“Notas”- 09/10/2014

Interlocutor por email, veterano de umas tantas batalhas políticas, me enviou o primeiro email zombeteiro e vingativo – “Não disse?”- logo na noite do 5 de Outubro: “Viu? Você recomendou em seu blog, ainda que de maneira gentil, renuncia do Aécio, e olha ele aí no Segundo Turno, pessimista vocacional”.

Este meu parceiro de emails nunca duvidou da candidatura Aécio, e parecia escrever para um louco quando eu dizia que o segundo mandato era ponto do qual as análises deveriam partir: ” “Isto não acontecerá”.

Invejei, confesso agora, sua confiança nesta virada do destino do Brasil, confiança que me parecia auto-hipnose, desespero transmutado em otimismo; teimosia impondo-se como perseverança.

“Sim, escrevo diante dos números de pesquisa e não diante de uma bola de cristal. Você esquece de me parabenizar por uma “previsão” (e tome aspas nesta previsão): a derrota do candidato do PSDB no Primeiro Turno para o Governo de Minas Gerais – Pimenta da Veiga falou para público nascido, em sua maioria, depois que ele renunciou o mandato de Prefeito para se lançar ao Governo”.

“Fernando Pimentel do PT não parecia capaz de vencer esta.“

“A você, que escreve de São Paulo, talvez. Aqui eram encomendados os foguetes no quintal petista há muito tempo, desde que eles se afastaram da responsabilidade pela eleição do atual prefeito, mais exatamente.”

“Você apostava na derrota do Aécio no Primeiro Turno…”
“Eu não, os números indicavam este destino, se as urnas negaram os institutos, culpa nisto não tenho. Não possuo informações de bastidores, escrevo meu blog de olho nas manchetes de jornais e em leituras de blogueiros escolhidos. ”

Reconheço ao amigo que fui cruel com blogueiros de “Veja”, aos quais não hesitei em qualificar de “terapeutas de autoajuda em roupas de jornalistas”. Respeito os jornalistas que qualifiquei assim – Ricardo Setti  (o qual já comentou neste blog e sempre foi correto comigo) e José Roberto Guzzo, profissional experiente e merecedor de atenção em suas análises .

“Você sequer deu os nomes quando atacou, é bom lembrar”. Nomes que este meu interlocutor respeita, pelos quais tem apreço sincero, profundo de décadas.

Não nomeei os jornalistas, mas os órgãos sim, e quem é leitor do portal da revista na internet sabe que foram estes dois os maiores entusiastas da candidatura Aécio Neves quando esta parecia o marco descendente de seu partido. Nomear seria mais correto, reconheço.

Este meu correspondente eletrônico escreve de São Paulo, onde a virada a candidatura do PSDB sobre a candidatura do PSDB teve maior nitidez, enquanto escrevo de cidade que, embora tenha recusado a candidatura petista, ainda é cidade com forte espírito petista (tanto que o PSDB venceu o PT com diferença mínima).

“Não retiro o que disse sobre a candidatura Dilma Roussef ser sepultada já no Primeiro Turno, caso Aécio Neves desistisse e apoiasse Marina Silva – e mesmo minhas análises, ainda que hoje pareçam derrotistas, são, se você for justo, mais realistas que colunas escritas por grandes jornalistas, que, embora confirmadas pelas urnas, tinham muito de autoajuda e confiança em algum elemento de predestinação na vitória de Aécio. Fui, em tudo que escrevi, analítico e atento aos movimentos de migração de voto publicados pela mesma imprensa que publicou os artigos que me pareceram otimistas e fiéis apenas aos desejo pelo fim do ciclo petista. Que, aliás, ainda está por se confirmar.”

Reitero igualmente minhas observações sobre os debates presidenciais com presença de candidatos sem chances eleitorais, embora reconheça que Eduardo Jorge é nome que promete crescer, e que saberá usar a internet para merecer, com uns 10 % de intenção de votos, participar dos debates das próximas eleições. Ele saberá usar blogs e redes sociais para chegar a 2018 como nome competitivo,  e  a projeção que obteve nesta campanha será combustível para campanhas que sei úteis, e ele o protagonista digno.

Escrevem como se a eleição estivesse já ganha, o que me nego a fazer, ainda que pareça ranheta e nada disposto de reconhecer erros de análise. Não contem com este blogueiro na fila da aquisição de foguetes comemorativos, sou um mineiro precavido, neste particular.

Há ainda dias de campanha dura, na qual a “desconstrução” do candidato do PSDB é exigida por ex-jornalistas convertidos à propaganda, MAVs dando expediente sem pausas (dependem disto e sabem, mais que muitos oposicionistas, que a vitória é dócil a quem toma fins de semana como convenção somente), demandando muitos processos e respostas duras, mais que o PSDB está acostumado a praticar. Não descansarão, jogam nisto a vida e a morte sob um governo que seja ameaça ao que conseguiram com a carteira do partido – e um corte de barba, e uns óculos de armação quadrada e também camisas de flanela, como acessório e moldura do semblante de missionários pagos, formados em série pelas universidades- oficina de militantes.

O meu interlocutor ainda não respondeu aos últimos senões, mas comparecerá, infalível, no dia 27, espero. Esperamos todos, eu com os santinhos acorrentados, sem foguete comprado.

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