Notas dos “Cadernos”: FHC no “Canal Livre”: Mea Culpa que não houve e O interlocutor confiável-ao Governo

O ex Presidente Fernando Henrique Cardoso é entrevistado que não dificulta a vida dos entrevistadores: possui verbo fácil , é o que se conhece como “bom papo”, a leveza com que trata de assuntos áridos, que com outros menos hábeis seriam sonolentos, é admirável.

Homem articulado, lúcido, secundado por Fernando Gabeira, outro analista envolvente da política brasileira, descreveu com rigor, no “Canal Livre” de Domingo, as seguidas trapalhadas de seus sucessores no Poder- as chances que desperdiçam com tenebrosa freqüência, os resultados de políticas equivocadas nos mais diversos setores governamentais, os gastos em obras que não se justificam, ou não são entregues no prazo, as promessas fantasiosas feitas sem qualquer escrúpulo e emendadas em outras promessas igualmente por cumprir;  enfim, as mazelas do petismo. O Estado lerdo por natureza, com a saúde piorada pelo aparelhamento partidário.

O que FHC não admitiu- e dificilmente admitirá- é a contribuição de seu Governo e de seu partido, PSDB, no nivelamento por baixo que tornou possível este pesadelo, através de política educacional que eliminou a golpes de “promoção automática” a meritocracia no Brasil, condenando uma geração de brasileiros ao semianalfabetismo e a uma cidadania de segunda classe, pois não apresentada aos predicados de disciplina e mérito.

Quando esta geração enfim tornou-se eleitora, naturalmente escolheu a demagogia e vendedores de delírios como trens-bala e Primeiro Mundo por decreto. São eleitores que desprezarão quem se candidate sem utilizar o que Roberto Campos chamava de “linguagem PAMG- Prometer, Acusar, Mentir e Gritar” e que ouse sugerir o que poderemos obter se nos esforçarmos e nivelarmos, cada um e no seu respectivo meio, pelo alto.

Este Mea Culpa não formulado pelo ex- Presidente pesou como tampa de chumbo sobre o programa, agradável palestra entre intelectuais tratando de nossas desventuras.

XXX
Quando no final da semana passada, a Presidente anunciou que convocaria para discutir sobre as manifestações as ”lideranças”, quem imaginou que fossem outras que não os líderes do “Movimento Passe Livre”? Tão responsáveis, tão legítimos.

O cuidado que os ativistas desta agremiação sempre demonstraram com o Governo tornava-o interlocutor natural e infalível, ainda que as manifestações fugissem do seu controle dia a dia.

Não parece confiável à maioria que se mostra disposta a não esmorecer ainda que ”baderneiros” sejam assíduos nas marchas e que a PM pareça disposta a nivelar todos por baixo, entretanto. O MPL se demonstra, isto sim, líder de si próprio, ainda mais quando anunciou a deserção na última quinta-feira , declarando-se satisfeito com os 20 centavos a menos nos ônibus que permanecerão humilhantes aos usuários.

Que o Governo o tenha como interlocutor preferencial e trate aos demais manifestantes como “massa desordenada”, é a confirmação do que se esperava de diálogo entre cúpulas, ainda que apenas o Governo seja detentor de poder real e não prometa entregar coisa alguma aos interlocutores que tampouco podem prometer o fim dos protestos.

Não se improvisam combatentes sociais, sobretudo contra inimigos experimentados.

Se ignoram isto, que voltem para casa e estudem enquanto a História arde.

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