“Notas” – 04/11/2013 -Trapalhadas da Direita e a comoção sobre o “Rei dos Camarotes”

A pose na derrota

Bastou Olavo de Carvalho postar em sua página do Facebook vídeo -mensagem de Silas Malafaia para que seguidores da página demonstrassem, uma vez mais, porque os descontentes com o petismo estão destinados a perder e a vociferar contra o que não entendem. E pelo demonstrado, jamais entenderão.

O mecanismo de conquista do Poder é implacável com amadores e o que responde por Direita no Brasil é, com exceções raras (como Olavo de Carvalho, um estudioso do Poder) um acampamento de amadores acreditando que a pureza de coração e o que imaginam ser superioridade intelectual dará por conseqüência mecânica elementar, o triunfo político.

Muitos que seguem Olavo de Carvalho procuram o Mestre para pedir recomendações de leitura e são respondidas com a generosidade que caracteriza o filósofo. Eu próprio já me consultei com ele, via email (e fui respondido num programa) sobre livro que comprei sobre Espinoza e outro de autoria de Chesterton. Olavo age com a mais pura intenção de formar quadros intelectuais e a ele não se pode culpar disto, mas a afoiteza de alunos que acreditam que se tornarão futuros Olavos com leituras apressadas de clássicos, anotando as respostas num bloquinho é constrangedora. Estes aspirantes a intelectuais parecem desconhecer a natureza do processo de formação intelectual, que exige assimilação e meditação. Mal leem uns livros e tomam parte em discussões repetindo as opiniões do mestre, mesmo as vírgulas. Muito do folclore olavette advém das exibições destes pupilos mais entusiasmados.

E assim agem com Malafaia. Não percebem no pastor um aliado precioso, por sua popularidade e seu peso eleitoral.Não conseguem antever uma renovação do Congresso capitaneada pelos votos, em diversos estados, onde Malafaia tem pastores afilhados. Algo que realmente pese na disputa pelo Poder. Não, preferem referir-se às alianças eleitorais de Malafaia no passado, nas disputas travadas na pequena política carioca. Ou tachá-lo de “dinheirista”, exigindo para aliados alguma liderança que tenha prestado voto de pobreza. Ou que seja imaculado para enfrentar adversários dotados de malícia e conexões internacionais.

Não se sabe onde encontrarão a perfeição encarnada, mas tratam de enxotar um aliado que pode ajudar a tirar o petismo através do Congresso majoritariamente pró-conservadorismo. Não há outra maneira aliás, pois mesmo que algum oposicionista ganhe, as mudanças que terá que fazer para conseguir governar minimamente demandarão maioria no Congresso, e organizações civis para pressionar.

Malafaia reúne estas forças e rejeitá-lo com pruridos revela muito da mentalidade classe média que imobiliza, que faz com que o petismo triunfe. O moralismo de classe média sempre foi o fermento da massa que os petistas levaram ao forno para servir em seu banquete.

Lembro do que se noticiou sobre o temor de  José Serra em ter sua imagem associada ao líder assembleísta quando da última campanha presidencial.  Lula e Dilma jamais temeram ostentar o apoio dos bispos da Igreja Universal, pois neles os pruridos de classe média inexistem.

Que esta mentalidade seja encontradiça entre os seguidores de um homem que é a antítese perfeita desta mentalidade tacanha e conformista ajuda muito o ceticismo que prostra.

Se nenhum aliado é adequado ao nobre combate, por que combater?

Mas mesmo prostrados, a pose de superioridade intelectual, o temor da breguice (muito da recusa ao apoio de Malafaia é nada mais que temor de breguice) subsiste.
A pose pior é a do combatente derrotado, afetando ganhar tempo no chão.

XXX

Falar em pruridos de classe média, o carnaval que promovem em torno da reportagem da “Veja SP” sobre milionários que rasgam dinheiro na vida noturna é mais uma catarse coletiva no país em que quem lê dois livros por ano considera-se intelectual capacitado a discutir qualquer tópico.  A qualificar Olavo de Carvalho como “conspiracionista  demais”.

Não são poucos os que, tivessem o dinheiro dos personagens entrevistados, fariam o mesmo: ostentariam os automóveis importados, o corpo particular de segurança, os amigos de ocasião e as candidatas a mães de herdeiros. Há quem o faça sem ter a fração mínima da riqueza daqueles senhores, falando nisso.

O país de 50 mil homicídios anuais, da Universidade que conta com o mais complicado vestibular do Planeta, que projeta para qualquer futuro imaginável o legado da ignorância tem já o que odiar: jovens esbanjadores sem superego. Este o nosso problema.

Vejo mais pilhérias sobre o  “Rei dos Camarotes“ nesta segunda-feira que zombarias sobre tolices enunciadas pelos ministros de do PT neste ano inteiro. As justificativas para a alquimia numérica do ENEM causam menos sátiras que a entrevista do jovem ziliardário aparentemente sem preocupações intelectuais que age como ziliardário que nada lê. Nem mais nem menos.

A matéria é do feitio que agrada a classe média que busca essa compensação :”Não tenho como torrar dinheiro no bar do meu bairro, sou mal tratado pelo porteiro da balada por ter chegado a pé, mas pelo menos não sou como este imbeciloide aqui.”

“Não posso adoecer nem mesmo em pesadelo, remédios e hospitais de qualidade me são inacessíveis, mas este sorriso de imbecil enquanto se é explorado nas boates não tenho, He,He”.

E corre-se para as redes sociais para dividir piadas e impressões graves sobre “os boyzinhos que gastam milhões enquanto muitos nada têm”.

”Quanto será que um IDIOTA destes paga aos funcionários?”perguntam os inteligentes das caixas de comentários, alheios ao fato de que o gasto de um pródigo deste é 0,00 qualquer coisa do que fatura, logo não se precisa pagar salário mínimo para levar vida noturna de membro de dinastia oriental.

A reportagem é divertida, e causa nas mentes mais primitivas, fúria. Este tipo de matéria é calculado para tal efeito, pois os editores conhecem o recalque da classe média como poucos e sabem que este direcionamento para o ódio é, aos verdadeiros poderosos da Terra, inofensivo e mesmo benéfico, pois desviante de energias poderosas.

O sujeito lê as minúcias das noitadas, marcas de bebidas e seus preços e se pergunta:

“Por que não eu o sultão das casas noturnas, o anfitrião dos camarotes, disputado por aventureiras?”

E corre para as redes sociais para desabafos de classe média consciente.

Pois me pergunto, entre uma gargalhada e um esgar:

“Por que não eu o proprietário de uma dessas casas noturnas, cobrando 1.500 a garrafa da bebida mais barata, observando do meu posto de dono a vaidade dos bem nascidos e a ginástica das arrivistas, enquanto lanço os números da gastança no caixa?”

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2 respostas para “Notas” – 04/11/2013 -Trapalhadas da Direita e a comoção sobre o “Rei dos Camarotes”

  1. Renzo Mora disse:

    Excelente texto – e com um pragmatismo positivo e mais necessário que nunca para o momento que vivemos

    • fernandopawlow disse:

      Caro Renzo Mora, obrigado pela apreciação, fico mais que honrado pois seu leitor devoto.
      O pragmatismo é talvez o único antídoto para o culto à mentira que domina o Brasil.
      Combater estes farsantes com idealismo é ineficaz e criminoso,pois diverte os algozes com o espetáculo de ingenuidade patológica.
      Gostaria de receber mais visitas de um dos textos mais afiados do Brasil neste momento.
      Abraços do leitor Pawwlow

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