“Notas”- 08/08/2014

Juca de Oliveira no último “Roda Viva” qualificou a meia-entrada como caridade governamental com o bolso alheio. Propôs que políticos, tão ciosos da vida cultural das massas doassem metade de seus salários para que populares possam ir aos espetáculos. Como manter peças em cartaz com o furo de 50% no orçamento quando os gastos do ofício não trazem estes descontos? Ora, recorrendo aos patrocinadores contemplados pela Lei Rouanet.

Evidente que os produtores culturais ficam entregues ao domínio dos burocratas do Ministério da Cultura, e talvez seja este o desejo embutido na proposta dos políticos que desejam regulamentar como lei a meia –entrada: sacralizar o artista funcionário público, menos dependente do que possa conquistar por méritos que pela remuneração estatal. Os blogueiros oficiais (ou auto proclamados “progressistas”) defendem este modelo, falando nisto.

Foi uma entrevista na qual não faltou um ensaio de mea culpa por um membro prestigiado da classe artística. Recorrendo a Aristóteles e sua definição de comédia, que seria “a representação de um homem defeituoso”, o ator, diretor e dramaturgo aludiu “ao maior de todos os defeituosos” que inspiraria, por sua natureza defeituosa, somente comédias. Comédias que despertassem no espectador a sensação de vergonha por cumplicidade: “Eu também votei neste homem”. Votei e patrulhei, por anos, quem não votou, acrescente-se.

Quem não da classe artística? Quem pode se defender da acusação de ter vendido aos brasileiros a ideia de que a ignorância militante (e não se refere por parte de muitos acusadores a ausência de educação formal, ou diploma, mas ao desprezo declarado pelo hábito de leitura) era sinal de independência, de uma aristocracia espiritual (quem mais aristocrata, segundo este modo de pensar, que um homem que “sabe das coisas” sem o concurso – sem dúvida, reacionário – dos livros ?) onde um líder advindo das classes populares, iluminado por contágio, pelo convívio com professores universitários, governaria os homens presos ao antigo hábito mental de esperar de quem se apresente aos populares tenha algum apreço pelo conhecimento. Esta aristocracia – formada pelo consórcio entre lideranças sindicais e membros da casta acadêmica – teve como corifeus muitos membros da classe artística.

Agora é a hora do coro de anunciadores dos novos tempos se lamentar, mas quem poderá ouvir? Os beneficiários de programas assistencialistas certamente estão alheios ao lamento dos intelectuais, preparados pelos blogueiros subsidiados que advertem aos seus leitores sobre a ação dos “reacionários” e “ coxinhas” que criticam o Governo por puro elitismo. O que podem fazer para que possam novamente desfrutar dos predicados de ser membro de um sacerdócio cultural é agir com absoluta honestidade e admitir que se deixaram iludir pela lisonja e pela auto indulgencia intelectual, que foram dóceis ao espírito de patota que foi ingrediente poderoso na mistura que formou o ambiente mental proveitoso aos que agora, gozando do Poder, desejam se livrar de ex-parceiros que agora incomodam.

Augusto Nunes pediu espaço para lembrar que certos personagens só podem ser retratados pela comédia – e foi modesto, pois além de ser um brilhante crítico – utilizando-se de textos que mesclam jornalismo e humorismo – dos atuais governantes, não exigiu reconhecimento da dificuldade de se fazer piada de pessoas e situações que são elas próprias piadas acabadas e embaladas em laço vermelho em feitio de estrela.

Uma entrevista divertida e um marco histórico.

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Os presidenciáveis em visita coletiva aos grandes do agronegócio exibiram seus estilos de comunicação e o que deles os empresários podem esperar – e como não surpreende quem esteja acompanhando as recepções dos empresários, Aécio Neves impressionou melhor o público que fora lembrado pela presidente Dilma Roussef o que entregou ao setor.

O terceiro candidato, Eduardo Campos, uma vez mais, mostrou-se disposto a criticar sem adotar tom abertamente oposicionista – afinal, prometer ministros competentes, insinuando que os agricultores têm tido a pouca sorte de ter que se haver com Ministro da área pouco capaz ainda não convence de que uma eventual vitória de sua candidatura seja início de temporada promissora para eles – quem no lugar destes empreendedores não esperaria mais?

Estarão dispostos a contribuir quanto para gastos com filmes publicitários que sejam eficazes lembretes aos eleitores de que compromissos de campanha foram relativizados pelos atuais governantes? Filmes que exibam hospitais com leitos “alternativos” (gente no chão de corredores, uma nova maneira de tratar a saúde, compreendem?), ou depoimentos de vítimas da violência que já desistiram de ter, neste Governo, qualquer resposta aos números superiores aos de guerra em um ano; custam dinheiro.

Candidaturas da Oposição terão pouco tempo no horário gratuito e dependerão muito de propaganda paga e chega a hora dos homens do dinheiro usarem do poder econômico enquanto ainda podem , para que a economia nesta campanha não seja vista com amargura mais tarde. Depois, pode ser que mesmo as lágrimas faltem.

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