“Notas”05/06/2014- “Aécio Neves no ‘Roda Viva’ “e “O aviso do que já acontece’

O programa ”Roda Viva” dedicado ao candidato à Presidência, Senador Aécio Neves que foi ao ar na ultima Segunda –Feira, tem inspirado artigos de analistas políticos que garantem que a sua candidatura ganhou, com sua performance no programa, combustível poderoso e que se alguém ainda estivesse indeciso , após a entrevista havia se convertido em aecista devoto.

Não se discute que o nome do PSDB para as eleições presidenciais de 2014 esteja se comunicando com veemência sobre a necessidade do Brasil encerrar o ciclo do PT, em anúncios de TV e entrevistas ( como a de um recente “Canal Livre”). Agindo como Oposicionista determinado e não repetindo os erros de candidatos anteriores do seu partido, que pareciam envergonhados dos oito anos do Presidente Fernando Henrique e anunciavam um governo petista melhorado, quando muito.

Mas há pontos a exigir ajuste se o candidato quiser combater contra exércitos de militantes do partido do governo e movimentos ditos sociais pelas mentes ainda indecisas- uma vez que Governistas não se converterão mesmo. Pontos de temperamento que podem e devem ser trabalhados para sua candidatura ser competitiva contra a maquina federal.

Aécio golpeia o fígado dos adversários lembrando o que está em jogo em 2014:  estilo de vida possível apenas aos que detêm o Poder. Seus oponentes nem podem imaginar a vida sem os confortos (e mesmo luxos) aos quais se habituaram e afeiçoaram nestes anos que viveram como membros da casta governante. Estão dependentes do Poder, em suma. Farão o impossível (para citar, farão“o Diabo”) para manter o status.  Quem no lugar deles não o faria?

Portanto, não se deve cometer erros ou acertar em medida insuficiente – o que dá no mesmo – nesta guerra. Não se pode esquivar do “jogo sujo” ainda que se recuse a usar dele contra adversários. Não ser baixo não torna ninguém imune a baixezas. Não aludir à vida pessoal de adversários não garante que eles (ou seus apoiadores, ou militantes, ou propagandistas) não façam alusões sórdidas aos fatos mais íntimos da biografia de um candidato, ainda que estes sejam alheios aos assuntos de Estado e causem nos eleitores mais esclarecidos apenas repulsa por quem os traga à superfície, e não no alvo das campanhas de destruição de imagem.

Quando indagado sobre o assunto cocaína, o candidato demonstrou que ainda não aprendeu a agir como os petistas agem quando confrontados com tópicos que lhes desagradam. Acusações e elementos biográficos sem provas, ainda que comentados por muitos, são levados à Justiça e os detratores do partido são, por este método pedagógico, reconduzidos ao debate político em que somente elementos ideológicos ou administrativos são admitidos como elementos válidos. Estão errados? Parece evidente que não.

Mas Aécio insiste em negar o uso de cocaína com gentileza, como se este questionamento fosse legítimo, quando deveria se recusar a comentar, além de anunciar baterias de processos contra sites e blogs que além de insinuar e acusar sem provas, admitem comentários insultuosos e caluniadores. Processasse os mais congestionados com banners de estatais e mesmo os que sem apoio estatal abrigam número considerável de comentaristas – além de ser sites replicados por outros menores- muitos que usam como itens de debate político a vida íntima de candidatos reveriam métodos de confronto, pela singela equação custo-benefício.

Os momentos nos quais Aécio mostrou que tem potencial- seja como Presidente ou o Oposicionista mor-  foram os dedicados a apontar o quanto o inchaço da administração, repleta de ministérios questionáveis e gastos irresponsáveis, está desmantelando não apenas o País, mas mesmo o modelo de sociedade inclusiva, pois a inflação volta a rondar os orçamentos de parcelas da população que dela não têm como se defender.

Além das estatais aparelhadas, dos gatos insultuosos da Copa, apresentando seus números enquanto Governador (números fornecidos pela insuspeita administração federal) na saúde e na educação. “Apenas números sem qualidade correspondente”, argumentariam adversários. “Queixem-se ao Governo que os emitiu”, responderia Aécio. Chave de braço retórica eficaz aplicada com sorriso no rosto, tanto no “Canal Livre” como no “Roda Viva”.
O que o programa deixou nítido em quem o assistiu: Aécio Neves quer briga, não quer brincar de oposição. Tem sangue nos olhos e o Brasil precisa disto.

XXX

E o Governo preparou mais um decreto no qual avança sobre os poderes, numa Democracia aperfeiçoada. Houve grita e parece que o recuo está em curso. Esquecerão todos e eles novamente tentarão. E novamente, e novamente. Enquanto constroem a realidade de fato o que o decreto recusado apenas colocaria como realidade de direito.

Quando o então Presidente Lula e seus simpatizantes atacavam o Senado como casa de necessidade parlamentar controversa, pois nele o Governo colhia derrotas e sofria sobressaltos, alguma vez foi chamado ao senado para explicar sua pregação contra uma das casas do Congresso? Foi admoestado- e/ou mesmo punido- por pregar a subversão do princípio de independência dos Três Poderes? Não.

Quando a Lei das Cotas foi examinada no STF com pressão explícita dos movimentos sociais simpáticos à iniciativa e aprovada sob esta pressão sem um protesto do Judiciário que votou com a lâmina na jugular por braços do governismo, já era ali um prenúncio do que o decreto presidencial tornará ou tornaria possível como exercício de democracia direta.

Todos os avanços dos movimentos sociais que impõem aos brasileiros agendas políticas e sociais elaboradas no ambiente universitário- no qual Doutores em Causas da Violência, e Sexualidade, e Cultura, e Identidade de Gênero, e Alteridade em Literatura; e tudo o mais que componha a Disneylandia financiada com recursos públicos que é a “Área de Humanas” funcionam como legisladores de fato – são o decreto funcionando há anos sem que os Legislativo e o Judiciário percebam ali seus coveiros.

O que este decreto poderia fazer de tão nocivo houvesse um Judiciário e um legislativo mais atentos aos desejos de uma casta que se imagina eternamente no Poder? Talvez este decreto nem fosse cogitado, pois o ocupante do Poder Executivo não se atrevesse. A possibilidade, ela mesma, de que algo desta natureza possa ser contrabandeado em um decreto presidencial já mostra que não há muitas fatias reais de Poder a ser ainda devoradas.

Quando um Ocupante máximo de um Poder é agredido verbalmente e nada ocorre de grave ao agressor nem ao partido ao qual pertence o agressor (como aconteceu ao Ministro Presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, insultado por um assessor parlamentar do PT) e este mesmo agressor deste mesmo partido reincide com um Senador e novamente nada ocorra , e este partido por acaso é o partido que ocupa o Executivo e que abrigue em seu bojo muitos dos movimentos sociais que seriam contemplados no tal decreto, os Srs. realmente acreditam que este decreto faria ou fará –quando convenientemente surgir levemente modificado num ainda hipotético segundo mandato da atual Presidente -qualquer diferença no concerne à Democracia como vem sido exercida nos últimos anos?

No Brasil, grita-se “fogo”! sobre as cinzas da casa.

Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s