No seu Congresso, o PT confirma a que veio

Muito se noticiou sobre o Congresso do PT na semana passada, todos os principais articulistas dedicaram textos ao evento, uma cobertura jornalística digna de um acontecimento histórico: o Quarto Congresso de um partido que está no Poder há quase nove anos e que exibe disposição para ficar mais uns tantos anos, um bocado deles.

Cobranças apaixonadas por parte de alguns colunistas não se justificam, certo. Exigir que o PT não aplaudisse seu líder José Dirceu é atitude tão autoritária quanto o conhecido autoritarismo petista, afinal liderados sempre aplaudirão seus condutores por mais que atribuam-lhes culpas as mais diversas, faz mesmo parte do circo democrático a sagração de lideranças carismáticas, independente de considerações morais. Que colunistas forneçam pretextos para serem ridicularizados com tanta presteza é que é aberração na democracia.Tudo que os petistas mais precisam  (e agradecem rindo) é que seus detratores sejam apaixonados e portanto, incompetentes. Que se apresentem ridículos.

Mas entre exercer o direito de espernear e apontar tramas ditatoriais vai distancia segura. O PT eliminou neste Congresso quaisquer dúvidas que pudessem, ainda que residualmente, subsistir quanto aos seus desígnios totalitários. As faixas e apupos dos militantes (que mereceram sorrisos de aprovação por parte das lideranças partidárias) contra “os inimigos”, acusando a “imprensa vendida “ de sabotar (não se explica como) as administrações petistas mostram, sem necessidade de adjetivação farta (encontradiça em textos dos já mencionados colunistas) o que esta comunidade cultural deseja e luta para realizar:  o domínio sobre a sociedade sem uma mínima, solitária, contestação.

Qual a dificuldade para o direito de resposta que eles encontram na “mídia golpista”? Queixam-se do ultra mencionado “PIG- Partido da Imprensa Golpista”, mesmo dominando as Faculdades de Jornalismo que fornecem, ainda usufruindo da reserva de mercado para formados em jornalismo, a mão de obra que manufatura os jornais que são em geral no máximo simpatizantes light da facção tucana do partido universitário (o que domina o País desde a queda de Collor), mas nunca direitistas ou conservadores. Propõem em sua resolução “profunda democratização da comunicação” mas se esquivam de explicar como esta se daria sem macular valores democráticos.

Os demais pontos aprovados (reforma urbana, questões étnicas, política fundiária e tantas outras) são o que se sabe parte do ideário petista e só surpreende quem esperava qualquer mudança ideológica no PT,  o que também é outra cobrança sem cabimento por parte de quem dedicou à dita Resolução artigos caudalosos. O que não se pode deixar de insistir é na pergunta: a democracia deve pagar qual preço para que os pontos aprovados na Resolução sejam implantados? O partido utiliza a conhecida política de adotar segmentos sociais e contrapô-los  aos não organizados  e aos “reacionários”que ameaçam as reformas que supostamente beneficiem os ditos “segmentos organizados da sociedade”. O Congresso apenas oficializou, mais uma vez, esta opção pelos “pobres “cadastrados em “movimentos sociais”. Quem esperava algo diverso está mesmo exilado em outra galáxia.

A menção ao episódio policial em que se envolveu a revista “Veja” é muito elucidativa: o assunto pode e deve ser tratado como assunto de polícia, o ofendido José Dirceu podendo (e devendo) processar a empresa que a edita, mas o Congresso fez do referido episódio tese política, uma justificativa para impor sua “democratização” dos meios de comunicação. Agarrou-se ao pretexto oferecido em bandeja de prata como o afogado ao que se assemelhe minimamente a uma boia, ainda que convencendo apenas quem já estava mais do que convencido. A Editora Abril presta, falando nisto, notável desserviço à democracia ao não se manifestar com energia no episódio da suposta invasão do quarto de hotel de José Dirceu; é absolutamente necessário que a empresa puna responsáveis ou processe com igual energia se estiver sendo acusada injustamente – agir como se movendo em um sonho é que não se pode admitir.

Fotos do Congresso também mereceram dos referidos colunistas observações sobre os semblantes dos membros da Mesa Diretora , mas deve se elogiar a franqueza com a qual se exibiram, sem retoques ou fantasias: são o que são, sempre o foram, aliás.

A acusação de que o PT rasgou as máscaras é injusta: eles jamais envergaram máscaras, apenas contaram com observadores que nada observaram e que agora se queixam.

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