“Notas”-13/08/2014- “A morte de Eduardo Campos – o surgimento de “Sua Excelência, o Fato'”

Escrevo sob o impacto da notícia – brutal como um trote estúpido – da morte de Eduardo Campos, cuja imagem foi a última que vi na madrugada na TV antes de desligá-la para ler e tentar dormir. Entrevistado pela Renata Lo Prete no “GloboNews”,pareceu-me seguro e pensei: “É … amigo, você está pegando o jeito, além de criar dificuldade para Dilma no teu pedaço, 2018 é tua vez”- não vira sua entrevista no “Jornal Nacional”.

Não tive a mesma impressão quando ele foi entrevistado no “Canal Livre”, achei-o demasiado cru para esta eleição – um excelente sujeito que teria sua vez em seu tempo, não mais. As entrevistas recentes mostraram-no determinado a não apenas lançar nacionalmente o nome, ele parecia realmente convencido que seus números em pesquisas subiriam quando ele finalmente tivesse sua oportunidade na propaganda gratuita. Parecia tomado por um espírito de missão que impressionava, seus olhos quando disse na última entrevista o que pensava da alardeada participação do ex-presidente Lula (com quem guardava laços sentimentais compreensíveis) em um hipotético segundo mandato da Presidente Dilma – mandato este que parecia certo de não haver- pareciam queimar, numa aparição quase mística.

Quem seria o profeta que diria ser esta sua última imagem como candidato sendo questionado – e respondendo com firmeza sobre supostas contradições e não fugindo da honesta constatação de não ter (algo raro em político- este “não sei” dito sem titubear e sem soar escorregadio) em ponto ou outro resposta conclusiva? Quem não foi dormir seguro de que embora ele provavelmente não tivesse chance nesta eleição era político que viera para ser nome muito mencionado, um caminhante com a estrada interminável desafiando a vista?

Ulysses Guimarães aludia à “Sua Excelência, O Fato” como elemento último de qualquer análise política que mereça atenção e o fato apresentou-se com violência, colocando abaixo uma carreira promissora (além dos seus companheiros de viagem no jato, um homem que era um homem amado pela família, amigos e seus irmãos do povo de Pernambuco) e as apostas sobre a sucessão presidencial de 2014. O Fato, este visitante ruidoso e implacável, veio para tornar nítido o panorama que as pesquisas não vinham conseguindo tornar menos nebuloso.

As conjecturas sobre as razões da queda do jatinho são pequeninas contempladas à luz do legado deste político que vinha sendo tratado pelos simpatizantes da chapa oficial (falo de blogs patrocinados por estatais e outros que fornecem material para outros tantos blogs sem leitores replicar e que abrigam comentários infames) como “traíra” e “quinta-coluna”por ousar uma candidatura própria após ser Ministro do Governo Lula.  Alguns comentaristas destes blogs pediram, falando nisto, que alguns de seus juízos sobre o líder recém falecido fossem retirados “por respeito à família”- como se do alto da montanha de lixo, pudessem se limpar com a remoção de um cisco de suas asas de aves do lixão da internet.

Retomemos: o legado de um político que, vindo da base aliada, revoltara-se contra o uso da máquina para a cristalização da pior política, é valioso e seus simpatizantes – e da família Arraes (vista por muitos simpatizantes do petismo como família de coronéis da Esquerda) saberão identificar o que se aproxima mais (ainda que por eliminação) do que Eduardo Campos pregou, dentre as opções disponíveis nesta e em outras eleições. Seja Aécio Neves, seja Marina Silva ou outro nome ainda a surgir (não eliminemos nem mesmo a candidatura oficial completamente transformada em algo a ser definido); o Fato, esta Excelência rude, determinará para onde o legado será destinado.

Esta tragédia política e humana (um ser decente e doce, pai amado por seus filhos e pela família numerosa e emblemática da história brasileira) registra nas lágrimas e na perplexidade em todos (sobretudo no exterior) os observadores da epopeia política do Brasil sua permanência como um fato já histórico, como o suicídio de Getúlio Vargas, a morte igualmente ríspida de Juscelino Kubitschek – algo a se perguntar nos anos seguintes – ao feitio dos contemporâneos do assassinato de John Kennedy, outro líder arrancado com brutalidade dos seus compatriotas e de sua família:

“Onde você estava quando soube da morte de Eduardo Campos?”

Os que suportamos este 13 de agosto responderemos com emoção.
Pois nunca esqueceremos.

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