“Notas”21/06/2014 “Mudando de pele” e “Sobre ‘a ultima do Conti ‘ “

O encontro de Gilberto Carvalho com blogueiros e ativistas simpáticos ao petismo exibiu (a quem ainda ignorava ou tinha qualquer dúvida) sobre sua real importância no sistema de Poder. É o homem que observa movimentações, coleta dados, analisa e elabora estratégias, em meio à multidão de arrivistas, engrossadores de coro em assembleias, replicadores de bravatas governamentais em blogs e ataques pessoais em caixas de comentários e redes sociais.

Percebendo em suas perambulações entre populares – exercício que noto não ser apreciado não apenas por petistas de cavanhaque e voz macia que advertem: “Você está mal informado” sempre que lhes apontamos mazelas, mas também por tucanos que julgam que “povo” é a soma de seus comensais em restaurantes de luxo- que não apenas a “elite branca de olhos azuis”tem demonstrado desapreço pelo Governo ao qual serve, resolveu advertir os blogueiros subsidiados sobre a profundidade do que enfrentarão.

Gilberto Carvalho notou que o trabalho de crítica tem vencido a suposta impermeabilidade das camadas populares mais simpáticas ao Governo, por ser persistente, diário, constante. As redes sociais também estão sendo palco de demonstração de força da reação ao Governo- palco onde a militância petista vem se mostrando incapaz de compreender a dinâmica dos grupos e de estabelecer diálogo.

Por isto insiste na necessidade dos “conselhos populares”; mesmo porque a reação à iniciativa veio com a linguagem de confronto, com as categorizações “direitistas” que eliminaram quaisquer ilusões de que o avanço será rápido e suave. Admite elaborar projeto de lei num esboço de recuo ao Decreto (o dos Conselhos Populares) que nada recua, porém.

O que parece é que o Ministro Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da Republica não conta mais com a política convencional como meio de seu partido se manter no Poder, pois as urnas são inconstantes, e os eleitores vêm se mostrando manipuláveis por uma imprensa adversa. Daí a necessidade de continuar com o “Povo” adequado, num arranjo de forças que prescinda de eleições, pois assentado sobre o sistema de “Coletivos”- daí a pressa em se impor decretos transferindo poder de instancias eleitas para instancias de representatividade discutível, ou alternativa.

 

Não que ele tenha declarado isto, mas o ato de contradizer a versão oficial do PT que estigmatiza uma suposta elite enquanto defende a necessidade de continuar a lutar pela hegemonia através de movimentos sociais e mídias alternativas o exibe à frente de burocratas do partido que optam por nomear “inimigos” enquanto negligenciam modos de agir mais amplos, que transcendam limites de política partidária.

Discussão de hegemonia política com líderes de coletivo de Esquerda não (oficialmente) petistas- como Pablo Capilé do “Fora do Eixo”- é uma nítida demonstração de que o tempo de Gilberto Carvalho já é o do Pós PT, pois o ciclo do petismo parece se esgotar.

Doze anos para um militante sério é uma fração de tempo que nem se conta frente aos anos anteriores à chegada ao Poder institucional e os que visualiza à frente como parte de algo maior que siglas partidárias e ciclos políticos sempre pensados como ciclos somente.

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Desafetos colecionados por Mario Sergio Conti entre os setores “progressistas” e “direitistas” do mundo jornalístico celebraram o vexame da entrevista que fez com o sósia do técnico da Seleção Luiz Felipe Scolari, Wladimir Palomo, num voo de ponte aérea, publicada com destaque na “Folha de São Paulo” e “O Globo“como sendo entrevista com o técnico.

Os dois jornais retiraram as matérias de suas edições com notas explicativas contendo pedido de desculpas do jornalista, mas o banquete aos detratores já estava servido.

Velhos recalques tiveram sua ocasião de ser expelidos e colegas de “Veja” e de editora do autor da biografia de José Dirceu resenhada por Conti sapatearam sobre a segunda “barriga” do jornalista em poucos meses.

Parecem acreditar que as duas “barrigas” ( a primeira ainda na “piauí” na menção ligeira a um velório de uma senhora ainda viva, que escreveu à revista para notificar sua não-morte) anulam as falhas de informação de um livro que teve, pela própria natureza de livro (produto com prazos industriais menos rígidos que um jornal ou revista) maior tempo de apuração. “Como Conti pode apontar falhas (ele apontou diversas) em uma biografia se ele próprio cometeu duas desatenções, e expôs seus empregadores ao ridículo?” gargalham comentaristas que adotam lógica retroativa, própria dos simplistas .

O que fez em seus anos de “Veja”, o livro referencial que escreveu sobre a Imprensa brasileira, a aventura de “piauí”, entre outros feitos de uma carreira de jornalista respeitado; são apagados por um deslize, no entender destes cronistas de vexames. Conti está tendo seu nome malhado e tema de bolsa de apostas- “Qual jornal vai demitir primeiro, a ‘Folha’ ou ‘O Globo’? ” – por ser um profissional que sempre manteve nível de exigência alto e ter se recusado no “Roda Viva”a satisfazer apetites de arquibancadas políticas. Fosse o medíocre regendo a galera no “Fla x Flu” de opiniões redigidas para inteligências elementares, estariam solidários, ou mudos.

Seu programa na “GloboNews” é, de fato,  sonífero temível,  mas seus textos recentes mostram-no ainda digno e relevante e provocam saudades de seus ensaios.

Um livro, ainda que coleção de ensaios e prefácios, ou outra reportagem de fôlego –como “Notícias do Planalto”-sepultaria este vexame definitivamente.

Pois o que desta natureza seus abutres legaram? Que livros escreveram ?

Mas temo que Conti não tenha se abalado o suficiente com o ocorrido para se recolher (e sobretudo rever a carreira televisiva) e se dedicar aos textos longos,  às aventuras que o imortalizaram, que o colocaram como um dos realmente grandes do Jornalismo.

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