“Notas”-11/09/2014

Meu post anterior acertou: “Himalaia pariu camundongo”- a primeira pesquisa “Datafolha” após a reportagem de “Veja” que motivou esperanças de “espetacular reviravolta” nas eleições : Aécio Neves subiu um ponto apenas, Marina Silva oscilou negativamente, mas continuou ainda a considerar, enquanto Dilma Roussef não sofreu um arranhão, ao contrário. Aprenderam agora?

Élio Gaspari na coluna de Quarta-feira garante que os depoimentos do delator (o ex-diretor setorial Paulo Roberto Costa) são promissores em potencial explosivo (“combustível Petrobras”), mas pessoalmente acredito que será explosão de efeito retardado que poderá, aí sim, gerar reação em cadeia, para depois das eleições. A História não termina com o ano, é bom lembrar. A dita Oposição terá o mesmo animo investigativo sem o estímulo das eleições? Será sua prova de fogo e dela poderá surgir um renascimento político no Brasil.

As campanhas do PSDB são coletânea do que evitar em matéria de marketing político, pela esclerose (nada precoce) de fórmulas que podem ter funcionado no Brasil de dias ingênuos, mas que hoje tem efeito cômico apenas: depoimentos de familiares do candidato garantindo ser ele excelente pai, irmão, filho, ou imagens em câmera lenta com crianças saudando novos tempos “de decência e honradez”, voz embargada do candidato dirigindo-se à assistência dos comícios, etc, etc, etc. O PT por sua vez…anuncia o que fez (ainda que produzindo ficção) e recorre aos símbolos (ascensão social das massas, desenvolvimento que faz o Brasil invejado, etc) de eficácia indiscutível na conquista da massa.

A desculpa tirada do colete é que o tempo que a candidatura à reeleição dispõe (por suas alianças) é um trator desfilando sobre o tempo exíguo das demais candidaturas, mas Augusto Nunes lembrou há poucos dias que poucos minutos por dia mostrando obras por concluir (fora algumas por iniciar) bastaria. Está certo. E acrescento ao que se poderia mostrar em filmes sem efeitos especiais, no estilo documentário, exibindo pacientes nos corredores, sendo desalojados de UTIs por superlotação, os números da violência (lembrando que o Partido no Poder já há doze anos dispõe de maioria no Congresso), os analfabetos funcionais nas Universidades iludidos com futuro profissional que jamais terão, além de entrevistas com populares insatisfeitos em todos os programas, isto custaria quanto e consumiria quantos minutos? Aposto que sequer iniciaram os cálculos ou levaram em consideração as advertências dos jornalistas que notam falta de agressividade na campanha. Não admira que estejam em terceiro lugar, esperando pelo “mais novo fato que abalará dramaticamente o cenário (de papelão?) político”. Bom, 2018 é uma realidade.

Enquanto isto, em Minas Gerais, Pimenta da Veiga, nome de respeito (pois Prefeito que governou, ainda que por pouco tempo, tendo contra si o Governo Federal e o Estadual) parece mesmo fadado a perder já no Primeiro Turno, pois vítima de marketing político que aparenta proibi-lo de criticar, pois candidato do atual Governo. Ora, propor melhorias na administração e apontar falhas não assustaria ninguém e chamaria alguma atenção à campanha.

Há problemas que são comuns à capital e ao interior do estado, e que ainda que sejam, alguns deles, próprios das prefeituras, poderiam ser minorados por ação estadual. O transporte coletivo é, sobretudo em BH, estressante e ruim, com estações de desembarque que tornam as viagens cansativas, com esperas também cansativas. “É, o PSDB elegeu o atual Prefeito”.  Sim, o PT também, mas livrou-se em tempo útil quando ele se revelou impopular. E não digam que o transporte não é atribuição do Governo estadual, pois (ao menos na capital) o candidato ao Governo estadual poderia propor alguma melhora, mostrando assim sensibilidade às dificuldades de milhões. Mas optou-se por cantar os feitos governamentais, recitando números e o resultado é este aí.

Pensei em entrar no site da candidatura e propor alguns temas, ainda que soubesse que conselhos de graça são pouco levados em consideração, sobretudo quando se paga aos marqueteiros. Encontrei perfil da candidatura do PSDB no “Facebook”, e logo ao entrar, li nota comemorativa da subida em um ponto nas pesquisas que, ainda assim, dão tranqüilidade ao candidato do PT, Fernando Pimentel.

Verifiquei  o ridículo de minha pretensão e me recolhi.

X

Li hoje que o PSDB divulgou manifesto de intelectuais simpáticos ao partido em defesa da candidatura Aécio Neves, reiterando sua capacidade, os quadros que congrega,e tudo que usualmente se lê em material produzido por liberais que acreditam ser o Brasil inteiro povoado de gente como eles, atenta ao equilíbrio fiscal, às contas públicas e aos projetos realmente exeqüíveis em contraposição aos apelos demagógicos,etc,etc,etc.

Imagino populares lendo notícia desta reunião (convocada a menos de mês do Primeiro Turno, diga-se) do sindicato de notáveis  tucanos com a finalidade de dissuadir deserções que possam desaguar no “voto útil” em Marina Silva. Um dizendo ao Outro: “Oh, o Gustavo Franco, economista do Plano Real e professor de economia respeitado, está fechado com o Aécio, agora a coisa vai” e Outro concordando com o Um: “Não só, o Roberto da Matta, antropólogo que Gilberto Freyre elogiava, autor de diversos livros que explicam nossas relações sociais através dos signos de interação, como o jogo e as escolas de samba, entre outros, também assina este manifesto, era tudo que faltava ao Aécio para entusiasmar.”

Pois sugiro que os dos intelectuais que assinaram o manifesto em hora tão oportuna sejam esfregados nos narizes doa MAVs em discussões nas caixas de comentários e nas redes sociais. Será argumento conclusivo.

Ainda que a discussão acabe, pelas gargalhadas .

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