“Notas”- 09/08/2014

Leonel Brizola, em um “Programa Ferreira Netto”, identificou o grande talento do PT:  marketing. Mencionou Porto Alegre onde a Prefeitura (em mãos petistas) compensara, à ocasião, aumento nas tarifas com “versinhos nos ônibus”. O apresentador Ferreira Netto constatou: “Poético”.

O PT é, sem dúvida, mestre na disciplina na qual o PSDB expõe notável incompetência – a comunicação com as massas. Sem nada que justifique, concretamente, sua reputação como administração popular, explora as miragens do tal “orçamento participativo”, no qual lideranças de bairro apostam na “democracia do grito”, e desavisados (esquecidos de que, para obter resultados nas assembleias, é necessário maioria numérica que obteria o mesmo resultado numa petição popular, ou numa eleição – organizada – para vereadores) acreditam mesmo ter voz na administração. Assim, perpetuam-se em algumas cidades.

Em BH perderam seu feudo para vizinhos de coligação, mas sem admitir que colocaram,junto com o PSDB, o prefeito que eliminou linhas de ônibus e que militantes saúdam com o slogan “Fora Lacerda!”- este prefeito depositam na conta dos tucanos que aceitam o débito sem queixas, enquanto o antigo prefeito cabo eleitoral deste, Fernando Pimentel, lidera as pesquisas de voto para Governador.

O candidato do PSDB, ex –Prefeito Pimenta da Veiga, sobe muito lentamente, embora tenha sido, em seu curto mandato (abandonou o mandato para tentar o Palácio da Liberdade, sem sucesso), Prefeito que buscou trabalhar nos bairros sem o apoio do Governador e do Presidente da República de seus dias de Prefeitura. A sua campanha trabalha nos números do Governo estadual, sem bater forte no que há de insatisfatório na administração municipal, e esta receita parece ditada pelo fato do PSDB, como dito acima, ter sua cota de responsabilidade na atual gestão. Evidente que poderia bater mais na atual prefeitura, enfatizando o que ela herdou da administração petista (como os petistas fariam sem qualquer constrangimento) mas o torneio de polidez encenado sob direção dos profissionais da propaganda, paralisa qualquer movimento de combate.

Assim, nada de entrevistas com moradores de bairros distantes que perdem tempo nas estações da BHTRANS construídas sob pretexto de encurtar viagem, por exemplo. Nada de filmes exibindo irritação dos moradores das cidades vizinhas com a passagem cara para ônibus demorados e desconfortáveis, embora os filmes publicitários alardeiem populações eufóricas com os serviços. Mesmo porque o candidato é da situação, e alguma regra não escrita pareça proibir candidatos da situação prometer melhoras nas administrações do partido.

O PT,  sempre alheio ao que pareça elegância desnecessária, parece irresistível rumo à conquista do segundo colégio eleitoral do país, em vitória que causará danos ao PSDB, ainda que numa eventual vitória de Aécio Neves. Nem com esta situação adversa, os escrúpulos da gentileza serão, ao que parece, postos de lado – pois os homens que tomam decisões neste pedaço da política parecem desprovidos de agressividade.

Lamentarão todos, rumo a alguma temporada no exterior, mas lamentarão.

X

Filão por explorar: as manifestações de memória do inconsciente coletivo encontradiças nos comentários dos vídeos do “YouTube”, sobretudo nas postagens de músicas de décadas passadas. Há sempre alguém procurando as músicas que julgávamos procurar solitariamente.

Nem tudo se encontra, ou nem tudo se posta, mas quando damos a sorte de encontrar algum vídeo ou montagem com canção que, ouvida de passagem, no meio de uma década, não abandonou a memória, encontramos também colegas de memória afetiva: ”Gente, procuro esta música faz tempo, ouvi em casa de amigo, numa festa em meados dos anos ’80, e nunca me esqueci”.

As sempre tocantes menções aos que os comentaristas lembram quando ouvem determinada canção: “Meu pai amava esta música. Ouvir traz meu velho de volta.” Ou recordações de tempos duros de grana que tiveram determinada canção como trilha sonora: “Era feliz com os sapatos furados, cantando com amigos esta música no fundo do último ônibus intermunicipal” (este comentário li em vídeo de Amelinha cantando “Amar Quem Eu Já Amei”). Quem não move a cabeça concordando ao ler estes comentários?

O mesmo vale para filmes inteiros, postados por saudosistas de dias onde a TV não se obrigava a exibir somente novidades; sempre há os que procuravam o filme visto em alguma “madrugada do SBT ou Bandeirantes”. Filmes que dão trabalho encontrar, é bom que se registre.

Estes pesquisadores parecem inexplorados por órgãos de comunicação carentes de material humano do tipo. Ninguém nota estes arquivistas anônimos?

As pesquisas ou teses acadêmicas levam em conta estes contingentes quando elaboram seus planos de sociedade ou painéis desta época?

Voltarei a este assunto com freqüência, asseguro .

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