“Notas” – 06/09/2014

“E o cenário (de papelão?) da política nacional treme em mais um sábado de revelações arrepiantes…”

Não li a matéria- capa de “Veja” e portanto não sei se ela é de fato letal a determinadas candidaturas, como os articulistas da publicação sugerem que seja. O ex-diretor setorial (Abastecimento e Refino), Paulo Roberto Costa, ainda está por oferecer mais que seu testemunho (ainda que tudo indica que isto venha a acontecer, pois disto depende o quanto de sua pena pode ser abatido); mas ainda que apresente documentos, em que estes influenciarão o voto do eleitor que poderá se perguntar sobre o nível do envolvimento de seus candidatos em delitos? Pode- se  sempre concluir que subalternos aprontaram das suas longe dos olhos de chefes muito ocupados com questões no atacado. Mas o candidato do PSDB, Aécio Neves, já batizou o (ainda projeto de) incêndio de “Mensalão 2”.

Ora, o “Mensalão1” não mudou o quadro eleitoral de 2006, embora tivesse combustível para explosões admiráveis e tenha motivado processo que levou alguns líderes do PT à cadeia, e soasse, naqueles dias, como estrondo que anunciava a morte do partido. Mas tucano aprende? A revista -boletim do PSDB pouco (ou nada ) faz para educar politicamente setores que apostam em escândalos como possibilidades de alcançar o Poder, ainda que entre escândalo e outro, não se organizem e nada apresentem com carga simbólica às massas.

Quem tiver que votar em Dilma Rousseff ou Marina Silva votará ainda que as delações do ex-diretor da estatal atinjam diretamente as figuras-chaves de seus círculos. Esperar conversões em massa ao PSDB derivadas deste filão prova, uma vez mais, como nomes ungidos por uma imprensa superficial são pouco familiarizados com a natureza das afinidades político- eleitorais, estas sim determinantes. Explosões de véspera podem mudar contingentes do eleitorado, mas apenas os indecisos, porção incerta e de definição problemática.

A “Veja” dos últimos anos tem se confirmado como um Himalaia que após emitir roncos tenebrosos, dá à luz um camundongo – aposto que esta matéria se tiver três páginas será considerada robusta para os padrões atuais da revista que, em outras campanhas, ainda memoráveis, trazia nas matérias de capas reproduções fartas de documentos e boxes explicativos que faziam as matérias ocupar várias páginas.

O diretor daqueles tempos é mencionado hoje na revista apenas como autor de barrigas jornalísticas, e como adulador de petistas – pelos leitores que parecem ter na “Veja” de hoje o primeiro contato com qualquer tipo de leitura e por redatores que cortejam este público.

E é ainda órgão de comunicação, comparado aos que recebem patrocínios do Governo, ainda legível e de alguma credibilidade – e, por que não o dizer? -o que de melhor temos no ramo.

X
Iniciativa louvável a da Rede Globo, a de entrevistar os candidatos ditos “nanicos” em segmentos individuais nos noticiários da casa. Poderiam utilizar este expediente como pretexto para promover debates sem estes candidatos com 1% ou 2% de votos.

Os debates ganhariam com esta decisão já no Primeiro Turno, tempo maior para que os três candidatos com chances reais de ser eleitos exponham programas, e respondam com maior nitidez questionamentos de jornalistas e dos respectivos adversários.

O ideal seria que todas as redes adotassem este padrão que permite acesso das candidaturas minoritárias aos eleitores e impede que exotismos devorem tempo precioso dos debates, ainda que divertidos e material de folclore político.

Seria o fim de uma convenção que desestimula discussões, pois dita que “debate prá valer é o do Segundo Turno” e dá aos eleitores relapsos a desculpa de desligar a TV, ou mudar para alguma transmissão de jogo que, afinal, é mais interessante que um simulacro de debate com diversos candidatos com tempo de um minuto para perguntar, outro para responder, e réplicas e tréplicas de meio minuto. Não admira que tenham peso cada vez menor nas decisões e que as discussões tenham mudado de foro, o das redes sociais.

Que as próximas eleições sejam cobertas com este discernimento.

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