Uma sugestão de pauta para protestos e “500 Milhões: o preço da solução para o Governo”

Os manifestantes deverão, se realmente desejam livrar-se de malfeitores que conspurcam suas manifestações, marchar à sede da Polícia Federal e exigir investigações sobre delinqüentes porventura capturados enquanto saqueiam e provocam policiais militares.

Devem exigir o direito de acompanhar investigações caso colaborem denunciando infiltrados- quem são, quem os arregimenta, se remunerados e por quem.

Caso obtenham tais informações, devem divulgar à imprensa internacional, exigindo, ao mesmo tempo, abertura de CPI das manifestações no Congresso Nacional, com dados oferecidos pelo Ministério da Justiça e do Ministério Público.

Ou procedem com este rigor profilático ou desista-se de qualquer veleidade de liderar a massa, pois a capitulação diante de agrupamentos de desordeiros que não portam qualquer faixa é a aceitação da derrota, da certeza de que vale lutar pela metade. Eles não aceitam vitória pela metade, são realistas politicamente.

Caso a tentação de ceder aos bandidos vença, pela preguiça de arengar contra a ralé sempre resoluta, teremos longo período de castração política e a vitória moral será do lado disposto ao combate. Os sempre dispostos a argumentar somente  com números.

Os saques e depredações fornecerão pretextos legais para que se imponha período de maior controle governamental, renovável indefinidamente- um regime de exceção reconhecido como necessário e desejável por quem sofra os transtornos provocados pelos criminosos.

Os movimentos tidos como “interlocutores confiáveis” pelo Governo Federal dão a entender que por eles os saques e depredações são conduta aceitável como argumento político, e resta aos interessados em mudança agir para que o combate não seja ilegítimo.

XXX

500 milhões de reais – o preço  de se promover consulta às massas,  como saída imaginativa do Governo diante da desmoralização internacional que as manifestações provocaram. Algo do tipo: tudo entre nós é abominável porque as instituições não permitem comportamento decente. Uma ideia de jerico com custo alto, mais uma criação de Governo que resolve problemas tornando-os insolúveis e declarando resignação. Como a proposta de desarmamento como resposta às dezenas de milhares de homicídios.

Os pontos sobre os quais as massas serão convidadas a deliberar são: voto distrital, voto em lista, fidelidade partidária, financiamento público de campanhas; o usual em discussões sobre reforma política que em países que planejam a longo prazo consomem meses ou anos. Aqui inovarão: até Setembro, os brasileiros que padecem de jejum político há anos deverão elaborar modelos de política institucional e votar nos temas que serão apresentados em lembretes inseridos nos intervalos das novelas. Quanto custarão? Serão exibidos como condição para que as concessões não sejam cassadas? Abordarão nuances incontornáveis em qualquer arranjo político, os casos em que modelos mistos são os mais indicados?

Em dez anos de Poder, não se apresentou nenhum modelo de reforma para o exame da sociedade e somente agora asseguram que a reforma política é inadiável, que, como está, “a democracia não funciona”, que “Já que desejam mudanças, que mudem a sério”.

Não sou otimista quanto ao animo dos insatisfeitos que, como noto no texto anterior, tomam as ruas, mas permitem acompanhar-se de cortejos de agentes provocadores. Não parecem compreender a dimensão do golpe de mão dos governistas sobre a sociedade, parecem acreditar que “tudo tem limites”, quando na verdade, apenas uma regra moral é legítima aos ocupantes do Poder: manter-se nele por todos os meios, o resto sendo imoralidade política.

Onde as redes sociais que não denunciam aos órgãos de comunicação estrangeiros o que trama-se à luz do meio-dia? Marcando novas caminhadas, fingindo que não é com elas o que se planeja? 500 milhões não serão torrados por demonstração de desapego ao Poder, para presentear o Brasil com democracia aperfeiçoada.

Não cochilaram um segundo enquanto carros derretiam nos protestos. Sonhadores somos nós.

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