O medo de bater

Durante a campanha presidencial de 2010,escrevi e publiquei no “Fernando Pawlow -Cadernos”série de textos intitulada “Serra e o medo de bater”
https://fernandopawwlow.wordpress.com/2010/10/10/serra-ou-o-medo-de-bater/
https://fernandopawwlow.wordpress.com/2010/10/19/serra-ou-o-medo-de-bater-2/
https://fernandopawwlow.wordpress.com/2010/10/22/serra-ou-o-medo-de-bater-3/
https://fernandopawwlow.wordpress.com/2010/10/31/serra-ou-o-medo-de-bater-4/

Neles banquei o profeta – com aquela campanha, ele poderia desistir da ambição presidencial. Há quem garanta que Serra aprendeu alguma coisa da experiência de perder para uma candidata debutante, mas certos hábitos mentais são mais resistentes que se imagina.

Tremores e balbucios são sinais de boa educação para certa classe média que se recusa a abandonar certos trejeitos de porteiro de restaurante chique mesmo no aviltamento mais extremo. O PSDB parece não ter percebido que a massa o tratará como a mais desejada garota do colégio trata o pretendente estudioso, gentil, solícito, respeitoso, etc, etc – com desprezo indisfarçado. O contemplado com a atenção da deusa da quadra de ginástica será sempre o rei do pátio, o monarca absoluto do fundo da sala, ainda que este seja rude, desarticulado e declaradamente sem escrúpulo. A ausência de superego o torna irresistível e o nerd terminará o ano deplorando a injustiça da vida, ouvindo a programação noturna de flashback de alguma rádio. Assim age o que responde por oposição no Brasil. Piadas sobre as figuras que estão ocupando posições, observações sobre a falta de jeito de ministras proferidas em pizzarias, não atenuam a certeza de que Suas Excelências vieram para ficar por mais tempo do que temos de vida. Não adianta criação de apelidos ou desabafos cidadãos. Não agora, não sem método.

A oposição parece seguir o modelo de Carlos da Maia do romance de Eça de Queiroz, que recusa um colaborador para a revista literária que funda, pois este enverga vestimenta mal cortada. O culto da aparência resiste em homens que parecem não ter se submetido ao exame impiedoso: ”Onde erramos?”

Continuam subestimando quem lhes pisa a garganta, sob a vista da população que nem mesmo se ri deste espetáculo de inconsciência. Vejamos:

O lançamento da candidatura à Prefeitura de São Paulo por José Serra provocou a previsível bateria de ataques de petistas e porta-vozes nas redes sociais onde impuseram seus domínios, ataques que aludem à possibilidade de Serra mais uma vez renunciar ao cargo de prefeito para se lançar ao governo estadual, ou à Presidência.  Seus apoiadores na imprensa respondem como? Lembrando que Serra não foi considerado traidor pelos paulistanos que o elegeram governador ou pelos paulistas que votaram nele para presidente? Não, aceitando docilmente a chantagem da inviolabilidade de promessas de permanecer até o término do mandato ainda que pesquisas o apontem como líder. Advertem que desta vez a escolha para Serra deve ser definitiva, advertência a qual os petistas na imprensa jamais fariam para seus ungidos.

Na verdade, o eleitor escolhe seus candidatos por critérios estranhos aos articulistas, principalmente aos que ouvem “cientistas políticos” como oráculos. O que tais analistas chamam de povo vota pensando em quem derrotar, indiferente à possibilidade do eleito cumprir o mandato até o final, pois a massa já percebeu, ao contrário de certos “doutores em preferências do eleitor”que o mandato pertence ao partido e que projetos serão executados pelo vice em caso de renúncia do titular. O que importa ao eleitor de Serra é derrotar Fernando Haddad, e não se Serra “usará a prefeitura como trampolim”, por mais que articulistas sustentem o contrário. Foi um erro de Serra prometer ficar na prefeitura da primeira vez que se candidatou e será erro agora prometer novamente, afinal as candidaturas seguem pesquisas, ou alguém acredita que ele teria renunciado ao cargo de Prefeito se não tivesse chances para se lançar ao Governo paulista e renunciado a este se não tivesse chance mínima para a Presidência? Os eleitores do estado de São Paulo e de alguns outros estados demandaram as renúncias e as candidaturas citadas e Serra apenas os atendeu.

As circunstancias e preferências dos eleitores é que devem ser fatores a observar e não compromissos impostos por adversários. Aceitar a chantagem do petismo, o qual não costuma perder brigas por polidez (façamos justiça ao animo guerreiro dos petistas), selará o destino dos ditos oposicionistas que terão o direito a assistir em camarote especial o domínio dos atuais governantes pelos restos de suas vidas. De nossas vidas.

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