Notas dos “Cadernos”- as Frentes de cardeais da política brasileira,os erros dos opositores da militancia gay e outros

Roberto Freire foi ao “Roda Viva” explicar sua “Frente de Esquerda Democrática” e suas diferenças com as demais tendências esquerdistas no Brasil- o que parece a ele como autoritarismo dos petistas e suas usurpações históricas. Pingou is em história brasileira das ultimas duas décadas para minoria de interessados em história entre os que discutem política.

Nada que parecesse ameaçador ao partido que tem se havido bem no controle das massas dependentes de ajuda para a sobrevivência mínima e no ilusionismo de prestar a tal ajuda para a sobrevivência mínima.

 

O que lideranças como Marina Silva e Roberto Freire propõem- partido plural com lideranças díspares, um conclave de cardeais onde muitos deles sejam tocados de generosidade e não desejem mais que o cardinalato político- já tem nome e sobrenome- PMDB, sobretudo a condição de coadjuvante cujo apoio é cobiçado e leiloado.

Observando o surgimento destas frentes (a de Freire e a de Marina), só quem desconhece não lembra do samba de Monsueto: ”Todos queriam o ovo, mas o ovo era um só”. A Presidência teria que ser ampla como uma comissão de diretores de uma escola de samba para abrigar tantos “interessados apenas em servir”.

Enfim, algo já visto e conhecido que apenas ignorantes em História do Brasil recente compram como novidade digna de render manchetes e capas de revistas.

Mario Sergio Conti observou ao líder do PPS que os grandes problemas ideológicos de um partido de Esquerda- como o imposto de renda progressivo ou o imposto sobre heranças e fortunas – não são sequer mencionados, tudo sendo meramente “nominal”, iniciativas personalistas incapazes de fazer diferença no imaginário das massas e portanto, de utilidade e eficácia discutíveis.

Partidos políticos no Brasil mal são percebidos pela maioria que decide eleições e que julga, com razão, que são idênticos no substancial, e mesmo a obsessão com a Presidência não encontra justificativa quando se observa a composição de forças que torna tal cargo um ornamento de luxo, como observava Paulo Francis (entre vários textos no qual ele estranhava esta meta suprema dos políticos, o que ele diz no livro de memórias “Trinta anos esta noite” permanece irretocável).

O que realmente determina para onde migra o animo da Nação tem sido negligenciado pelas figuras publicas: a guerra cultural que anima os embates políticos nos outros países e que no Brasil é visto como pormenor acidental, menos pelos atuais detentores do poder que, como observa Olavo de Carvalho, se prepararam décadas para a Política ( a mescla de ativismo social e guerra cultural) que flutua sobre a pequena política meramente institucional e episódica.

Mas tente explicar isto aos “oposicionistas”- mesmo aos colunistas de oposição especialistas em convencer quem já pensa como eles- e garanta colapso nervoso adquirido no labor de ensinar um jumento a reger orquestra.

XXX

Quando se observa pastores falando fora de seu círculo de influência, compreende-se o avanço das lideranças gays – os ditos pastores são mesmo incapazes de compreender grandes estrategistas-“Não se deve combater no campo do inimigo”. Insistem em debater num terreno receptivo (jornalistas formados em faculdades ideologicamente dirigidas) às causas do ativismo de minorias com argumentação lógica, buscando auxílio em explicações biológicas e psicológicas bem fundamentadas que só funcionam quando o diálogo é honesto.

O que se exige nestas situações (quando se aceita participar delas, bem entendido) é malícia e firmeza e tais atributos faltaram ao Silas Malafaia na entrevista (assunto um tanto passado, mas digno de nota) à Marília Gabriela, na qual apelou ao já demonstrado pela ciência biológica procurando demonstrar a falácia do conceito de “orientação sexual”como defendido pelos apologistas do Movimento Gay  ou se valendo de explicações teológicas funcionais apenas entre cristãos. Não é assim que se apresenta a publico que não o seu, ofertando-se ao escárnio de pretensos “formadores de opinião”.

Mesmo a oportunidade de ridicularizar a patrulha lexical  que obriga a usar “Homossexualidade” no lugar de “Homossexualismo” (este sendo “pejorativo”) quando a entrevistadora o corrigiu como a professora ao aluno relapso, Malafaia deixou passar. Permitiu-se ser constrangido a se corrigir (visivelmente esgotado por tantos sofismas que teve que desembaraçar), quando poderia ter indagado á apresentadora se ela sabia que a distinção entre os termos “Homossexuality ” e “Homossexualism” existe na matriz do Movimento Gay,pois descrevem fenômenos distintos. Deveria ter indagado:

“A senhora sabe o por quê da escolha destes termos”?

Iniciando assim  discussão entre exercícios de sexualidade e comportamento de grupo, entre revindicações civis legítimas e suas extrapolações que pretendem subjugar religiões aos projetos de poder de uma “minoria”.

Chance como esta de desmascarar porta-vozes de ideologias prontas não costuma se repetir com tanta facilidade.

E Malafaia é dos mais preparados entre os líderes religiosos, pois psicólogo formado e dotado de verbo vigoroso e publico considerável.

Quando a oposição ao Movimento Gay ganha a figura de um Marcos Feliciano e outros de retórica  semelhante, verifica-se que a sociedade está desarmada diante de adversário hábil e a prostração precede a ruína.

Onde se ocultam os “defensores da democracia” do jornalismo que deixam aos líderes religiosos despreparados para a guerra cultural a defesa da sociedade?

Pois o  fórum de debates dos pastores é o que construíram em suas concentrações e programas de TV ( precedidos por anos pregando no interior de seus templos). Fora deste elemento, perderão sempre, servindo de objeto de chacota em programas preparados para exibi-los como aberrações e voltando ao meio evangélico despotencializados pelo desgaste psíquico de tentar argumentar com bonecos equipados com o chip relativista, repetindo clichês enervantes pela estupidez e pré disposição adversa e nada é mais desgastante que discutir com imbecis, como  observa (sempre ele) Olavo de Carvalho: ”Eles sempre ganham a discussão contra o argumentador honesto”. Que falta aprender ainda com os adversários?

Parece que a confiança no conceito de “maioria moral” estupidifica a Oposição em todos os setores no Brasil, sobretudo o religioso.

Com inimigos como estes,para repetir clichê acertado, os líderes gays não carecem ter amigos.

XXX

E os argentinos não mais precisam temer um Papa brasileiro – têm o seu.
Um quadro preparado para continuar a luta de Bento XVI contra os que atentam contra a Igreja pretextando “modernizá-la”com propostas grotescas contra sua Doutrina com descaramento que não exibem contra Judaísmo e Islamismo – e o novo Papa parece disposto a contradizer o dito “Assombração sabe a quem aparece”.

Um guerreiro jesuíta, cardeal não amolecido pelo luxo e suntuosidade, parece possuir a energia nervosa para combater pelotões do que Carlos Heitor Cony denominou (quando da eleição do Cardeal Ratzinger) “teólogos barbudos”, aos quais muitos pastores devem sua fortuna, pois de ajuda definitiva para o crescimento de seus “negócios” (lembro de pastor batista que se queixava a mim da “baixa rentabilidade“ de sua “Igreja”- a qual afundou num escândalo digno de texto tratando só dele).

Como um católico não-praticante (que nem Primeira Comunhão fez), torço pelo Papa Hermano, Francisco.

XXX

 

Texto adicionado após dia 15/04/2013, data da morte do homenageado

E para terminar este post, poema de grande amigo que buscou de sua experiência com dependentes químicos suas impressões sobre o Inferno e o Céu

Eu e Você

Me surpreendi tão só num novo mundo
Você veio até mim ( Estava sozinho)
E juntos
Fizemos muitas amizades
Me esqueci de mim e de minha família
Dos que me amavam-
Era de vocês.
Beijamos, amamos e gozamos todos juntos
( Também nos odiamos)
– A festa parecia nunca ter fim
Porque tudo era alegre ( e prazer)
E continuamos nosso bailado furioso pela vida
-Nós dois.
Porque tudo era gostoso ( e prazer)
Pouco reparei em você
E foi assim que um dia
Paramos por um momento
E você me disse
“Espere, vou até ali e volto
Vou dar um tempo
Vou pensar”
Mas você não voltou
E tentei reiniciar a louca corrida
Dei tudo de mim
Até que restou eu.
De mim sobrou quase nada.
Ou nada.
Esqueci de mim e de meus filhos
De todos que me amavam.
Era de vocês.

( João Febronio de Miranda Torres)

(1934-2013/R.I.P)

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3 respostas para Notas dos “Cadernos”- as Frentes de cardeais da política brasileira,os erros dos opositores da militancia gay e outros

  1. Camilo Luiz Barros disse:

    Fernando, seu Pai foi para mim um dos maiores e melhores amigos que obtive a graça também de conhecer. Ilustre, distinto em tanto conhecimento e simplicidade, sempre com a palavra certa para todas as ocasiões, de um gigantesco humor ácido, áspero e muito preciso. Sempre me admiro com o seu pai sobre sua trajetória de vida, suas tão gostosas histórias de fatos do passado político, administrativo e “ROMANCEADOS”. O seu tão marcante e não alardeado trabalho social de tão relevante importância para tantos e tantos homens rapazes e mulheres. Foi com grande emoção que quando o fui visitar, nos últimos dias, ele me disse que era muito contente em me considerar também um amigo e como isto fez diferença também para mim. Nos despedimos com votos sinceros de nos encontrarmos sempre pela vida – Considero aqui a Evolução infinita do Homem. Espero Fernando Continuar tendo em você o grande amigo que tive em seu pai nos últimos DEZ anos de convivência. Não percamos o contato. RSVP. Camilo Barros. Camilinho.

    • fernandopawlow disse:

      Amigo Camilinho,agradeço suas palavras sobre meu pai.Voce que sempre mereceu dele menções elogiosas e bem humoradas.Sempre que nos falávamos por telefone,voce era mencionado .
      A saudade que sei que virá ainda está sendo contida pelo alívio pelo fim de seu calvário hospitalar ( que teria extensão em uma cadeira de rodas caso ele sobrevivesse,ele um caminhador compulsivo como eu próprio) e por preocupações quanto à minha retomada da vida pré-doença de meu pai. Mas sei que não perco por esperar: ela devorará muito de minha euforia e cobrará seu tributo em mordidas diárias: um senhor parecido com ele no centro da cidade , o telefonema nas horas usuais de seus telefonemas e a pronta lembrança de que não,não pode ser ele o transeunte nem dele o telefonema, me torturarão até que um dia eu o reencontre em lugar que congrega apreciadores de leitura e conversa bem tecida.
      Ele morreu modestamente,mal suspeitando a cratera que deixaria na lembrança de quem conviveu com ele.
      Não sabíamos o tamanho de sua família afetiva até o velório,ele foi ,como ja disse,modesto.Foi um domingo de dor compartilhada com gente que eu não conhecia e que era, sem eu saber,também minha família.
      Não perderemos o contato ,acredito que voce tenha meu email.
      Do contrário, mande o seu via comentário e eu o anotarei prontamente,eliminando-o antes da publicação
      Abraços do Pawlow

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