“Notas”- 23/08/2014

O post anterior trouxe meu juízo sobre educação política das massas  (“verdadeiro educador político do Brasil é a constatação de que a vida piora mês a mês”).

Mas, e o apoio que líderes populistas têm de setores da população cuja vida, além de piorar, é tratada como matéria de demagogia nos movimentos ditos sociais e nas ocupações (algumas legítimas), onde aglomeram-se população que, a despeito de não encontrar resposta efetiva ao problema da moradia, idolatra governos que, usualmente, tiveram tempo de elaborar políticas nesse setor. Não raro os “movimentos sociais” que promovem estas ocupações (algumas, ou muitas delas, legítimas, repito) apoiam, ainda que não abertamente, estes governos que oferecem paliativos enquanto associam-se aos empreiteiros para promover “revitalizações das áreas centrais”que terminam por expulsar os supostos beneficiados.

Experimente dizer isto algum morador destas ocupações e ouvirá: “melhor que o outro partido, que não faz nada pela gente”. Como contra argumentar?

Vejam a “Torre de David”, no centro de Caracas – os seus moradores preferem (e quem dirá que estão errados?) subir dezenas de andares a pé que vegetar nos subúrbios dominados por criminosos, e ainda assim são simpáticos ao chavismo, que empobreceu o país enquanto se ocupava de atribuir culpas aos norte-americanos.

Logo, a miséria, ela própria, não educa politicamente. Há que haver o clero intelectual também entre os que pouco ou nada possuem no campo material para que possa haver possibilidade de pressão eficaz contra os poderosos insensíveis.

Liberais românticos acreditam que maus governantes se ocupam de cavar a própria sepultura, confiando no discernimento dos que, ocupados em garantir a sobrevivência mais imediata, pouco ou nada estudam. Seria o triunfo da “maioria silenciosa” oprimida pela minoria que trama seus mecanismos de Poder.

Bom, ao menos no Brasil, o que vemos na internet é desolador: propagação de boatos, mistura de sentimentos religiosos com vulgarização de ideias políticas conservadoras, simplificações grotescas ou erudição desperdiçada em torneios de citações.

A “maioria silenciosa” parece pouco afeita ao recolhimento e ao estudo e nada paciente com o processo histórico no qual se situa, acreditando num retorno mágico à rotina de antes da subida do PT. Na verdade, poucos se perguntam como chegaram ao pesadelo que acreditam ter desabado, do nada, em suas cabeças desinteressadas de política, “assunto chato”.

A “maioria silenciosa “ o é por muitas vezes, por não saber o que dizer.

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Os argumentos anti- Marina Silva são idênticos entre os governistas pró-Dilma Rousseff e oposicionistas pró – Aécio Neves. Parecem obra de um mesmo corpo de redatores onde metade talvez consiga o que deseja: os que lutam pela reeleição já no Primeiro Turno.

Acontece que a candidata de uma semana supera nas pesquisas o candidato de meses e há quem preveja uma revoada tucana rumo ao universo marinista, e a tendência é a candidatura do PSDB amargar derrota que será fatal para a legenda – e aos propagandistas na Imprensa que precisarão elaborar o mais rápido possível explicações sobre suas profecias não-realizadas caso tenham o desejo de permanecer na casta dos “formadores de opinião”.

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Falando em “formadores de opinião”, há autores no Brasil pouco citados fora de certos círculos, por razões diversas, e quem perde é o leitor médio, condenado a consumir jornalismo morno.

Os textos mais interessantes sobre a situação no Oriente Médio, sobretudo sobre o tal “Estado Islâmico” são de Pepe Escobar, que lança em seus textos luzes sobre o mistério que torna exército de fanáticos temível por suas armas e treinamento.

Pepe Escobar é jornalista controvertido, e muitas de suas opiniões não são as minhas, mas o texto é primoroso e uma de minhas obsessões.

Não há na imprensa convencional material similar, garanto.

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