Notas dos “Cadernos”: FHC Imortal,apesar dos “intelectuais” e o Tesouro da “Brasiliana”

Fernando Henrique Cardoso, autor de clássicos da Sociologia como “Dependência e desenvolvimento na América Latina” ( parceria com Enzo Faletto) e “Cor e mobilidade social em Florianópolis” (item da Coleção Brasiliana) foi eleito hoje para a Academia Brasileira de Letras.

Quem discutiria a eleição de autor destes títulos para honraria destas? No Brasil, muitos.

Não por mérito das obras do autor, mas pelo fato dele ser um político que venceu o candidato do PT duas vezes no Primeiro Turno para a Presidência da Republica. Simples.

Antes, alegavam oposição às ideias “neoliberais”, mas como adotaram no Governo muitas delas, restou apenas o rancor. E a inveja por alguém que se projetou como autor referencial nas Universidades da Europa e dos Estados Unidos. Pela incapacidade de debater frontalmente com autor de texto tão fluente como sua fala, outro insulto aos incapazes de produzir um bilhete não registrado em jargão uniformizado. Assim são os Inteleks Komissariats dos campi.

Prefeririam autores do agrado dos “blogs progressistas”, algum historiador submarxista, ou sociólogo tatibitate, ou mesmo algum jornalista de sindicato para vaga em instituição que afirmam desprezar, embora promovessem carnaval para este pleito.

Goste-se ou não do homem publico FHC, a escolha do intelectual Fernando Henrique Cardoso honra a ABL, que recebe em seus quadros um membro da família dos estudiosos do Brasil.

XXX

Falei aí em cima do livro de FHC da Coleção Brasiliana, não? Pois falo então da própria.

O mais precioso acervo historiográfico do Brasil, editado originalmente pela “Companhia Editora Nacional” na década de ’30 , leitura indiscutível aos pesquisadores de História do Brasil: relatos de viajantes, biografias, Tratados de mineralogia, teses de Doutorado que se tornaram clássicos e matéria-prima para outras tantas teses,esboços de História Econômica, estudos sociológicos, antropológicos, de filosofia, enfim, tudo.

Autores como Ruy Barbosa, Richard Francis Burton, Pandiá Calógeras, Josué de Castro, Octavio Ianni, Gustavo Barroso, Roberto Simonsen, Oliveira Viana e tantos outros em 387 volumes. Agora parcialmente (alguns volumes a digitalizar) disponíveis digitalmente pelo site da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sim, cobrando apenas o interesse do estudioso.

Visito este baú de preciosidades quase diariamente. Não é possível elaborar fantasias de Brasil futuro desconhecendo nossa trajetória, sobretudo se registrada por homens de talento e fôlego intelectual, que desmentem o mito de que não temos memória histórica, que nossos passos foram apagados pela água na areia. Não, o que não falta ao Brasil são livros, antes leitores, pois o desestímulo à leitura é realizado, com zelo, por professores que igualmente foram vítimas de outros acadêmicos desprovidos de talento, perpetuando a bibliofobia brasileira. Quem nunca teve professor que recomendou ênfase nas teses mal escritas sobre livros clássicos que nas obras deformadas pelos seus irmãos de mediocridade? Professores declamando nomes de livros e autores que não leram não constituem raridade.

Na Universidade, isto é uma praga lamentável semeando desertos mentais, corrompendo pelo exemplo geração após geração, pavimentando nossa estrada rumo ao Sec XVI.

Para combater estes farsantes, se não pelo prazer, devemos ler os originais e tomarmos as obras volumosas como aliadas. A Brasiliana digital é um privilégio.

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