A nossa BH e a deles

Talvez em poucas cidades brasileiras a expressão apartheid social seja tão adequada quanto em Belo Horizonte, e eu sou um desconfiado de expressões do tipo. Trazem em si o bolor do discurso oficial ruminado nos campi. Mas acertam por vezes, e em BH é constatação e síntese fundidos.

Quando se toca nas mazelas de BH entre gente que frequenta universidade (e seus influenciados, os beneficiários de programas da Prefeitura) e a massa dos condenados ao jugo dos empresários de transporte coletivo associados à burocracia paraestatal da BHTrans, a expressão apartheid belorizontino me parece conclusiva. A incompetência criminosa do candidato dito de oposição forneceu aos triunfantes da hora o argumento de que o povo se julga bem atendido e as queixas são exteriorizações dos ressentidos.

Mas as maquiagens de nova politica de transporte coletivo da BHTtrans não lograrão exito duradouro no seu proposito de iludir, pois como de hábito, novos aumentos serão o presente de ano novo aos belorizontinos e as supostas benesses nem de muito longe esconderão seu caráter de embuste.

Agora, diga isso a algum universotário ou a algum literato de café (desses cafés de BH que se pretendem parisienses e cosmopolitas e contemporâneos,   mas são apenas provincianos e tanto fazem lembrar as sátiras do Eça de Queiroz sobre os lisboetas deslumbrados com Londres e tão típicos de Portugal) e certamente ouvirá tantas opiniões onde a ignorância e a má fé se fundem admiravelmente sobre a cidade que eles, em suas camisetas , dizem amar radicalmente. Eu próprio conversei com um desses frequentadores de café sobre a mudança da Rodoviária e a expulsão das ocupantes históricas da zona de prostituição do Centro e ele se declarou favorável, pois o valor imobiliário destes logradouros subiria. Contestá-lo com qual lógica?É um entre alguns mil.Enorme é a pressão da horda e quase nenhuma a disposição quando se tem antagonistas assim.

As estações de ônibus do Barreiro anularam todo o esforço para tornar a viagem ate lá, partindo do Centro, menos cansativa, como se as administrações que ergueram viadutos que aliviaram as antigas jornadas fossem suspeitas não se sabe do quê. No entanto, pessoas que apenas eventualmente vão para aquele lado da cidade, aplaudem. Por que se queixam? Por uma hora a mais? “A estação é tão bonita”.

As vítimas, inarticuladas e temerosas, estão apenas recebendo os golpes e se contorcendo em confusão. Chegará o dia em que apresentarão a conta e neste momento talvez BH atinja seu estagio civilizatório mínimo.

Eu e muitos sabemos quem são os inimigos e o montante da conta, não partilhamos da mesma tribo dos predadores da metrópole. Já o sabemos.

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