Notas do “Cadernos” : A doce oposição , as lições de Israel e as vaias “politicamente corretas” à Presidente Dilma

O PSDB confirma seu destino de oposição terna, doce, uma oposição presenteada pela Fada da Camisola Vermelha ao PT. Quem não inveja ser governo ao assistir seus torneios de etiqueta?

Enquanto José Serra visita a Disneylândia, seu partido lança Aécio Neves como candidato à eleição de 2014, dando a uma eleição presidencial formas e cores de uma campanha em município do interior. Será derrota garantida, pois qual estado o tem como líder, além de Minas Gerais?  Quem o imagina vencendo em Pernambuco ou no Rio Grande do Sul?

As fotos exibem figuras  inocentes do esvaziamento do que poderiam, em outros tempos,  considerar como o eleitorado tucano típico, que,  a julgar pela derrota de Serra à Prefeitura, é apenas um retrato na parede.

Mesmo ensaios de exigência de uma CPI para o episódio no qual o escritório da Presidência da Republica em São Paulo aparece como palco de negociatas carecem da energia necessária, são tímidos e são indicativos (seguros?) de que uma chance (que dificilmente se repetirá) de incapacitar Lula politicamente em caráter definitivo será desperdiçada.

FHC exigindo de Gilberto Carvalho “respeito pelo passado”, sobretudo o passado dele próprio, Gilberto, é instantâneo que dispensa legenda, é como linguagem de belle époque em quizila de porta de baile funk, é mesmo o marco iconográfico no qual historiadores buscarão respostas para a pergunta”Quando foi o fim exato do PSDB?”

O fim exato do PSDB e de qualquer possibilidade, a médio prazo, de oposição ao projeto entronizado e da democracia como descrita nos dicionários de ciência política.

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Israel dá sua contribuição, nos episódios recentes, à literatura diplomática:  em caso de voto contrário à sua vontade na ONU faça o extremo oposto do que te exijam.

Pergunta-se: por que deveria Israel acatar não uma Determinação, mas mesmo qualquer advertência de órgão que se demonstra meramente ornamental? Órgão que já advertiu Israel seguidas vezes pelo uso da violência, tendo como resposta o desprezo mais ostensivo, cadeiras vazias sendo praticamente um logotipo de Israel em ocasiões diversas.

Países como o Brasil são capazes de qualquer esforço adicional por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, mas há países que demonstram postura mais altiva; dão de ombros e procedem como julgam que devem.

Não se discute as razões de Israel, mas suas ações abrem novo paradigma que poderá servir mesmo a um futuro estado palestino (caso sobrevivam aos bombardeios e assentamentos que ganham decidido estímulo governamental, estímulo potencializado pela impunidade) de como agir com seu vizinho Israel, escolhendo qual determinação da ONU merece ser observada.

Voltando ao Brasil: qual país em sua vizinhança exibe sinal de respeito ou temor? Um oceano cultural o separa de seus vizinhos hispânicos, mas o Brasil (principalmente com o atual governo) se prostra contrito ao culto da “latinidade”, ouvindo com bonomia insultos e toda sorte de questionamentos insolentes.

O Brasil necessita tomar lições com Israel, país que ajudou a criar.

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E vaiam a Presidente Dilma em um destes eventos de saúde em Brasília , destes que são palcos para discursos que abastecem as crônicas de Celso Arnaldo (o jornalista que reproduz integralmente o “Dilmês”, e que publicado na coluna de Augusto Nunes diverte uns  tantos e enfurece  outros tantos que julgam ser Celso Arnaldo  um heterônimo do Augusto Nunes).

Protestavam contra o abandono de muitos hospitais onde corredores foram convertidos em enfermarias e lençóis em “comadres”? Contra prateleiras vazias de remédios nas ditas “farmácias populares”? Nos esqueletos de centros clínicos que volta e meia aparecem em reportagens na TV? Contra filas que cobrem quarteirões (a recente fila no Rio de Janeiro o reiterando)? Os maus tratos que funcionários públicos dispensam à população, pois protegidos por Lei que aparentemente os autoriza a gritar e jogar documentos nos guichês? Ou se indignavam com a necessidade de marcar com antecedência de meses uma consulta?

Não. A presidente se referiu aos “portadores de deficiência”. Ofendeu não se sabe quais suscetibilidades com o termo “portadores”. Logo tentou acalmar melindres corrigindo-se: “pessoas com deficiência, pessoa é mais humano”, observou a Chefe de Estado.

Reinaldo Azevedo escreveu que o que ocorre no episódio é mais uma distorção causada pelo “politicamente correto” e que setores não têm o “direito de impor sua ignorância como medida de correção política”. Pois têm sim. O Brasil construído pelo sistema que entronizou a Presidente Dilma é o país do domínio pela mobilização de massas tendo como norte o nivelamento por baixo. A política educacional deste governo eterniza a barbárie e a corteja.

Nada mais justo, pois , que vomitem de volta, em vaias a uma autoridade eleita, toda a ignorância que figuras da Universidade asseguram não existir, impondo pelo berro “uma nova construção do saber, um saber não eurocêntrico“.

Mais que um direito, uma questão de justiça e gratidão.

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