Notas dos “Cadernos”: Serra no”Roda Viva” – se todos oposicionistas fossem iguais a você e O Plebiscito de Dilma-não custa nada, né?

O “Roda Viva” de ontem exibiu José Serra diferente do Serra vacilante da última campanha, o que tivemos foi um observador cirúrgico das mazelas governamentais, do oceano entre as promessas e o cotidiano de milhões que contam com péssimos serviços nos mais diversos campos da administração que, a despeito de gastar assustadoramente, pouco apresenta.

Serra parecia divertir-se enumerando os projetos que se atropelam, com orçamentos na casa dos bilhões, por outros projetos igualmente custando bilhões, por concluir. A imaginação de roteirista de filmes de ficção científica dos tecnocratas improvisados da era petista é realmente frenética, porém poucos oposicionistas exibem síntese tão bem acabada dos enredos fantasiosos como Serra, talvez por seu conhecimento técnico, seu preparo que o torna o saco de pancadas preferencial dos governistas travestidos de jornalistas.

Embora observasse que o “ciclo” do PT (econômico, muito consumo, pouca produção, com o ressurgimento da “estagflação”) esteja se esgotando, o que explica muito das manifestações, isto não se refletirá ”mecanicamente” nas urnas, julgando temerário arriscar previsões eleitorais, numa demonstração de lucidez pouco vista entre oposicionistas que já encomendam foguetes para comemorar não se sabe qual vitória.

Apenas adiantou que o PT não desistirá do Poder, não hesitando em lançar Lula caso a Presidente Dilma Rousseff não se recupere da queda na popularidade: ”Eles são capazes de qualquer coisa”.

Discorreu sobre voto distrital, afirmando que este reduziria dramaticamente o custo das campanhas e promoveria efetiva representação e quando Marco Antonio Villa lembrou do caciquismo partidário, Serra emendou:”Inclusive no PSDB”.

Que faz ainda neste partido é mistério que atiçou os entrevistadores,  desejosos de saber os próximos lances da carreira do entrevistado, que prolongou o suspense, numa não resposta que a tudo responde- tudo indica que desertará da sigla, que o pretere reiteradamente.

Bons momentos foram dedicados à presidente Dilma e o que parece a Serra ser seu modo de tomar decisões: consulta aqui um líder do partido, ali o marqueteiro e sobretudo, seu criador, Lula, debitando neste método ideias de Constituinte e reforma política.

Não pareceu disposto a responder seriamente sobre o que considera ridículo, pura desconversa de quem não sabe o que retirar da cartola.

Lamentou que certas regras não sejam obrigatórias na política: ”Não mentir, não enganar, não dizer besteiras”. Talvez se tais regras existissem, muitas carreiras e talvez muitos partidos seriam abortados no Brasil, nem precisou acrescentar.

Por que outros oposicionistas não são tão agudos? Por que ele próprio não se libertou de regras de polidez nos debates e furou o saco de vento com o alfinete da lógica e do deboche aos imbecis? Por que não processa jornalistas que insinuam sem provas?

Caso o exibido no programa seja a depuração de todas as hesitações que o derrotaram, e esta seja sua verdadeira persona, os adversários de Serra têm o que temer.

XXX

Plebiscito. É o que a Presidente tem a propor aos manifestantes que demonstram cansaço e asco da classe política e que não ensaiam desistência das marchas, ainda que coalhadas de bandidos e sem proteção policial, ao contrário. Esta, enfim, sua resposta ao País.
Não custa mais esta, né?

Quando não se tem ideia aproximada de como lidar com as implicações do Poder para o qual não se preparou minimamente, qualquer fantasia surge como elemento de salvação.

Propor reforma política, ainda que sem um ponto de partida definido (se tem, por que não propôs, com a maioria que detém no Congresso?Com seu partido no Poder há dez anos?) é brincar com o momento, é acreditar que somente tolos se levantam contra o Sistema.

Quais serão as medidas que constarão da proposta de reforma política? Como será o tal plebiscito? Quem responderá com lucidez, entre os hipnotizados com propaganda e temerosos de perder “ajuda” governamental?

Nem uma palavra sobre os custos de um plebiscito e de uma Constituinte em ano eleitoral, talvez por não ter pensado seriamente um segundo nisto antes de anunciar, pois como nota José Serra (texto anterior) ideias soltas são sopradas por marqueteiros e palacianos e adotadas prontamente como plano de ação pela Chefe de Estado.

Quanto faltará para que multidões despertem do coma político e berrem: “basta de subestimar nossa inteligência, ignorar nosso sofrimento e debochar de nossa ira”?

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