PMDB, o culpado providencial

A aliança com o PMDB  se não foi vital para a conquista do poder para os petistas (e não foi, ou quem acredita de fato que o PT perderia as últimas eleições presidenciais se não contasse com os minutos da campanha na televisão de seu aliado?) o é para a manutenção do Poder. Nem tanto para as vitórias nas votações do Congresso, pois o PMDB não vota unido, como o PT e sempre presenteia o Planalto com surpresas, mas como o aborteiro de CPIs, e fiador, por sua cúpula, dos acordos em torno do que chamam de governabilidade.

Mas outra função mais importante cabe ao PMDB neste Governo:  a do “aliado de mãos sujas”, o amigo encrenqueiro a quem os petistas de mãos limpas sabem que não podem confiar, mas de cuja companhia não podem prescindir nas vielas sórdidas da politicagem, tão ameaçadoras aos petistas advindos do meio virginal dos sindicatos e congressos estudantis.

A recente operação da Polícia Federal mais uma vez serviu para encaixar no partido a máscara de meliante da política, ainda que nem todos os indiciados sejam do PMDB e de que mesmo ex-assessor de Marta Suplicy tenha sido preso (não digo culpado, pois tudo ainda está sob investigação), não importa, o peso ficou nas costas do aliado útil, mas de péssima reputação; sutilezas de análise e o socorro da história recente do País não são invocadas neste episódio recente.

As poltronas estofadas dos estúdios de TV recebem cientistas políticos que usualmente atribuem à aliança PT- PMDB as mazelas da governabilidade e o berço de todos os escândalos que estampam os jornais  semanalmente. Não parece ocorrer aos ditos cientistas políticos que o PT carrega acusações de favorecimento nas prefeituras que comanda(ou comandou) e que a Casa Civil petista estrelou muitos dos já referidos escândalos que engrossam edições de jornais. Não, a aliança com o marginal do bairro é quem pôs nosso filho universitário a perder.

Este texto não defende o PMDB do fato de ser agremiação onde muitos “prontuários ambulantes” (na definição magistral de Augusto Nunes a certos delinqüentes da política) se abrigam, mas lança a pergunta: por que em partido com inegáveis bons quadros, com gente que nunca protagonizou denúncias, o governo escolhe justamente os “prontuários”? Será que faltam aos petistas  informações sobre seu maior aliado e eles são  constrangidos a aceitar o que a cúpula peemedebista  oferece, sem discutir?

Ou a ideia é precisamente exibir o partido a quem coube a vice presidência como uma quadrilha, demonstrando à Nação que o acordo bipartidário é moralmente inviável e que a solução é o PT se livrar de quem apenas traz problemas?

Todos sabem que o PMDB é partido múltiplo e emblemático da diversidade do povo brasileiro, não sendo, portanto tarefa fácil para o Governo sua domesticação, ao contrário dos  demais partidos do que se chama de “Base Aliada”, agrupamentos de fácil domínio pelos petistas, que os sabem esquálidos,  caso despejados do círculo do poder. Ao PMDB coube, para dar um exemplo, através de seus líderes (não da cúpula) mostrar reação à recente iniciativa do trem bala, exibindo dados que o provam oneroso e arriscado, enquanto obras mais urgentes se arrastam, a despeito da propaganda oficial .

Nomes como Ricardo Ferraço, Germano Rigotto, Pedro Simon, Jarbas Vasconcelos, e mesmo Roberto Requião (a despeito de seu estilo, controverso e folclórico) entre muitos outros, são garantia de que quem quer que conte com o PMDB para aventuras autoritárias, está se condenando ao engano, pois  estará tomando o partido apenas por sua cúpula e não por sua massa de parlamentares e filiados que reclamam, há muito, candidatura própria e repudiam a vinculação automática a projetos de poder nos quais o status peemedebista máximo é o de caroneiro, agregado que ocupa espaço e cobra caro pela hospedagem.

Quando se menciona a sigla PMDB a eleitores típicos do PSDB e do PT , de formação universitária e de classe média, ou aos beneficiários de programas sociais (eleitorado recente e cativo dos petistas) a reação é usualmente a de menosprezo. Mencionam escândalos e recitam nomes de políticos astros de denúncias, mas quando lembrados que são estes precisamente quem apoiam candidaturas de seus partidos de devoção, desconversam .

O fato é que assaltantes do erário são encontradiços em todos os partidos, unidos e protegidos sob a bandeira do que chamam de “governabilidade”, que é a desculpa para todo tipo de pilantragem contra o interesse público, cabendo ao PMDB, representado por cúpula radicalmente diversa de sua massa partidária, o papel de bode expiatório preferencial.

Cabe aos peemedebistas sinceros reagir aos usurpadores ou se conformar com este desfecho melancólico de sua trajetória de décadas pela história do Brasil.

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