um mínimo, o político profissional empenhado em sugar o máximo das situações de instabilidade (que acontecem pela natureza própria da vida) e o jornalista e /ou escritor maravilhado com modelos culturais e políticos de países ricos dispensam auxílio de qualquer tropa, mesmo estrangeira, no trabalho de destruir um país.”

Mas não darei este conselho, nem sob a forma de comentário, Elio Gaspari não me conhece, e mesmo se conhecesse não aceitaria conselhos de “amadores” nesta altura da carreira. Talvez eu próprio no lugar dele não aceitaria conselhos de quem nunca tivesse ouvido falar.

Que diria ao Mario Sergio Conti sobre seu texto tratando do roteiro (publicado em livro) de Joaquim Pedro de Andrade para filme que não teve tempo de filmar? Que ele deveria ter tratado mais do roteiro em si e da obra de Joaquim Pedro do que tentar ensaísmo político ligeiro, para consumo de público já conhecido (o barbichinha de óculos de amação colorida, leitor de “piauí” de revistas culturais eletrônicas “de Esquerda”) com piadas sobre o “Vampirão” e ao “Bolsonaro Rex” (o estado crítico de Bolsonaro não deve conter este tipo de humorismo fácil, claro).

Tão previsível, tão domesticado.

Paralelos mais aprofundados entre o roteiro publicado e filmes como “A Guerra Conjugal” e “ O Homem do Pau Brasil” dariam ao leitor o melhor Conti, o descritivo de certas passagens de “Notícias do Planalto” e o erudito sem medo de afugentar leitores apressados do ensaio que fez sobre Marcel Proust (um dos últimos, na “piauí”). Ou um texto onde reminiscências pessoais ferissem a mediocridade, hoje reinando à Esquerda e à Direita.

Quando Conti produz textos onde escreve sobre si, escreve ao mesmo tempo,por contraste, sobre colegas medíocres e acovardados . Isto seria mais proveitoso que textos ligeiros para satisfazer leitores exigentes das piadinhas de salão chique. Ou os micro ensaios de obviedades marxistas que são a porção mais encontradiça no seu menu atual. O que dele dá para recortar e guardar da produção pós-“piauí”?

“Conti, saia do círculo da sua juventude em São Paulo, esta nostalgia te torna um esquerdista rotineiro, destes que não estimulam qualquer reflexão crítica. Um animador de rodinhas de veteranos da USP é um fim de carreira muito melancólico para quem produziu ao menos um clássico,’Notícias do Planalto’, e um volume de correspondência eletrônica com Ivan Lessa que também se pode qualificar como tal. Que tal um outro livro, volumoso, sobre sua carreira pós-‘Notícias’, contendo suas passagens pelo ‘Jornal do Brasil’ e pela ‘piauí’?”

Mas Mario Sergio Conti não me conhece, ou a este blog, e guardo este conselho para mim.

Que dizer ao Ruy Castro? Escreveu um texto sobre a declaração recente de Paul McCartney sobre ter avistado Deus no final dos anos ‘60. A forma de Deus segundo o beatle seria uma parede. Ruy Castro traça então um paralelo entre figuras que disseram em entrevistas terem visto discos voadores ou Deus (para Ruy Castro,parece tudo ser a mesma coisa); figuras como cantores e compositores, talvez atores. E estranha este tipo de visão não ter ocorrido a gente como Millôr Fernandes e D.Paulo Evaristo Arns.

Bom, não sei sobre D.Arns, mas não confio em autoridades religiosas que jamais tenham visto Deus, ainda que como uma parede ou um disco voador. Não sei se D.Arns viu ou não, repito. Uma autoridade religiosa invocada como exemplo de intelectual cético não me parece acertado, mas quem sou? Quanto ao Millôr, é citado para reforçar o contraste entre um “homem que sabe das coisas”, um intelectual e a ralé que acredita em Deus, discos voadores e almas d’outro mundo. O ateísmo já teve advogados melhores.

Ruy termina este texto sugerindo que McCartney escolhera a data certa para falar de visões; ocasião de lançamento de um novo disco. Sim, McCartney precisaria deste expediente.

“Ruy, trate de Bossa Nova ou Frank Sinatra, territórios familiares a você. Ou mitologias de Ipanema. Mas não sugira que um beatle com público consolidado em todo o planeta precise de apelar. Fica feio pra você. Você fica parecendo um provinciano que compara o chafariz da praça da igrejinha com o Arco do Triunfo. O disco vem sendo saudado mesmo pela crítica mais ranheta e desejosa de destroçar McCartney como um disco digno dentro da sua discografia. Reconheça que Beatles, Paul McCartney e rock em geral não habitam seu universo de interesses.”

Na mesma semana,Ruy Castro faz texto sobre o hábito gravíssimo de Bolsonaro gesticular com os dedos sugerindo atirar. Nem mesmo no leito de hospital este péssimo exemplo foi abandonado. Isto, esta belicosidade, explica o que Bolsonaro sofreu. Ruy Castro se inquieta com a dificuldade de Bolsonaro em conseguir votos entre “mulheres negros, gays, índios,etc, etc, etc”. Estas “minorias que não são minorias” rejeitam em peso o candidato, segundo muita gente acredita, sobretudo Ruy Castro.

Fosse eu um membro do círculo de Ruy Castro aconselharia: “Saia do Rio de Janeiro de novela de Manoel Carlos e idas a recintos boêmio-culturais de subúrbio com freguesia de funcionários públicos esquerdistas e você encontrará muitos destes votos de negros,gays e mulheres dirigidos a Bolsonaro. Vá em alguma fila de posto de saúde e ouça relatos de assaltados nestas filas e você encontrará muitos destes votos que você não sabe onde Bolsonaro encontrará. Mercadões de subúrbio, filas de ônibus, e estações de trens. Talvez o mistério da compensação de votos da rejeição a Bolsonaro entre minorias da casta acadêmica (ou influenciados pela casta acadêmica) entre o chamado povão te seja explicado. Mas, caro Ruy, último conselho: deixe assuntos políticos, dos quais você próprio já declarou diversas vezes ter repulsa, pra quem deles não têm repulsa, entendeu? Por que não escreve mais (e falo aí de livro) sobre os bastidores das suas entrevistas para a ‘Playboy’ e suas reminiscências destes encontros? O mesmo para suas entrevistas da ‘Status’. Estes argumentos anti-Bolsonaro que você vem colhendo e expondo depõem contra o grande jornalista que você é. Não gosta dele, seu direito. Escrever sobre isso, direito seu também, embora quem deteste Política devesse se abster de escrever sobre o tema. Mas escreva utilizando argumentos que te confirmem como homem inteligente, não o contrário.”

Mas não o conheço, nem ele a mim, ou ao meu trabalho. Logo…. Dirijo meus conselhos ao Fernando Pawwlow: “Por que não deserta de vez da leitura destes autores? Sua decepção com eles só aumenta a cada vez que você reincide na consulta ao que eles vêm produzindo. Leia deles só os textos antigos, e aceite-os nas limitações deles. Deixe-os aos leitores de ocasião ou ao público recente que é ignorante desta decadência.” E ele me ouve? Dia depois de dia, semana depois de semana vai se haver com as admirações da juventude.

 

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“Notas” – 09/09/2018

Notas sobre o fogo e a faca

O incêndio do Museu Nacional

Ruy Castro escreveu logo após o incêndio do Museu Nacional, em sua coluna na “Folha de S.Paulo”, que Presidentes da República não tinham o hábito de visitar o Museu; em décadas nenhum Presidente teria visitado-o. Nem o “intelectual” da categoria, Fernando Henrique Cardoso. Que esta “informação” (não sei se a ausência presidencial ao Museu procede) diz sobre o incêndio? Nada, no meu entendimento.

Há Ministros da Cultura, não? Ou reconhece-se que este ministério é mesmo dispensável.

“O Museu estava sob os cuidados da UFRJ”.

Não haveria meios oficiais de se pedir à Universidade notícias do Museu?

Elio Gaspari, em sua coluna na “Folha de S.Paulo” logo após o incêndio, sugeriu que funcionários fizessem greves caso não lhes fossem mostrados alvarás. Como se funcionários pudessem enfrentar os sindicatos ligados, de maneira ou de outra, aos partidos de Esquerda donos do que se chama “Cultura” no Brasil. Do Elio confesso que esperava texto similar ao que fizera como editor no “Jornal do Brasil” quando do incêndio do MAM (Museu de Arte Moderna), louvado por autor de um perfil seu para a revista “Imprensa”, Zuenir Ventura. Talvez meu azedume com a sugestão de greve e o que me pareceu suave à administração deste patrimônio venha deste desapontamento. Esperava, este blogueiro, um texto “histórico”, “clássico”, “antológico”; texto que merecesse ser qualificado por estes clichês redacionais. Em outros dias, isto não teria acontecido?

Acontece que vivemos dias nos quais escândalo saiu de moda, ninguém mais se escandaliza ou julga adequado se escandalizar ou se declarar escandalizado. A dramaticidade é tida, dia depois de dia, como um recurso de mau gosto. Um incêndio destruindo duzentos anos em poucas horas não merece mais que textinhos cuidadosos em não ofender e, sobretudo, não afugentar mentes sensíveis às “breguices” da vida.

Não se socorre um paciente terminal com analgésico, e a Cultura no Brasil é este paciente exigindo intervenções enérgicas. Intervenções enérgicas que seriam consideradas indispensáveis e inadiáveis fossem os donos da “Cultura” homens e instituições tidas como de Direita. Ah! fosse este Museu algo sob a guarda do PSDB ou de outro inimigo do sistema de Poder do PT e associados…não deixariam as cinzas esfriarem.

Reuniões no apartamento de Caetano Veloso, saraus nos bares chiques da Lapa, vigílias no saguão do Ministério da Cultura no Rio de Janeiro, manifestações registradas por Ana Carolina Fernandes para exposições e livros; a hashstag #NãoesqueceremosoMuseu estampando camisetas como palavra de ordem.

E fariam muito bem, estas cinzas não devem mesmo esfriar, este incêndio merece uma CPI.

Onde os recursos; que se fez do que era destinado à manutenção do Museu; quem deve responder por hidrantes sem funcionar (se esta informação procede); tantos outros etc.que este episódio levanta exigem sim uma Comissão Parlamentar de Inquérito.

Quem gritará por isto?

O atentado contra Jair Bolsonaro

Esfaqueia-se o primeiro colocado (na ausência provável do ex-Presidente Lula, que liderava até há pouco) nas pesquisas de intenção de votos para a próxima eleição presidencial e este episódio não parece merecer cobertura maior que um empurrão e alguns pontapés dados em um líder de uma das facções políticas em luta.

“Triste esta violência em uma campanha, isto não deveria acontecer, a Democracia sofre, o diálogo com os diferentes deveria ser a regra, etc, etc, etc”

Olavo de Carvalho observou, em vídeo logo após o atentado, que a casta acadêmica se manifestou neste atentado, e não apenas pelas mãos do esfaqueador, mas pelo apoio que este vem recebendo de professores universitários e de universitários. E de mensagens incitando ataques, alguns destes postados nas redes sociais pouco antes da facada em Juiz de Fora.

Não coloco reparo no que Olavo disse, assino embaixo.

Mas acrescento que caixas de comentários e redes sociais vêm sendo um esgoto que anuncia e antecipa a violência física há anos. Há anos violências verbais e exteriorizações de taras e recalques são expostas na internet. Escreve-se sem qualquer temor de represálias; sejam sociais, sejam penais. Ao contrário, autores de baixezas são mesmo incentivados por seus iguais e animados a permanecer neste tipo de conduta por titulares dos espaços que qualificam como “CENSURA” qualquer apelo quanto à moderação prévia do que se publica.

Há alguns anos escrevi um texto aqui no blog intitulado “Caixa de comentário ou caixa de esgoto?”; republicado no 247 e na “Tribuna da Internet” foi alvo de comentaristas que confirmaram com suas intervenções o que o texto dizia. Mais que estes comentaristas, a conivência da direção de ambos os sites me confirmou.

(Logo depois do atentado, comentários debochando da situação de Bolsonaro foram postados na “Tribuna da Internet” sem qualquer admoestação do diretor, ao contrário).

Quando se pode escrever (e publicar) tudo, tudo é permitido. A linguagem não corre fora do Mundo, é um elemento do convívio que diz muito das leis de uma determinada sociedade. Quando o que há de mais mesquinho e asqueroso na condição humana exige mostrar-se, tudo, mas tudo, pode acontecer. E o senso de escândalo mencionado no início deste texto desaparece. E memes e piadas sobre ataque com faca a um candidato que lidera as pesquisas para Presidente são apenas consequências.

Há também a demora e a desunião dos partidários (ou mesmo apenas simpatizantes) de Bolsonaro frente aos agressores virtuais. Não se formou uma rede unida de denunciadores de práticas criminosas, e sem esta rede, uma vitória hipotética de Bolsonaro à Presidência poderá muito pouco. Vejam, por exemplo, o que passa Donald Trump.

Há também a falta de hábito de análise em muitos dos que se escandalizam tarde demais: muitos dos que se levantaram contra o que escrevi sobre comentários de internet na “Tribuna da Internet” agora reclamam dos comentaristas anônimos ou que se utilizam de perfis fake de redes sociais, o que deveria ser vetado pelos donos de sites e blogs, pois contrário ao que diz a Constituição sobre liberdade de expressão não contemplar anonimato. Agora que estes anônimos postam piadas sobre a facada no Bolsonaro cobram do moderador do site alguma providência. Muito, muito tarde.

Insultos, cusparadas, ovadas, distorções de declarações e todo o resto dos etc.realizados por comentaristas de internet (sobretudo da casta acadêmica) e jornalistas foram apenas os primeiros movimentos de afiar a faca. O que se lê por este dias de gargalhadas sobre o atentado ou relativizações que são mais insultuosas que as gargalhadas abertas (Elio Gaspari, na coluna de hoje na “Folha de S.Paulo”, traça paralelo em quem nota a afiliação ao PSOL do autor do atentado e os apocalípticos  da Guerra Fria, portanto nada de lembrar das simpatias do esfaqueador, sim?) é apenas o posfácio de um livro volumoso que vem sido escrito há anos. Ao que parece, sem leitores atentos.

Ou se toma este episódio como lição ou os piores pesadelos serão superados pela realidade.

Esta facada vinha sendo anunciada há muito tempo.

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“Notas” – 02/09/2018

“Que há de novo?”- Notas sobre Jornalismo

Aos leitores que me cobram textos sobre “as novidades” (cobranças quase sempre desacompanhadas da divulgação deste blog), respondo: não vivo do blog, atualizo-o quando posso. Este ano tirei para presentear leitores com a correção total do arquivo; textos eliminados e outros tantos reescritos, e a maioria corrigida com alterações. Às correções, adicionei o cuidado em utilizar as ferramentas do blog que auxiliam quanto ao tamanho das letras e ao alinhamento (duas queixas recorrentes de leitores). Em todos os textos.

Mais o trabalho de salvar os textos no computador, passar o conteúdo deste arquivo para pendrive e imprimir os textos (cuidado que recomendo a qualquer blogueiro).

Um carinho aos leitores que me custou alguns meses de trabalho.

Aos poucos venho retomando a rotina de rascunhos diários das “Notas”.

Portanto, paciência …

Mesmo porque “novidades” não o são; tratar de assuntos como Política e Jornalismo, este blog o faz desde seu começo. Basta lembrar que o primeiro post do “Fernando Pawwlow – Cadernos” foi sobre a “Tribuna da Imprensa”. E se fizermos as contas, veremos que a maioria dos textos do blog é dedicada ao tema da formação da opinião pública e do que dela depende para a condução das políticas de segurança, transporte, saúde, etc, etc

Como venho observando, cresce a indignação quanto ao domínio da casta acadêmica nas comunicações de massa (domínio que se mostra mais escandaloso em ano eleitoral), mas não cresce nestes indignados de internet qualquer iniciativa de prestigiar nomes que surgem nesta mesma internet. Preferem prestigiar com acessos os nomes já consagrados e depois engrossar coro de lamentadores que cobram posições que estes autores consagrados não são obrigados a tomar que iniciar qualquer esforço de divulgação de nomes “amadores”, “não profissionais”. Quando busco meu nome na internet, encontro reproduções de textos meus em blogs de Esquerda, pois publicados quando aqui no blog também em sites de Esquerda (como “Tribuna da Internet” e “247”).

Em site ou blog de Direita ou de apenas adversários do sistema de Poder do PT e associados… depois direitistas (ou apenas adversários do sistema de Poder do PT e associados) queixam-se da “ditadura esquerdista no espaço público”, “censura no Facebook” (como se o Facebook não fosse iniciativa privada com suas prerrogativas e políticas próprias) …

Que recebo de email de colegas me informando: “recebi um texto seu outro dia, de um amigo, por meio de mensagem privada”…

A Esquerda (ou o sistema de Poder do PT e associados) goza o Poder que ela fez e faz por merecer. Aos chorões, o direito ao choro segue garantido na Constituição.

Ed. Abril

Sites de Esquerda, ou meros apoiadores do sistema de Poder do PT e associados comemoraram por estes dias o pedido de recuperação judicial da Ed. Abril.

Ed. Abril respirando por aparelhos surpreendeu a quem?

Revistas cada vez mais finas, matérias (escritas por juntas de jornalistas) que ocupam no máximo duas páginas (sendo uma de ilustrações), contratações de colunistas do jornalzinho do “Colégio Múltipla Escolha”…demorou demais a deserção em massa de leitores. Leitores que trabalhavam de graça comentando, apontando erros, sugerindo…

Uma a uma, as revistas sofreram “reformulações”, o que leitores experientes e observadores sabem ser diminuição de páginas e matérias sumárias mirando em um “público alvo de leitores médios”, que seria fornecido por pesquisas.
As que eu acompanhava mais, “Playboy” e “Veja”, foram vítimas desta “revisão de padrões”.

Uma, a “Playboy”, morreu a cada entrevista mais curta, conduzida por entrevistadores parecendo desejosos de mostrar “coragem” e “independência” com o entrevistado, matérias sem o bom gosto de outros tempos, edições mais finas, e todo o resto de “mudanças para atender a você, leitor” até sua “descontinuação”.

Outra, a “Veja”, vem sendo vítima desta política editorial há muito, muito tempo. A edição eletrônica hoje é quase toda de acesso restrito aos assinantes.
Quem assinará para ler resenhas ligeiras e textos sumários e que são coletâneas de clichês? Esta economia mesquinha grita que a revista está atrás de centavos de assinantes enquanto afugenta anunciantes (quem anunciará em páginas cujos acessos decrescem, e decrescem por iniciativa da editora, que trata leitores de internet como “filadores”? ).

Desta fase a ed.Abril poderá sair mais forte, se souber praticar autocrítica editorial e administrativa. Recuperar leitores fiéis será outra história.

Morte de Otavio Frias Filho

Soube da morte do Otavio Frias Filho ao ler texto de Elio Gaspari; o jornalista falando do Diretor da “Folha de S.Paulo” no passado. Desta leitura, fui aos demais colunistas e alguns outros lamentavam a morte do jornalista tratado por colegas como “Otavinho”. Avaliações da trajetória do colega e patrão, menções ao “Projeto Folha” e à política de “pluralidade” das páginas de opinião, etc, etc

Texto do Ruy Castro observando que Otavio Frias Filho era um interlocutor que “olhava nos olhos”, foi um que mereceu minha atenção e memória; texto de Mario Sergio Conti dedicado a quatro personagens, sendo Otavio Frias Filho um destes, louvado por sua “curiosidade”, outro. Outros textos li que não se fixaram no meu banco de dados.

Não me lembro de ter lido exames sobre ideias do falecido, ou textos tratando de sua obra dramatúrgica. O que não garante que não tenha havido textos desta natureza, sim?

Discutir a “Folha de S. Paulo”, sua condição de órgão máximo da casta acadêmica me pareceria o ideal, pois isto não feriria os sentimentos de amigos e familiares e seria até homenagem, mas parece que exigir isto dos homens do jornalismo brasileiro atual é exigir demais. É sonhar muito alto.

Conti, no texto citado, lembrou que Frias “não frequentava o Poder”. Bom, o Poder, e falo do Poder por excelência, o Poder dos formadores de opinião (e de consensos), assentados nas Universidades, tinha e tem na “Folha de S. Paulo” sua casa.
Quem precisa frequentar o Poder na condição de Diretor de um órgão como a “Folha”?

A cobertura da morte de Otavio Frias Filho confirmou quem assegura que jornalistas no Brasil de hoje falam apenas para outros jornalistas.

Entrevistas de Jair Bolsonaro

A entrevista de Jair Bolsonaro para o “Jornal Nacional” foi o fato mais importante, até agora, desta campanha presidencial. Nem mesmo a entrevista para o “GloboNews” repercutiu tanto.

Pode ser que a agressividade dos dois entrevistadores tenha ajudado Bolsonaro, pois deixou-o mais à vontade; quem não fica mais à vontade interpelado de forma grosseira? A jornalista exigindo privacidade quanto ao que ganha foi o ponto memorável da noite, pois demonstrou como pensa quem se julga habilitado a dirigir a massa em seus julgamentos. A encenação de dignidade conspurcada por um questionamento válido é, como diria Paulo Francis, algo que dispensa comentários, por ser o próprio comentário.

Na verdade, a fúria da jornalista é a expressão de quem sabe que não forma opiniões além das que seus pares já exibem; o Poder de influenciar destes senhores da imprensa mainstream no Brasil de hoje é nulo. A posição de Bolsonaro nas pesquisas berra que ninguém toma mais esta gente a sério. Ninguém muda o voto inspirado por estas musas.

Jair Bolsonaro poderá ganhar ou perder esta eleição, mas não pela ação da Imprensa. Poderá, ainda que vença a eleição, perder para si próprio e para seus apoiadores.

Então qual a razão para participar de entrevistas e debates se os votos já estão decididos nas mentes, se ninguém mudará o voto a esta altura?

Para ajudar a remover, de modo definitivo, as máscaras da Imprensa mainstream.

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“Notas”- 26/08/2018

Reprise de uma nota

Não tenho o hábito de reprisar postagens do blog; mas há uma nota que publiquei em 16/09/2017 que passou sem maior atenção dos meus leitores, mesmo por ser uma segunda nota em uma postagem cuja nota primeira era um assunto que era então o tema de uns tantos blogueiros: a “mostra do Santander”.

Tenho conversado muito sobre este pequeno texto esquecido, e esquecido, repito, por meu erro em colocá-lo como o segundo. Na verdade, é uma lembrança recorrente, que me diz muito sobre a Política e suas vítimas; as pessoas da massa que são algarismos sem significado maior aos estrategistas da casta acadêmica. Milhões de vítimas das soluções para os males do Mundo nada dizem aos que sabem escalar a gigantesca montanha social negando virtudes que não possuem: conhecimento que custa muito conseguir, sentido de responsabilidade que seria acusador temível, etc, etc, etc

Minha avó materna não tinha paciência para discutir o que parecia-lhe dispensar discussões: vira com os próprios olhos o preço cobrado pelos “libertadores soviéticos da Polônia.” E tudo o que contivesse qualquer traço de esquerdismo era refutado com o gesto de estapear o vento, o gesto consagrado como a síntese gestual dos que não se permitem desperdiçar bocados de tempo com discussões.

Sob o efeito dos dias acumulados em anos, venho assimilando a mesma impaciência e o mesmo cacoete. Para esquerdistas fabricados pela casta acadêmica e direitistas que dispensam ler o mais mínimo indispensável para as batalhas políticas, estapeio o vento.

Aos que me procuram propondo discussões estúpidas, ou apenas ociosas, tapinha no vento é a resposta cada vez mais utilizada.

Podem rir, qualificar o gesto como “gesto de velho”.

Para explicar o que não precisa ser explicado, para legitimar discussões estúpidas, estou mesmo cada dia mais velho.

Quando o assunto é Polônia e seu período sob a União Soviética, o tapa no vento vem acompanhado de sugestão de leitura deste texto, desta nota publicada no 16/09/2017.

Mas decidi poupar estes interlocutores do trabalho de procurar o texto, sim? Abaixo vai a reprise da nota:

Um parêntese biográfico ideológico

Rua Guarani, centro de Belo Horizonte. Um dia de um ano do fim do Séc XX.

Minha avó materna, no Brasil desde 1949, me levava como auxiliar de compras pela vizinhança de seu apartamento na Av.Paraná. Quem conhece BH sabe o que esta vizinhança ainda tem (e naquele final de década de ‘90 tinha ainda mais) de fedorenta, atulhada de comércio de rua e calçadas deterioradas. Não é local para turismo, ou indicado para almas deprimidas; todo o conjunto de imagens que surge quando se menciona centro de cidade grande “necessitado de revitalização”.

E minhas queixas e lamentações sobre o Brasil compareceram à conversa entre avó e neto entre compra e outra; aqui uma extensão de fio elétrico, ali um tempero…

“O Brasil é atrasado, olha a brutalidade desta gente vinda do campo sem saber o que é uma cidade grande.”

“A tristeza do Brasil é sua herança colonial miserável”,

e outros tantos clichês que não se acanham da condição de clichês quando se contempla a feiura e a pobreza e não se consegue conter, fala-se e fala-se…

“Que você conhece de outros países? Só conhece o Brasil.”

“Sim, vó, mas você conhece a Polônia (sua terra natal), e outros países da Europa de passagem. Duvido que viver na Polônia do Pós-Guerra era tão ruim como se arrastar na miséria e atraso aqui do Brasil.”

“Você sabe o que é viver, de uma hora para a outra sob as leis de um país que não é o teu? A Polônia, no lugar dela onde eu vivia, passou a pertencer à União Soviética. Soldados russos entravam na minha casa procurando o que levar.”

Tentei argumentar sobre este ser um momento passageiro, de confusão histórica e mostrar o cenário que nos cercava ali, naquele momento de discussão entre a Paraná e a Guarani, com sacolas nas mãos.

Minha vó ensaiou narrar algo do que viu de muito perto, não de leituras de livros escritos por quem não passou nem do outro lado de uma fronteira, mas desistiu da discussão com jovem presunçoso, comunicando, com um gesto de estapear o vento, que a discussão acabava ali. O que não disse, a expressão vincada das lembranças deprimentes disse, e de sobra.

Voltamos ao apartamento minúsculo, em um edifício velho de décadas, calados, portando sacolas com as compras da tarde. Minha avó poderia transmitir em seu andar curvado e em seu rosto de expressão firme tudo, menos saudade da Polônia e da Europa. Ou qualquer fantasia sobre as promessas do Primeiro Mundo.

O que aprendi sobre remédios para males complexos não veio de leituras, mas deste trajeto entre rua Guarani e Av.Paraná.

O capitalismo é um mal cujos remédios apresentados até hoje fazem-no parecer benévolo.

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