“Notas” 24/03/2014- Guerra aos pedestres e Adélia Prado no “Roda Viva”

Guerra aos pedestres

Há uma guerra contra os pedestres, por parte dos que, portando carteira de motorista e chaves, bastam-se como merecedores de todo o espaço urbano: avançam sobre faixas de pedestres, ignoram sinais fechados, berram contra passantes. Mesmo o território por direito do lado agredido, as calçadas, tem sido anexado pelos autores dos massacre: estaciona-se ou utiliza-se o espaço presumido dos pedestres como pista auxiliar (sobretudo por ciclistas e motociclistas). Como não se colhe prejuízo, pois são muitos os que preferem abanar a cabeça e murmurar pragas, os motoristas honram os hábitos herdados dos ancestrais condutores de carroças, mencionados por Gilberto Freyre e Padre Lopes Gama, o Carapuceiro. O coração- o bolso- tampouco é tocado por punições pecuniárias realmente transformadoras de sentimentos, pois sem o apelo eficaz de multas significativas. Há os que esperneiam, porém.

 

No Facebook,  o grupo “Calçada Livre” e a comunidade “Calçada Livre Já” recusam-se ao status de cidadão de segunda classe que motorizados insistem em impor aos pedestres. Postam fotos de carros estacionados nas calçadas,na deterioração de espaços públicos. No “Calçada Livre Já” a combatente Lara Velho posta fotos de carros que ilustram suas narrativas de encontros com motoristas (proprietários dos ditos automóveis usurpadores de vias de pedestres) que consideram-se em seu direito de estacionar em calçadas- ameaçam, debocham, mas têm seus veículos  (ainda que sem identificação de placa) fotografados.

Confesso não ter a coragem da documentarista e produtora. Mas não deixo de berrar aos carros que avançam sobre as faixas de pedestres, roçando no pedestre aqui. Os demais transeuntes olham-me como a um louco, inconscientes da cumplicidade. Limitam-se a abanar a cabeça: ”esses caras são foda”. O que fere, o que soa como abuso, o que dá a pinta exata do desprezo pela cidadania é o agradecimento (debochado,ainda que inconsciente do deboche) quando desistimos de enfrentá-los pela preferência da faixa,como se tivéssemos escolha. A estes gratos por eu ter generosamente decidido por continuar vivo e inteiro, berro:

“Por nada, seus vermes”.

XXX

O picadeiro das ruas

Os conservadores brasileiros não tiram folga do ofício de palhaços.O picadeiro das ruas foi lotação de um revival da “Marcha da família com Deus” encenado por gente ignorante das implicações da “Marcha” original. Parecem ignorar que o Movimento de ’64 iniciou-se com a imposição do Parlamentarismo ao Jango,às reuniões entre financistas e militares iniciadas paralelamente aos primeiros sinais de que não aceitariam a posse do vice de Jânio Quadros. Refugiam-se nas fantasias projetivas ao passado que não merece deles o estudo mínimo.

A desarticulação,  o fanatismo religioso, a nenhuma tolerância ao sofrimento e à espera (indissociáveis do combatente político), conseguem ser ainda mais desoladores que os manifestantes pró Governo que entoam palavras de ordem, manifestando textualmente “Fé” no atual Governo. Apostam no Presente. Os “Marchadores “, em um Passado idealizado.

Bem intencionados superlotam o Inferno, e os de Domingo conseguiram ridicularizar e estigmatizar ainda mais a Direita ou mesmo qualquer Oposição com demonstrações de primarismo e grotesquice que serão debitados, para variar, na conta do Olavo de Carvalho, que advertiu sobre o malogro de um movimento formado no voluntarismo e amadorismo.

Acham que aprenderam algo?

Não, relativizam o fiasco e tramam outros cortejos que somente conseguirão vitimar governistas por acessos mortais de riso.

XXX

Adélia Prado no “Roda Viva”

Fossem os oposicionistas todos como Adélia Prado, entrevistada há pouco no “Roda Viva”(razão de meu atraso na entrega deste post, pois entrevista deliciosa)-lúcida, corajosa, inteligente.

Lamentando a Copa que não comove (a sintomática não decoração de ruas em ano no qual o País sedia- nos outros anos as ruas rivalizavam nas cores e arranjos) e a “geleia” da política atual, deserta de lideranças, cobrando sem temor de patrulhas o silencio de artistas antes sempre falantes… todos oposicionistas fossem como a escritora e o Brasil não estaria condenado ao conformismo moribundo.

Um presente, este programa.Não só pela política, claro.Um grande nome da literatura na TV aberta é sempre valioso.

Uma artista em entrevista longa é sempre algo para agarrar como chance.

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