Notas 31/05/2014 – Ronaldo, o Culpado e Leis votadas sob emoção

Brasileiros que se queixam da propaganda oficial, dos pronunciamentos que nada concluem, melindram-se com declarações sinceras em demasia, ainda que emitidas por inadvertência. Correm às redes sociais para desabafos “conscientes” cujo repertório semântico não é dos mais ricos: “Alienado”, “Especialista em falar merda”, “vergonha alheia”, “se cair diante de um feixe de capim não levanta”, etc.

Foi assim com o Ronaldo quando o jogador declarou que, em país que escolheu ser sede de uma Copa do Mundo, as prioridades são as obras de construção de estádios e vias de acesso. Outras prioridades, estariam, pela própria escolha desta prioridade (sediar um evento esportivo) colocadas de lado. Chocaram-se, muitos, pela candura com que esta observação foi feita, mas estes muitos mesmo hoje poupam os políticos que fizeram a escolha por um evento que poderia esperar por um país com seus problemas mais urgentes ao menos atenuados. Mais fácil ofender o mensageiro que procurar atingir o autor da mensagem- a classe política  (Lula e seu partido agiram sob conivência de muitos ditos oposicionistas) que fazendo pouco ou nada para minorar o sofrimento da população, implorou para que o Brasil fosse anfitrião de um evento fatalmente oneroso. Exigiram do atleta responsável por seu mister o cumprimento de uma obrigação geral e comum aos brasileiros: a lembrança de necessidades maiores a enfrentar:a saúde, a segurança, obras de infra- estrutura,  discussão de reformas que tornem o Brasil mais funcional e justo. Ele por lembrar o óbvio, é até hoje cobrado e agora acusado de “mudar de lado” ao constatar o atraso nas obras e o custo ofensivo aos brasileiros.

Mas agora mesmo os que gritaram “Não vai ter Copa” (um brado tardio, pois liberado das gargantas com atraso de anos) desistiram de anular o torneio, pois o sabem impossível. Para que serviria a anulação da Copa, falando nisto? As remoções já foram feitas, as obras, embora inacabadas, já consumiram os milhões que deveriam ter sido destinados aos enormes buracos da vida nacional. Como o grito das ruas demorou, como pareceu ter sido adiado ao ponto de tornar-se necessário uma”tomada de posição do Governo”.

As manifestações que decerto virão talvez divirtam os turistas, que terão histórias a contar aos seus compatriotas na volta, mas não darão ré na História; enfeitarão as biografias de participantes, imortalizados nas fotos de Ana Carolina Fernandes.

O que assimilar das lições da Copa não parece constar da agenda de nenhum militante (tanto os governistas, como oposicionistas) de redes sociais. O fato consumado serve para muitos como lei de esquecimento e afinal quem perdeu as moradias não foram os comentaristas de internet,não é mesmo? Como não poderão eliminar da História a imagem de Lula pulando eufórico ao receber o resultado favorável (?) ao Brasil, resta insultar Ronaldo, o que talvez console os habitantes do país sem biografias.

XXX

E aprovam sob a comoção do martírio do menino Bernardo, lei que o homenageia e que transfere ao estado muito da autoridade familiar. Claro que muitos pais não exibem condições mínimas de criar filhos, mas haverá a gradação necessária na qualificação do que é espancamento e o que é um corretivo físico suportável e necessário? Quem determinará o que é abuso, um burocrata? Ou algum padre que nunca enfrentou a criação de filhos? Mas isto, como de costume, não se deu tão de repente assim.

Os laboratórios de tutela que são os movimentos ditos sociais nunca deixam suas obrigações para o momento de os anunciar, mas os críticos parecem fazer exatamente isto. Não buscam contemplar o que esta gente produz em teses acadêmicas e revistas que, seguramente, são enfadonhas, mas necessárias para se entender o que trama-se.

Quando Lula assegurou que não se deveria propor mudanças nas leis penais sob forte emoção- quando arrastaram um menino pelo cinto de motorista- quantos gritaram? Quantos contra argumentaram indagando quantos crimes monstruosos como aquele seriam suficientes para que se pudesse discutir “com lucidez” o fim da impunidade para assassinos baseada no fetiche jurídico da classificação por idade?

Agora tratam de culpar Xuxa por apoiar a dita “Lei da Palmada”, aludindo grosseiramente ao filme de Walter Hugo Khouri como “pornô” (contribuindo, pela demonstração de ignorância cultural para a banalização de debates no Brasil), como se este “argumento” fosse sensibilizar os ativistas que trataram de impor sua agenda, sem descansar, sem tirar férias.

A“Lei Menino João Helio” que ganhe defensores atentos e operosos.

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