O Coral “Vozes do Esgoto” no recital “Em nome da Pluralidade”

O meu “Caixa de comentários ou caixa de esgoto?” quando publicado no 247 e no blog da “Tribuna da Imprensa” teve, em ambas publicações eletrônicas, comentários que o confirmaram dramaticamente:  tentativas de desqualificação do autor e defesa do anonimato como garantia de “se falar o que quiser”, foram  os argumentos   utilizados pelos leitores “ofendidos”. Um comentarista da “Tribuna “ chegou mesmo a manifestar indignação pela ideia de ter de se identificar toda vez que quiser publicar um comentário: ”daqui a pouco vão exigir endereço, telefone, RG, tipo sanguíneo”.

É o que se entende ordinariamente por liberdade de expressão no Brasil: o sagrado direito de insultar, oculto por pseudônimos, mais precisamente vários pseudônimos, para assim afetar maioria numérica onde há, na verdade, apenas alguns desesperados buscando notoriedade e “sentimento de participação” numa demonstração de insignificância francamente desoladora. Como disse no texto citado: caixas de comentários são ”verdadeiros mostruários patológicos onde incapazes experimentam suas frações de segundos de fama”. E tal parece ser fenômeno muito brasileiro, pois caixas de comentários de outras paragens exibem como “agressivos” comentários que aqui soariam como excessivamente polidos. Aqui comentaristas não alinhados ao sistema dominante acabam, por sentimento de auto preservação, desertando destes ambientes, onde “a delinqüência tomou conta”,  como observou Olavo de Carvalho ao desativar a área de comentários de seu site “Mídia sem Máscara”.

A internet no Brasil é insalubre, resumindo.

Ou como notou Augusto Nunes, “quem lê o que escrevem os anônimos da esgotosfera se sente numa terra sem lei”.

E sabem por quê ? Porque não se processa sistematicamente no Brasil sites e blogs que publicam estas excrescências.

Mario Sergio Conti em entrevista recente ao programa ”Ponto a Ponto”(conduzido por Mônica Bergamo e Antonio Lavareda, que vai ao ar pelo canal BandNews ) qualificou a tolerância dos diretores de sites e blogs com estes exércitos de agressores virtuais como “crime”, e lembrou que em jornais e revistas o comentário era publicado mediante identificação através de dados (endereço, telefone, etc) que parecem exorbitantes aos que advogam seu direito ao anonimato, mas que servem como freio ao ímpeto dos comentaristas, pois tornam possível aos agredidos a defesa por meios judiciais.

Embora reprovando a investida de Gilmar Mendes aos “blogs que atacam instituições”, a qual qualificou como “tentativa de asfixiar economicamente, calar vozes discordantes”, o jornalista constatou a gravidade do caso.

O que ocorre nos sites é de fato alarmante- o episódio recente de José Neumanne Pinto é mesmo paralisante- acusado de estuprar uma menina de nove anos,  prova ser calúnia (não havia boletim de ocorrência nem processo como se divulgou) e é acusado novamente na caixa de comentários do artigo de Claudio Tognolli sobre o tema no 247. São ratazanas dominando a cidade pelo medo sobretudo de se admitir que ratazanas existem e estão escalando todas as paredes.

“Como processar comentaristas fantasmas?”, perguntam. “Quem o permitiu?”, pergunto.

O pretexto sacado do bolso do colete pelos diretores de sites é o de garantir a “pluralidade”, nada censurar, mas quem quer que já tenha colaborado com estes sites sabe que apreciações severas sobre autoridades petistas ou parapetistas são dissuadidas ou vetadas sem rodeios. Como tentam afetar neutralidade no noticiário e nas opiniões da “casa”,  cabe aos comentaristas atacar críticos do governo na divisão do trabalho neste arranjo de “jornalismo” adesista. Algo bem pensado e vantajoso, pois aparentemente ninguém deseja o rótulo de “censor” ou “saudoso da Ditadura”e não se processa quem permite calúnias e insultos a familiares, para mencionar duas mercadorias abundantes neste espaço “democrático”.

“Pluralidade” para estes senhores é apenas a reunião dos iguais, nenhuma voz discordante do coral dos bueiros pode ser admitida, sufoca-se resolutamente pela zoada das ratazanas que se impõem precisamente por serem ratazanas, pela profissão de fé na ignorância auto declarada, pela confiança na eficácia da truculência e na omissão dos tímidos e dos covardes. Isto e mais nada é o significado estrito do que entendem por “pluralidade”, sendo, portanto,  ridícula qualquer reação que não uma vigorosa bateria de processos contra sites- bueiros (não exclusivamente ou necessariamente os  citados).

O recurso sistemático aos tribunais por parte de quem pode (instituições e empresas de grande porte) se defender, mesmo para compensar quem não o faz por falta de meios (cidadãos de classe média) fatalmente levará ao Regente do Coral Vozes do Esgoto, ou seja , ao Poder que patrocina em nome da “pluralidade” este recital repugnante. E não só:

Seria útil aos que ainda podem se fazer notar a detecção dos mentores intelectuais deste arranjo das Comunicações, os gurus deste submundo, os mensageiros entre as galerias do esgoto, os quais advogam modelo de sociedade análogo ao Chinês, onde reinarão sobre redações e empresas que sobreviverão desde que adotem a posição mais abjeta possível.

Textos deplorando a situação da internet no Brasil, repletos de apelos aos princípios constitucionais, aos valores da Civilização, mas que não proponham ataques frontais – seja por processos judiciais ou por mobilização contra patrocínios de estatais- aos liberticidas são válidos apenas como exercícios de estilo, beletrismo no Inferno.

Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s