Notas dos “Cadernos”: No baixar da poeira, as garras aparecem

Com o que parece ser o esgotamento das manifestações, o quadro torna-se mais nítido e, portanto, mais fácil para profetas improvisados e analistas políticos projetarem o que julgam ser o “novo Brasil” que fatalmente surgirá dos acontecimentos da semana.

O Movimento Passe Livre anuncia que não mais participará de novos protestos, pois julga cumprida sua missão de “levantar discussão” sobre o transporte coletivo, aparentemente satisfeito com o desconto de vinte centavos concedido pelo prefeito de São Paulo.

O MPL também não deseja se confundir com “conservadores” que se uniram às marchas e está no seu direito – se não se aprova os novos passageiros no bonde, salta-se. O que não é aceitável é que determinado movimento político se presenteie com a posse das ruas e da indignação de quem resolva se juntar á caminhada, ainda que iniciada pelo dito movimento.

As modificações que movimentos de massa sofrem são revitalizantes e quem se apega a pretenso purismo ideológico tende a se isolar. Talvez seja precisamente este o desejo do MPL- depurar-se da massa “retrógrada” que maculou o movimento “dele”.

Órgãos de imprensa escolhem o lado que pareça-lhes garantia de futuro tranqüilo, e jogam as fichas na cobertura entusiasmada ou em advertências soturnas.

Oposicionistas foram velozes no Mea Culpa e dão cobertura de espetáculo às manifestações, minimizando o que têm de negativo (as delinqüências infalíveis) e louvando as multidões que heterogêneas e imprecisas, ainda assim incomodam Governo e seus simpatizantes.

Governistas que há muito desistiram de afetar postura jornalística (afinal, a quem enganam?) esforçam-se para caracterizar os manifestantes como massa homogênea de “filhinhos de papai”, manipulados pela “mídia golpista” e exortam a Presidente a “assumir” em editoriais histéricos e mal escritos,  secundados por articulistas, que, demonstrando notável altivez diante de qualquer temor do grotesco, assumem entonação de velhos admoestando “jovens irresponsáveis”. Dirigem-se a leitores igualmente primários, os quais cuidam de espalhar o lixo em seus blogs e comentários em caixas de sites que os toleram.

A Presidente, em seu pronunciamento, não condenou os protestos, mas a “desordem”, e não demonstrou muita segurança, evidente o baque que seu governo sofreu, com jornais estrangeiros divulgando as mazelas aludidas pelos manifestantes.

A demonstração de fraqueza que costuma anteceder rompantes de fúria não é algo inédito na História, e somente tolos comemoram as olheiras e titubeios presidenciais.

Esperará o pior para agir “com firmeza”, como suplicam seus apoiadores ?
A fumaça se dissipa e as garras se exibem nítidas, distintas.

Nada voltará ao previsível de uma quinzena atrás e esta Primavera ganha as cores de um Outono duradouro e implacável.

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