“Notas”- 16/08/2014

Escrevi no “Cadernos” sobre o “catolicismo de feriados” por ocasião do mesmo feriado de sexta-feira passada, há algum tempo. A cultura de feriados em país cada vez mais não-católico, com enorme massa de indiferentes às religiões, além dos milhões de evangélicos (força cujo eleitorado hoje é mais cortejado que os católicos de outros tempos) sempre causou neste blogueiro inquietação maior que supostas tramas contra a “soberania ameaçada por tubarões”…

Há quem defenda feriados, argumentando que “afinal, os trabalhadores merecem um dia de descanso e o Brasil não quebrará somente por esta razão”. Mas aí é que está: dificilmente o comércio pára e milhões de trabalhadores encontram dificuldades para chegar ao trabalho e voltar para casa com ônibus (que já funcionam longe do desejado mesmo em dias úteis) cumprindo horário de feriado. Imaginam alguns destes padres acompanhados pelo cortejo de beatas parados em pontos de ônibus sob o frio e a chuva – à espera de motoristas zombeteiros com os carros previsivelmente lotados?

Este resto de autoridade que a Igreja ainda exibe não se sustenta por clero omisso diante do avanço de minorias que promovem, sempre que encontram ocasião, atos de vilipêndio; ou por padres de retórica esquálida, reveladora de pouco apreço por leituras e reflexão sobre o que porventura leiam. Difícil imaginá-los a ler doutores da Igreja depois de ordenados;  ou mesmo lendo o além do mínimo exigido no seminário (oferecendo a justificativa de que os autores do currículo eram insuportavelmente reacionários) ou criando seminários para estudantes oriundos de classes trabalhadoras.

Mas sentem-se autorizados (por Deus?) a sabotar o crescimento do País (além de causar transtornos para milhões) com coleção de feriados, que servem aos de bolso vazio, como datas de mergulho no ócio mais desolador. Lembro de católicos em Belo Horizonte lamentando abertura de shoppings aos domingos, dias que deveriam, segundo estes legisladores (cada vez menos levados em conta) da vida familiar, ser “do descanso e do futebol”.

Explicar o que o ócio na miséria produz de deformações no convívio familiar e na vizinhança exige de muitos (inclusive deste blogueiro) mais energia que a disponível. E calados (imaginado os bispos de denominações neo-pentecostais demandando caminhões para o transporte de dinheiro), entendemos o fermento que infla a massa do novo Templo de Salomão.

X

Jovem que tramou o assassinato dos pais – com o auxílio de namorado e do irmão deste- passa para o regime semiaberto. Houve tempo em que isto chocava, que causava escândalo nas mentes ainda habituadas à moral que por demais relativizada, desapareceu das mentes mais ordinárias.

Claro que o crime cometido pela recém – beneficiada pela progressão da pena não mereceu o carimbo sociológico, pois cometido por gente que não conhecera até então qualquer dificuldade financeira que justificasse planejar matar os pais enquanto estes dormiam.

Mas aqui no Brasil é assim: os autores de crimes medonhos tratam de se tranqüilizar quanto à possibilidade de passar a vida inteira na prisão, declamando para si os prazos de progressão penal.

Quem duvida que Charles Manson e seus seguidores, vivessem e tivessem cometido seus crimes no Brasil, estariam já soltos e estrelando algum reallity show? Eles, os autores de crimes contra crianças, imortalizados por “Suffer Little Children”dos Smiths , ou Al Capone comandando algum programa de culinária? Ou Jim Jones se sobrevivente do suicídio coletivo que inspirou,  comandando algum canal religioso nas madrugadas, ou…ou…

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