“Notas”- 04/09/2014

A derrota de Aécio Neves como item aceito sem maiores discussões – pois os números o demonstram por institutos diversos – e seus apoiadores na Imprensa ocupam-se em atacar Marina Silva, suas “contradições” e “passado esquerdista”, certos de que, agindo assim, conseguirão reavivar a candidatura Aécio. O candidato tucano não anda uma casa, mas a candidata à reeleição, Dilma Rousseff diminui a rejeição e sua campanha rejuvenesce.

Estes apaixonados do PSDB parecem julgar um segundo mandato Dilma desejável à vitória de Marina, pois apenas anunciada sua candidatura, empurrou o sonho do retorno tucano para a realidade de uma derrota humilhante à qual eles julgavam-se (não se sabe por qual razão, pois sempre maus combatentes) livres de ter que enfrentar um dia – terceiro lugar com distancia desoladora do segundo lugar. Derrota assim somente em 1989.

Os articulistas de “Veja” chegam a qualificar como “bom” o desempenho de Aécio em debates nos mesmos textos nos quais descrevem Dilma gaguejando, verificando papéis na bancada para responder, e quem assistiu aos debates viu a candidata do PT (com poucas palavras e muito sarcasmo) intimidar o candidato tucano em seus confrontos. Como um político pode ser considerado bom debatedor pelos mesmos jornalistas que reconhecem que ele é gentil em excesso com oponente descrita por eles próprios como péssima debatedora? O desespero em continuar vendendo esta candidatura é notado por leitores comentaristas que notam o espírito motivacional destes textos que abandonaram tom jornalístico há muito.

Marina empatando com Dilma (ainda com chances consideráveis, diga-se) e Aécio cristalizado abaixo dos vinte pontos e “alguma coisa pode ainda acontecer”. Com o candidato utilizando argumentos que parece tomar como conclusivos , como “contraditória”, “ o Brasil exige profissionais” e o mais recente “Nunca fui do PT”.

“Nunca fui do PT” mereceu esta tarde post de Ricardo Setti, ilustrado por Aécio com expressão confiante e desafiadora. Violei minha promessa de não mais comentar e lamentei que utilizando o seu direito de continuar na disputa, ainda que sem chances, prefira atacar o inimigo mal escolhido, no lugar de concentrar suas críticas em líder de partido cujos militantes destruíram sua imagem nas redes sociais, descontando sua frustração em quem apenas abreviou a espera pela derrota (vejam lá o comentário, se quiserem) certa. Os comentários posteriores ao meu vão na mesma linha de admoestar o candidato e seus assessores que escolhem o alvo errado. Aconselham mesmo a renuncia de sua candidatura em nome de derrotar o PT e sua candidata. Setti não respondeu ao meu comentário e até agora a qualquer outro, neste post.

Conservadores e liberais sonham com fim instantâneo do ciclo petista, sem qualquer transição que seja desagradável aos seus paladares políticos, algo como um café que se prepara em dois minutos, um apertar de botão na urna e…de volta a 2002! Não atinam com a necessidade de demora deste ciclo histórico, para que o infantilismo político – que tornou possível este pesadelo, afinal – seja superado para batalhas futuras. Não, querem candidatura “perfeita”, sem máculas de qualquer esquerdismo, para derrotar inimigo menos seletivo. E tome comparações entre as duas candidatas, levantamento das respectivas biografias, boatos e autoajuda, ainda que por vezes com alguma erudição no festival de citações que estes devotos da pureza utilizam como substituto de argumentos (muitos possuem argumentação mais defeituosa que muitos adolescentes alérgicos a material impresso, diga-se). E os militantes petistas da internet riem, tranqüilos, desta fauna que nada ameaça, diverte apenas.

Voltando aos aecistas da Imprensa: garantem a inutilidade do “voto útil”. Sim, para eles que não ensaiam qualquer autocrítica e que, quando muito culpam marqueteiros (que se não podem ser responsabilizados, por analistas sérios, por vitórias, igualmente não podem levar a culpa por derrotas), votar em candidatura com chances de eliminar a ameaça de um segundo mandato que estes mesmos jornalistas identificam como perigoso à democracia como defendida por eles, é tolice.

Arrisco dizer a razão deste romantismo político: muitos destes “formadores de opinião“ pertencem à casta dos que podem abandonar o Brasil caso os temores de que o País se converta numa Venezuela gigante (ainda que com alguns atenuantes econômicos e falando idioma que lembra o Português) se realize. Simples assim. Já para a maioria… resta votar no que propicie alguma tomada de fôlego e reexame das possibilidades concretas. Duro assim.

Cobrar coerência de Marina Silva e dos que optam por apoiá-la desde que ela se fixou como opção é negar a coerência que realmente importa: combater o Governo atual.

Tudo o mais é estupidez.

Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s