O Governo Dilma ameaça o PMDB – socar caixa de marimbondo como politica preferencial

O ultimato dado por Palocci a Michel Temer foi um primor de incompetência politica ao qual o Brasil não assistia desde a crise que derrubou o Presidente Collor -também ele desdenhou do PMDB e a história registrou o resultado. O partido mais representativo da variedade do povo brasileiro não costuma suportar ultimatos e olhadas por cima do ombro. Décadas de historia e presença em todo o território nacional e em todos os extratos sociais  dão – lhe  este poder.

O governo atual parece desconhecer que dentro do PMDB os descontentes com o alinhamento automático ao Governo (e a qualquer governo) são maioria já não silenciosa, e não só o bloco de senadores que se declara farto da hegemonia do quarteto Sarney, Calheiros, Jucá e Raupp. A receptividade do discurso já histórico de Jarbas Vasconcelos e a votação do Código Florestal, onde não poucos deputados do PMDB demonstraram sua independência,   já seriam sinais bastante nítidos mesmo para observadores medianos da cena politica, mas petistas não primam pela agudeza da inteligência. São astutos na captura do Poder, mas em  sua manutenção não exibem a mesma competência,  julgam bastar gritos e murros na mesa . Acostumaram -se com os vendilhões ao lado e os covardes na Oposição.

O PMDB se fortalece no momento em que o PSDB se esfarela em questiúnculas (como a Presidência do Instituto Teotônio Vilela) ou na disputa por quem será o derrotado em 2014. Enquanto o PSDB se presta ao papel de bombeiro na crise Palocci (ah Covas, quanta falta fazes!), o PMDB parece atender com anos de atraso ao chamado de Waldir Pires na Convenção do Partido  que escolheu Ulysses Guimarães em 1989: “O PMDB precisa mudar, para o Brasil mudar”.

O Brasil não terá outro caminho  para se livrar das botas do petismo sobre seu pescoço senão por uma candidatura própria do PMDB, pois da dita Oposição nada se pode esperar, pois esta não exibe disposição para retomar as ruas, nem competência para demonstras às massas que elas nada têm a temer caso o Poder mude de mãos. Mostrar o óbvio – a entrada de milhões no mundo do consumo não foi um presente da Fada da Camisola Vermelha e sim  fruto de algo (estabilidade econômica) para o qual os petistas nada contribuíram (muito ao contrario) – parece desafio descomunal ao PSDB, seus intelectuais e simpatizantes parecem nada conhecer do universo simbólico do chamado “Povão” – expressão do gosto da classe media que nada entende de “povão” (nunca se verá um petista usando tal palavra e este é um dos seus trunfos – o conhecimento da linguagem das ruas, o ânimo dos ocupantes das periferias). O PMDB, embora com notável constelação de milionários e coronéis, também conhece a alma do povo brasileiro, mais até que o PT. E o sabe, apenas não usando este conhecimento por ter se acostumado a desfrutar dos governos que se elegem e se tornam reféns dos cardeais da sigla .

Mas a paciência de seus militantes e dos quadros partidários não contemplados no banquete (e o PMDB sempre terá os não contemplados em maior número, pois o partido tem mais filiados que o numero de cargos disponíveis) e  dos seus “autênticos” (gente como Pedro Simon e o já citado Jarbas Vasconcelos) tem se esgotado a cada minuto que passa e novamente o PMDB, como nos dias da Ditadura, é o catalisador das insatisfações de setores não hipnotizados pela propaganda governamental – falando em propaganda, reparem que no anuncio do PMDB governista , estrelado por Michel Temer,  o vice presidente (e presidente licenciado do PMDB) usa a expressão “Brasil Grande” como nos dias do Presidente Médici . Sintomático, não?  Muito revelador.

A oposição PT/PSDB sempre foi falsa, pois programaticamente, os dois partidos têm mais semelhanças que diferenças, ambos querem ser partidos social-democratas de feitio europeu (o PSDB saiu do PMDB precisamente por isto) e disputam na classe média de formação universitária cabeça a cabeça e ambos só obtiveram acesso às massas recentemente. Por qual razão o brasileiro trabalhado por “agentes sociais” que ensinam que o País vive a Era de Ouro mudará seu voto? Pelo português correto e bons modos de Serra? Pela juventude (já nem tão jovem assim) de Aécio? Pela carolice e figura de  vigia de presépio de Alckmin?

O eleitor só  mudará de inclinação política caso tenha sua sensibilidade  de homem não apresentado às teorias políticas provocada por uma mística que o convença da absoluta falta de necessidade de suportar a cara de pau e o cinismo de políticos cuja fome por ganhos vertiginosos de grana pareça inapelável como caprichos da natureza, algo que, como terremotos e maremotos, não admite recurso senão o de preces e abnegação – esta mística o PSDB já provou repetidas vezes não possuir, o PMDB, ao contrario,  é o partido que levou milhões às ruas pelas Diretas e foi o fiador do Governo Itamar, berço do Plano Real.

Pois foi para este Partido que um Chefe de Casa Civil que teme uma CPI mais que à morte e é inarticulado e arrogante, como o são os petistas por definição e aparentemente por ordem de Presidente tão inarticulada e prepotente quanto ele próprio, apresentou ultimato.

Não se soca casa de marimbondos impunemente e mesmo que os apaziguadores da cúpula já estejam se movendo, os marimbondos brotam aos enxames do PMDB.

Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s