Notas do “Cadernos”- nova fase do blog,textos curtos sobre “Roda Viva” com João Carlos Martins e não conclusão de obras do Governo Federal

Este blog inicia nova fase após recesso de meses (última postagem na data aziaga de 24 de Agosto). Nova fase na qual ele reencontra sua intenção inicial: ser registro de minhas anotações (as mais publicáveis) em cadernos- daí o nome do blog. A minha intenção era transpor para a tela algumas das anotações dos “brochurinhas” (e algumas das que ainda possuo terão seu devido registro aqui).

Acontece que quando criei o blog não tinha ideia de como proceder e acreditava que apenas textos sumários eram recomendáveis a este formato e assim são meus textos iniciais .

Depois que fui postando artigos ou micro ensaios e o propósito inicial foi completamente posto de lado, e sempre me perguntei se o nome mesmo do blog não deveria mudar, afinal nada entrou das anotações e apenas ultimamente transpunha os ensaios já concluídos em manuscritos, após textos um tanto duros batidos diretamente, reflexos imprecisos do que escrevo à mão. Os “brochurinhas” cobrando seu espaço através de intervalos prolongados.

Resolvi seguir os conselhos do blogueiro (autor do blog “Boca no Trombone” e jornalista veterano, autor de entrevistas referenciais com Antonio Candido e Hiroito Joanides, entre outros feitos) Paulo Mayr,  que me recomendava publicar anotações como forma de manter assiduidade, e não depender exclusivamente dos artigos, ou micro ensaios.

Consultei a ensaísta e pesquisadora Andrea Ormond, autora do indispensável ”Estranho Encontro”, excelente blog sobre filmes nacionais e cujo trabalho me foi de extrema importância como exemplo a seguir e mesmo como inspiração na volta ao blog- pela seriedade e qualidade de seu trabalho – e ela concordou com a adoção do conceito de blog de notas com eventuais ensaios. Opinião que respeito, que muito me vale, pois a despeito de nossas incontáveis divergências, ela não se negou a dar sugestões ao blog cujas opiniões ela não subscreve.

Aos dois companheiros de ofício, agradeço o incentivo oferecido apesar das divergências gigantescas, porém menores que a generosidade .
E aos leitores, peço desculpas pela ausência e ofereço um novo visual para o blog.

XXX

E as promessas do então presidente Lula aos nordestinos castigados pela falta de água não se cumprem, ao menos no prazo previsto.  As obras se arrastam e menos da metade  está concluída. O “Jornal da Globo” exibiu na Segunda –feira matéria sobre o arrastar do empreendimento prometido com data fixada pelo ex-presidente, com os usuais improvisos que divertem seus companheiros de palanque e de eventos que anunciam obras.
A Ministra do Planejamento Miriam Belchior apareceu na mesma reportagem, toda sorrisos, esclarecendo aos queixosos os pormenores técnicos causadores do atraso no cumprimento do cronograma. A expressão de William Waack logo após foi eloqüente editorial.

Pergunta-se: onde os oposicionistas ? Imagino que os atuais governantes diriam destes atrasos, estivessem ainda na Oposição, pois não se discute que, desde a UDN, o PT foi a mais guerreira das oposições cumprindo com competência e zelo as funções de oposicionista. O PSDB, cioso de sua matriz ideológica, evita recursos dramáticos, como se estes fossem demonstração de vulgaridade que não assentam adequadamente a professores universitários.

Durante a ultima campanha, que disse José Serra das promessas a cumprir, durante viagens ao Nordeste? Nada li a respeito, mas não o imagino usando da dramaticidade que as circunstancias justificam, ou seja, cuspindo no chão fervente e apontando: “vejam minha saliva evaporar em segundos, enquanto se gastam milhões neste mesmo instante com obras de uma Copa do Mundo, com estádios que logo se converterão em moradias de ratos”.

Mas quem consegue imaginar esta performance de Serra? Lula o faria, pois muito de sua mística é fruto de sua percepção de homem de palco, que não se cuida do ridículo, a ausência de superego como artefato político de combustão imediata e eficaz.

X
A entrevista de João Carlos Martins no último “Roda Viva”confirmou a máxima que observa que a inteligência não é contagiosa, enquanto a estupidez o é.

Não se trata de gostar ou não do Maestro, ou de esquecer convenientemente sua passagem pelo malufismo, mas de agir com compostura, não dando tanta pinta de partidarismo, ou de verbosidade colegial. Foi um programa onde nem sombra de autocrítica apareceu para dizer “olá”, um argumento decisivo a quem se promete desertar da audiência de um programa que parece talhado, pela escolha dos membros da bancada, a funcionar como sonífero.

Professores universitários inarticulados e jornalistas beneficiários da reserva de mercado para formados em Jornalismo são praticamente garantia de programa sonolento, e têm sido assíduos nas edições do “Roda Viva”. A edição do “Roda Viva” na qual, há alguns anos Conti foi o entrevistado (lançando o clássico “Notícias do Planalto”) exibe um professor de jornalismo indagando, com tom de quem descobriu o materialismo dialético aplicado, por qual razão órgãos corporativos apoiaram Collor, candidato das corporações.

A professora que argüiu Martins com jargão de cervejada de Diretório Acadêmico (“validação”, ”abordagem eurocêntrica” e outros lugares comuns sobre supostos julgamentos morais arbitrários  entre o “bem” da cultura e o “mal” do crime), não surpreende, é apenas um exemplar do culto ao nivelamento por baixo que domina as Universidades e todo o panorama cultural brasileiro.

O que é realmente desolador é assistirmos Mario Sergio Conti, combatente cultural pelo nivelamento pelo alto (autor de ensaio recente na “piauí” sobre Proust que não se pode ignorar, irretocável), jornalista que na “piauí” e na “Veja” estabeleceu um padrão ainda não atingido de qualidade na imprensa brasileira, não apenas reiterar as tolices ditas pela referida professora, como chamar em seu auxílio Adorno na acusação de que o maestro fazia apresentações demagógicas (por dar seu exemplo de superação em vídeos exibidos em telões nos seus concertos), um “jogar pra galera”. Bem, quem evoluía para a arquibancada de intelectualoides de Departamento Universitário ali naquele momento, era Conti.

Seu encerramento, no qual instava o maestro a provar que fazia arte e não “atração circense” ofendeu muitos telespectadores que superlotaram as caixas de comentários no site do “Roda Viva” com protestos à agressão sofrida pelo convidado. Mas foi, se feitas as contas, apenas coerente com o nível do restante do programa e com o que este tem sido com debatedores deste calibre, usualmente convidados, pelo critério de um aparente  campeonato de mediocridade e pompa. Poucos programas da fase Conti são assistíveis,  mesmo por quem o admira, precisamente pela bancada de nulidades com titulação acadêmica.

O que admiradores do Conti que ficará- o jornalista exigente, o estilista da reportagem; resumindo, o Conti escritor – devem fazer é boicotar o programa, fazendo assim que este jornalista e ensaísta volte ao seu ofício com dedicação exclusiva.

Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para Notas do “Cadernos”- nova fase do blog,textos curtos sobre “Roda Viva” com João Carlos Martins e não conclusão de obras do Governo Federal

  1. Caro Pawlow:
    Em primeiro lugar, o menos importante: agradeço você ter citado o meu nome, como um do que incentivam sua retomada aos Cadenos.
    E agora o importante. Legal ter seus longos e detalhados textos de volta. De certa forma, a prova de que eu incentivo quem merece.

    Parabéns. Imagino falar em nome de todos que lêem os seus Cadernos,

    Falando apenas em meu nome, embora goste desses seus textos característicos, queria ver você escrevendo textos mais concisos e bem mais assíduos. Embora fale isso só em meu nome, acho que os outros seus leitores não vão discordar.

    Ótimo ter seus textos de volta.
    Grande abraço

    Paulo Mayr

    • fernandopawlow disse:

      Caro Mayr,conto com amigos talentosos,e isto vale muito mais que ganhos monetários.
      Eu deveria ter ouvido seu conselho ha mais tempo e assm não teria privado quem me lê de material,mas enfim,o bom senso prevaleceu.
      Tenho acompanhado o “Boca no trombone” diariamente e isto me confirma como um felizardo,com amigos talentosos e generosos.Nossa amizade resiste mesmo às divergencias.
      Obrigado por suas palavras gentis e por conselhos que são ofertados como jóias.
      Abraços do amigo e seguidor Pawlow

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s