A marcha da classe média

A classe média exibiu suas cores no Sete de Setembro.  Redes sociais e colunistas como Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes ajudaram a divulgar as manifestações programadas para o Dia da Independência. Capitais como São Paulo, Belo Horizonte e Brasília, entre outras, aderiram. Decerto cidades de porte média também tiveram suas vias ocupadas por pessoas empunhando cartazes, faixas e portando nariz de palhaço. Não há como negar que foi marcha de pessoas com nível sócio cultural elevado, marchando contra a maré de adesão das massas ao Governo que lhe vende a fantasia do Brasil Grande (mais uma vez na Historia do Brasil) enquanto retrata a classe media que lhe é adversa como “elite que lê a revista ‘Veja’ ”.

Foi, digam o que quiserem cronistas oficiais, marcha de gente corajosa desabafando contra a corrupção suprapartidária e institucionalizada. Faixas de partidos foram vetadas pela organização do evento, mas não há como esconder que o anti- governismo era hegemônico e não camuflado, a despeito de se mencionar, nas faixas e cartazes, escândalos dos partidos da dita oposição (oposição que todo governo pediu a Deus). O tocante na manifestação é a pureza de alma dos seus participantes: parecem mesmo acreditar que falam para outro publico que não o próprio, que não se dirigem a iguais, ignorando as chacotas que os “Amaral Neto” do petismo dedicavam ao evento. Não se percebe em seus semblantes o conhecimento da dimensão da ameaça que paira sobre as cabeças da Nação, ameaça que se ri de marchas de bem intencionados estudantes e senhores que leem em país onde as salas de aula das universidades comportam analfabetos contemplados com a admissão no ensino superior e professores que regem a orquestra.

Os atuais detentores do poder esperaram décadas para se assenhorar do Brasil, não esmoreceram nas derrotas mais humilhantes e estão no gozo da colheita, ciosos de prolongá-la por tempo infinito, contentando as massas no limite de endividamento do Estado e cultivando suas mágoas com habilidade. Imaginar que marchas e protestos possam enfrentar esforço de décadas parece ingenuidade patológica, alienação clínica mesmo. Todo o esforço deve ser empreendido na penumbra, sem pressa de verificar se frutos despontam na árvore recém plantada, mas a classe média não se acostumou a esperar e terá que esperar muito, muito além do que os piores pesadelos podem lhe anunciar.

A batalha cultural não se percebe por parte da classe média  senão em manifestações pontuais, lideradas por gente talentosa como Augusto Nunes e Olavo de Carvalho, para citar apenas dois; tudo parte da conquista das mentes, pois sem esta, as ruas continuarão território cativo de sindicatos, “movimentos sociais”, e afins, as manifestações do Sete de Setembro sendo considerado mero espasmo, exercício do “direito de espernear” . As ruas são mostruários de poder de aglutinação popular, não palcos para ensaios de revolta, por mais bem intencionados que sejam, não sendo recomendável exibir abortos de mega manifestações como as ”Diretas já” e “Fora Collor”, sob pena de fortalecer ainda mais os poderosos do turno. Como observava Trotsky, a História não comporta o ridículo, lembrando o revolucionário o poder simbólico de figuras como Robespierre e Marat como argumento decisivo para a vitória da Revolução Francesa: “Eles não eram ridículos, não podiam ser ridicularizados”. Assim é a História, ela não perdoa precipitações e bravatas.

O futuro do que entendemos por democracia depende da persistência dos manifestantes contra a Corrupção, da disposição de enfrentar a maioria numérica, de permanecerem surdos às risadas e cegos aos colunistas de gabinete e do destemor diante do tempo que terão que esperar enquanto trabalham  para mover os mecanismos históricos, caprichosamente lentos. E  que passem a marchar contra o nivelamento por baixo, pai das ditaduras e padrinho da corrupção.  Adiar a batalha cultural é perpetuar o domínio dos que se impõem pela força, pela superioridade numérica; é capitular definitivamente.

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