Caixa de comentários ou caixa de esgoto?

Há quem saúde os dias correntes como “Nova Era das Comunicações” : todos escrevem, os leitores”consumidores passivos”seriam  minoria correndo para o cemitério, o Poder  ao alcance de quem ousar postar em seu blog suas opiniões e juízos sobre política, fatos culturais, comportamento, valores, etc, etc. Não mais Diretores de Redação autocráticos e de critérios misteriosos decidindo o que pode ou não ser publicado. A teoria é sempre mais sedutora e a pratica sempre mais mesquinha.

A maioria ainda confunde Liberdade de Expressão com Liberdade de Insultar, exteriorizar recalques e preconceitos, gritar para todos opiniões formadas em cinco minutos (quando muito) de leituras de sites sem lastro factual e teórico suficiente, buscando a saída do anonimato que de fato é opressivo para quem se considera talentoso e injustiçado. Como muitos talentos de fato passam a vida em subempregos ou mesmo sem emprego algum, tal vontade (de escapar do joãoninguenismo) é, além de legítima,  imperiosa e violenta.

Quem não sonha em ser citado como influência, ser lido por articulistas objetos de obsessão? Eu sempre sonhei ser lido por Paulo Francis e Helio Fernandes, para citar só dois exemplos. Como eu não tinha blog (blogs não deviam nem existir em ’97, ano da morte de Francis) chorei em silencio lendo os obituários de Paulo Francis lamentando minha não existência para ele. Eram dias cruéis os que correram sem a possibilidade de sonhos de furar o bloqueio entre o anonimato completo e a relevância.

Porém blogs são vias problemáticas de acesso à celebridade: muitas vezes se tem como leitores únicos, alguns amigos, membros próximos da família, namorados. Demora-se e depende-se muito da sorte. Mas um atalho se apresenta: as caixas de comentários de revistas, jornais, sites de notícias, e mesmo alguns blogs que obtiveram êxito. Insultos, espancamentos impiedosos do idioma(sintaxe, ortografia), exibições de inaptidão para interpretação de textos, e mesmo elogios ao crime são encontradiços nas caixas de comentários, as quais funcionam como veículo para revelação de taras e desvios de personalidade,verdadeiros mostruários patológicos onde incapazes experimentam suas frações de segundos de fama.

Quando moderadores tentam higienizar o espaço, logo são acusados de “autoritarismo”,  “saudosos da Ditadura” e demais tolices advindas de quem sabe de liberdade o que aprendeu com algum intelectualóide de porta de Diretório Acadêmico. Há uma reação a isto, felizmente , e poucos ainda se intimidam com esta chantagem, cortam mesmo as “intervenções” em seus jornais, revistas, sites e blogs.

A política de ocupação de espaços que se tenta realizar por parte de quem não dispõe de público em seus próprios órgãos deve ser barrada, até como exercício necessário de democracia e existência de pólos contrários. Não é justo que comentaristas que já dispõem de espaços afins se arvorem em fiscais de órgãos alheios insultando, desqualificando, levantando suspeitas contra articulistas, e mesmo incitando ao crime contra quem defende pontos de vistas contrários aos seus (aos grupos de onde advêm, para ser mais exato).

Medidas judiciais também parecem ser remédio indicado para estes corajosos diante do computador. Está muito fácil caluniar, ameaçar, incitar ao crime contra articulistas; vandalizar enfim, no Brasil.

É urgente limpar as caixas de comentários, do contrário as ratazanas da internet a tornarão seu domínio por natureza, uma caixa de esgoto.

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