“Notas” – 18/09/2014

O debate presidencial promovido pela CNBB confirmou o que escrevi no blog sobre a ineficácia dos debates com participação de candidatos sem qualquer chance eleitoral; o que consomem de tempo e no que – com suas intervenções realizadas com o “espírito livre” de quem não tendo chance da ganhar qualquer coisa, decide que não tem nada a perder – transformam programa supostamente sério, que deveria servir para esclarecer indecisos.

Não que não haja nas advertências de Levy Fidélix sobre o endividamento irresponsável do Estado muita razão; ou que Pastor Everaldo não proceda acertadamente quando nota que certos temas não sejam sequer abordados pelo temor de controvérsias; ou ainda que Eduardo Jorge nada diga de aproveitável entre um chiste e outro. Não. Apenas eles propõem temas que não cabem em um debate do tipo – com tempo rigidamente administrado e com regras que impedem discussões que não as imediatas – e que exigem antes de ser levados à discussão publica profundo e demorado trabalho junto às instancias formadoras de opinião. Desconhecem isto e demonstram não estar minimamente preparados para as funções de um Presidente, ou desafiam estas limitações deliberadamente – o que, embora legítimo do ponto de vista político em escala maior, reitera a sabotagem ao debate realizado segundo a lógica eleitoral vigente, da política tomada como fator de ação a curto prazo.

Que candidatos com alguma chance (Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves) aceitem participar de gincanas do tipo é que é mais grave, pois demonstra que seus respectivos comandos de campanha ignoram a exiguidade do tempo e que aceitam limitações que tornam debates constrangedoras trocas de farpas – e mais nada. Não parecem (os ditos comandos de campanha) dispostos a confrontar redes de TV que estabelecem debates que não ameacem minimamente o cálculo da grade de programação- ironicamente na TV aberta que depende de concessão pública e que deveria ser a interessada maior em batalhas eleitorais, cujos resultados dizem respeito às empresas que dependem de concessão para operar.

Fossem apenas os candidatos com chance eleitoral a debater e o tempo renderia sem constrangimentos desnecessários, como os protagonizados por Luciana Genro que provou não estar preparada para a vida pública, posto que não domina da linguagem política o que não seja jargão de cervejada de diretório acadêmico, e exiba argumentação de quem tem idade mental pré adolescente. “Linha auxiliar do PT, uma ova!” é algo que deveria ter sofrido advertência da moderação por ser recurso de comunicação impróprio a um debate que se pretenda sério e não seja quadro de algum programa humorístico que retrate debates satiricamente. Responder a sério uma intervenção do tipo é, claro, legitimar candidata que fala somente aos grupetos de Esquerda de botequim de bairro nobre.

Aécio Neves perdeu excelente oportunidade de reduzir a candidata do PSOL ao que ela é de fato – uma piada, um estereótipo de esquerdista virgem de leitura – pois nem mesmo qualificou como “estúpida” a comparação entre o escândalo da Petrobras e o que dele ainda explodirá de reputações e suposto escândalo da pista de pouso construída em terra de seus parentes. Preferiu ostentar, com sorriso de quem não se ofendeu, a pose superior de quem não vai a debates desperdiçar tempo –seu e dos telespectadores- para responder “inverdades” e “baixarias”. Proceder segundo regras de etiquetas com oponentes que não sabem o que seja isto é fazer o papel de nerd em clip do “Bonde do Stronda”. Dilma Rousseff quando exigiu aos berros que seu direito de resposta fosse examinado “antes do fim do programa” mostrou conhecer a linguagem de combate – imagino Luciana Genro engrossando com ela- “assombração sabe a quem aparece”…

“Nerd na balada” deveria ser a qualificação referente aos tucanos em debates, falando nisto. O PSDB deve apoiar algum instituto de alienados cujo programa de ressocialização preveja participação em campanhas políticas, contratando os internos como redatores. Não há outra explicação para o trabalho que desenvolvem e cujos resultados são inquestionáveis como exemplos do que se deve evitar em marketing político.

X

Desperdiçar gasolina do avião de Curitiba a Brasília e apresentar o novo visual (eloqüente bigode) foram as únicas finalidades ao que parece da presença do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa na CPMI- e isto era previsível, mesmo porque seus depoimentos na Polícia Federal correm em sigilo, e analistas políticos foram unânimes em observar que sessões secretas seriam evitadas pelo depoente, ao menos nesta fase.

O que eu escrevi no blog sobre ilusões (cultivadas por “Veja” e seus colunistas) de reviravolta eleitoral derivada dos depoimentos, tem se confirmado.

Escrevo diante de bola de cristal? Não, apenas tenho memória de campanhas da publicação em outros tempos. E sou lúcido quanto ao animo eleitoral que precisará de mais que escândalos para desertar de suas atuais preferências.

Hoje é quase impossível ganhar eleição apostando somente nos defeitos dos oponentes- e isto é promissor, pois sinal de amadurecimento político das massas que exigem mais avanços, e não somente o “racional” e “exequível”.

“Virem-se, façam o muito difícil, são ( muito bem) pagos para isto, afinal”- parece ser o berro que ainda ecoa das Jornadas de Junho.

Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s