“Notas” 30/10/2013 Biografias-Paulo César de Araújo no “Roda Viva”e Usurpação das “Jornadas de Junho”

No país sem biografias, a preocupação com biografias 

A entrevista de Paulo César de Araújo no último “Roda Viva” teve seu momento engraçado, e que está destinado a entrar para a galeria dos momentos históricos do programa, na lembrança de que o único a brigar contra biografia não –autorizada concreta é o Roberto Carlos, biografado por ele, Paulo César- os outros todos reclamam de um abstração, pois ”não tem tantas biografias não-autorizadas do Djavan”. A câmera flagrou o veterano mestre do Jornalismo, Alberto Dines, gargalhando gostosamente neste momento, deliciando-se com a imagem de artistas obstando biografias não escritas. Algo surreal, felliniano mesmo.

É de fato um dos muitos absurdos do Brasil: personagens que não são temas de biografias (não que não o mereçam, o próprio Djavan deve ter ótimas histórias com personalidades da música internacional declaradamente fãs de sua música) lutando furiosamente contra a invasão possível de suas privacidades, contra o constrangimento futuro de algum tataraneto.

Não se vê esta movimentação da classe contra a política desastrada das gravadoras, ou contra a política de divulgação das rádios que, no que chamam de “acordos comerciais”, priorizam a divulgação de artistas de retorno imediato, condenando muitos destes que agora se unem contra biografias ao esquecimento por parte do público ouvinte de rádio.

Não, o inimigo a combater é o maldito capitalista dono de editora de livros (como já escrevi, um herói em sua temeridade de investidor em produto com pouquíssima saída) e do maldito biógrafo, sobretudo o que não se ocupa de biografias de artistas de MPB.

Os donos de gravadoras e de rádios não devem ser alvos de uma simples crítica. O testemunho de Lobão sobre sua luta pela numeração dos discos não é rico em referencias aos líderes artísticos desta hora, procurem na internet. Procurem saber.

O número que soa absurdo de farto de biografias em outros países diz muito sobre nossa condição, sobre nossa miséria que promete durar mais alguns séculos.

Velada por classe artística, que, não cumprindo sua função de luz, zela pelas trevas.

XXX

 

Restos de Junho

O que sobrou das Jornadas de Junho: o monopólio das ruas pelo bloco de malfeitores, que, não sendo minimamente constrangido pelos “manifestantes bem –intencionados”, passou de “minoria de vândalos” a donos absolutos da festa.

É isso o que acontece com quem não se compenetra dos deveres políticos mínimos: não quiseram dar demonstração de reacionarismo e acabaram corridos das ruas.O espírito de classe média ciosa da pose falou mais alto e se encolheu de medo diante de militantes da violência,da democracia do grito. Não parece haver solução, ou se há, não se tem dela notícia.

Os agressores vieram para ficar e quem se ilude com a gravidade da agressão a um coronel da PM como início de um movimento de retração das milícias nada entende de História.

Algo houvesse de promissor, seria o início de investigação – aberta a todos, fiscalizada pela Imprensa- sobre quem financia o Movimento,  quem arregimenta os exércitos que demonstram não ser dispersos e muito menos “minoria de radicais”. Alguém ainda espera isto? Em Outubro, quase Novembro?

Deixaram (por incompetência, descuido, ingenuidade patológica?) a coisa chegar ao ponto no qual somente um fechamento do regime resolve, com medidas emergenciais que não se sabe o que podem alcançar e quanto durarão, que serão pedidas de joelhos pela população (de classe média, claro) amedrontada e com nenhuma noção de política.

E tudo acaba assim mesmo.
Pois nada se aprende no País sem Biografias.

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