Vergonha por Caetano Veloso? Não, boicote

Eu já vinha “boicotando” Maria Bethânia,  o que tenho dela em casa não coloco para ouvir desde a divulgação de seu projeto de Poesia a preços módicos : 600 mil .

Decidi estender o boicote ao Mano Caetano depois de seu texto de domingo. Não  esperava que ele censurasse publicamente a irmã, ou que se mantivesse alheio (logo quem), mas que se manifestasse com acerto, ponderando sobre o tal projeto usando argumentos que não chiliques de estrela que envelhece , após décadas de adulação, sem senso de medida, senso de ridículo. Esperava que ele expusesse dados que desmentissem os detratores da irmã e calasse a boca de imbecis (pois há imbecis aproveitando para dizer grosserias e tolices  sobre uma  artista como Bethânia). Mas não. O que ele tinha a apresentar era texto primário, com expressões como “Comigo não violão” , “Com você, Reinaldo, não danço nem morta” (levou uma resposta do dito Reinaldo Azevedo na “Veja”que não precisava),”também tenho figado”,  indignas de quem é, ou foi. Acusou Lobão de precisar de ghost writter (revelou desinformação ou ma fé, ou ambos, pois TODOS  que leram a respeito da biografia de Lobão,  sabem que Claudio Tognolli é coautor do livro, porém como pesquisador dos dados judiciais), pois “incapaz de redigir” acrescentando  que poucos “cantores de radio” – logo ele que se tornou onipresente em rádios interpretando Peninha e Fernando Mendes nos últimos anos – escreveria “Um ‘Verdade Tropical'”, como se este livro fosse algo como o “Minha Vida” de Trotsky, ou um “Minha Vida E Minhas Experiencias Com A Verdade” de Gandhi, ou a autobiografia de Gore Vidal, algo deste nível e não um volume  irregular,  elogiado apenas pelo circulo dos desprovidos de testosterona que domina a área de Humanas (Letras) nas Universidades e nos  cadernos ditos culturais,  lidos pelo próprio circulo e por suas vítimas de lavagem cerebral, vulgo alunos .

Não quero o elogio de deslumbrados, pois este estupidifica mesmo os grandes. Cresci vendo Caetano Veloso levando piche da Esquerda e da Direita e fazendo grandes discos. De 1989 para cá, foi mumificado pela própria importância e vem lançando discos pífios (não tenho nada dele dos anos recentes em casa) e declarações não raro constrangedoras, não para ele, claro,  que parece mesmo não ter superego, mas para nós, seus admiradores.

Não se cobra alto de quem não pode pagar e Caetano Veloso pode; conquistou sua posição entre os  fatos culturais do sec XX e nada mais natural que as palavras referentes a ele sejam severas, que interpelem-no com alguma rudeza, tronos se sacodem ou protestos não se ouvem .

Os caetanófilos há muito se incluem nas críticas ao ídolo que parece esforçar-se por receber ataques  destes aspirantes a famosos, temos sempre que lembrar aos pigmeus sua obra, o seu direito a polemizar, ainda que pensando : “Desta vez Caetano exagerou no barulho”.

Mas  não sentirei vergonha por ele, apenas não o tocarei mais em casa por tempo indeterminado. É  o que posso fazer e o que nós seus admiradores lhe devemos pelo que nos ensinou em discos perenes.

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