“Notas” – 29/10/2013 Considerações sobre José Serra e Jecas pilotando

Considerações sobre José Serra

José Serra joga seu jogo de suspense aparentemente sem cansaço. Parece mesmo divertido.
Que tem ele a perder caso a Presidência da República não se concretize?

Dispõe de uma biografia política notável, na qual obteve, em pouco tempo, a Prefeitura de São Paulo (à qual renunciou após meses), o Governo de São Paulo e os votos dos paulistas para Presidente- perdeu a Presidência afinal e a Prefeitura em outra eleição, mas por erros primários de cálculo político e por ser pessimamente assessorado. Não deixou um minuto de ser nome lembrado por admiradores e por detratores profissionais.

Dispõe de Imprensa (principalmente “O Estado de São Paulo”), que publica suas impressões sobre política e economia,  mantendo-o sempre em evidencia, e portanto, sua posição é invejável, pois independente de mandatos eletivos para estar no Poder.

O PSDB prefere a aposta em político, Aécio Neves, ainda por se confirmar como líder nacional e tudo aponta para uma derrota historicamente humilhante, pois a primeira para o PT no Primeiro Turno. José Serra a tudo contempla, lembrando, vez por outra, sua disponibilidade.

Quem não sonha com tal situação de protagonista no oceano de siglas e coronéis cujo poder obedece a limites estaduais em um país continental? Quem não se imagina senhor de especulações da Imprensa e de atores políticos, com futuro profissional independente (com 70 e poucos anos em dias em que tal idade ainda é fértil em possibilidades) destes ventos?

Quem deve se preocupar é quem cuida dos destinos da Oposição  (ou do que resta ainda dela) e formadores de opinião demasiado afoitos, e que estarão, caso o PT vença no Primeiro Turno, desacreditados como oráculos e guias políticos. Porque, desta vez, Serra está fazendo tudo direito, analisando a política e a economia com rigor acadêmico em seus artigos para jornal, cumprindo o papel que cabe a quem toma seriamente o ofício.

Os intelectuais do PT fizeram por anos o que Serra faz agora: análise de conjunturas, estudos, a opção pelo trabalho intelectual como base para o trabalho político-partidário; e hoje gozam dos frutos deste esforço. O que todo militante sério faz, diga-se.

Não há outro caminho a trilhar senão o da biblioteca e da escrivaninha, o palanque e as ruas sendo complementos lógicos desta concentração nas leituras e deduções cabíveis entre os dados apreendidos. Ah, se todos pensassem assim, quanta tolice evitaria ser dita e cometida, nestas demonstrações de amadorismo político que cobram décadas no nosso atraso.

O que mostra que Serra aprendeu foi, sobretudo, sua recusa ao ultimato de Roberto Freire.

Não se coloca, em conversações políticas com nomes de porte, datas -limite, com meses à frente para se conversar e examinar situação. Freire deu a impressão de prestar um favor ao Serra, ainda que favor apresentado como lisonja,como homenagem. Não se homenageia assim.

Eu próprio escrevi em comentários na coluna de Ricardo Setti, ser favorável a que Serra abandonasse seu partido e se juntasse ao PPS de Roberto Freire que acenava com carinho. Não percebi o quanto o oferecimento do líder do PPS continha de prenúncio de desaparecimento político caso fosse aceita, o que implicaria em perda de poder simbólico.

Hoje percebo o quanto o líder tucano assimilou de suas derrotas e amadureceu para esta batalha, que promete ser a pior que a Oposição (ou o que responde por Oposição) terá que enfrentar na luta para voltar ao poder que entregou de forma tão desastrada ao PT.

X

Jecas motorizados
Belo Horizonte e seus motoristas com ares de condutores de carroças nos dias do Império: saem das garagens de seus prédios em velocidade de pista de corrida (já fui quase atropelado em duas ocasiões) e  desrespeitam sistematicamente as faixas de pedestres.  Ao tomarem as pistas, buzinam ou acenam agradecendo a gentileza do pedestre que não teve escolha senão a de recuar, a de deixar seu direito ser desrespeitado pelos jecas motorizados.

Não entendem a fama de caipiras de que desfrutam em todo o território nacional, não entendem a irritação de visitantes de outros estados com os olhares invasivos, os comentários em voz alta, as agressões covardes mal camufladas em caipirismo de folclore.

O problema deste estado é a ausência de uma imprensa que fiscalize abusos contra o cidadão e que cumpra sua função de formação cívica das massas. Sabem elogiar, ou “criticar construtivamente”, sem “agressividade “, o que resulta no mesmo:mediocridade e estagnação – o caldo cultural no qual o PT se fortificou e que abriga exércitos de insultadores de caixas de comentários (depois de SP, os militantes da internet tem seu maior contingente aqui, basta verificar as referencias feitas aos seus estados por comentaristas de sites financiados pelo Governo Federal) .

Mas esta gente e este grau de incivilidade não têm recebido o ataque necessário, e aos omissos deverá ser endereçada a cobrança quando esta enxurrada finalmente descer aos bueiros deixando o rastro de desolação e o legado de crateras.

Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para “Notas” – 29/10/2013 Considerações sobre José Serra e Jecas pilotando

  1. Pingback: “Notas” – 07/03/2015 | FERNANDO PAWWLOW-CADERNOS

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s