“Notas” – 13/11/2014

Os não – conformados com o resultado (e com a maneira pela qual foi conduzida, desde a campanha até a apuração) das eleições anunciam marchas no 15 de Novembro. O Facebook tem sido o meio de propagação de mensagens de repudio e divulgação de memes e palavras de ordem anti-PT e anti-Foro de São Paulo. Os governistas anunciam suas marchas pelas redes sociais e blogs ( patrocinados ou não) e veremos quem tem a massa.

Acredito que por mais que alguns manifestantes interditem pistas, falam para seu publico igualmente as duas correntes antagônicas. Não acredito que virá deste ocupar ruas com cartazes e faixas mais carros de som a solução para o enigma político que surgiu nesta eleição: como potencializar o projeto de Poder tendo mais da metade do País contra, e como implodir este Poder somente com boa vontade dos idealistas que julgam suas boas intenções mais fortes que o Poder reeleito e com fatias do Judiciário ao seu lado – mais as massas dependentes dos programas sociais. Ambas as séries de passeatas (as governistas e as oposicionistas) falarão para si, e há o perigo de adiar, de lado a lado, autocríticas e reexames de planos.

Os governistas sabem que as palavras de ordem pró-Governo não abafarão as pressões que virão de Governo que dá mostras de que prometeu muito mais do que entregará, e que conta com a deserção (e os desafios que serão freqüentes até não se sabe onde) de amplos setores do PMDB que parece ter decidido se salvar do furacão que ronda Governo no qual é carona desde 2003, e companheiro de chapa desde 2010. Haja caminhão de som e berros contra os “coxinhas”, ainda que não possam mais contar com este inimigo fácil, pois a eleição já passou. Resta, mas ao que parece por pouco tempo, a tática de estigmatizar os eleitores do PSDB como anti-nordestinos. Mas é, como se sabe, garrucha de tiro só –  uma hora o nordestino se perceberá tapeado, e adeus eleitorado cativo. Que berrem os sindicalistas agora, pois.

Os oposicionistas contam com apoio de Olavo de Carvalho, Lobão e articulistas da “Veja” e portanto, não serão surpresas o que poderão ostentar como armas nesta batalha. Terão que depurar seus quadros dos saudosistas da Ditadura e de primitivos que superlotam caixas de comentários da “Veja” e que compartilham memes anti-esquerdistas (ainda que citando fontes controversas) nas redes sociais. Não duvido da participação de agentes provocadores do Governismo, mas acredito mais na lambança que voluntaristas e apavorados usualmente fazem nestas marchas da Direita, desde ano passado. Como esquecer dos religiosos rezando e fazendo declarações aos representantes da imprensa governista, defendendo intervenção militar, na ingenuidade mais apavorante? Não identifiquei nestes rezadores de terço qualquer elemento que me fizesse ver neles a mão de algum estrategista do PT, a não ser que dirigentes petistas tenham recorrido aos serviços de algum instrutor do Actor’s Studio.

Estas marchas serão realmente ameaçadoras no dia em que se dirigirem aos indecisos que foram criminosamente negligenciados nesta eleição – às massas que não discutiram com argumentos políticos (pois não apresentadas aos rudimentos da política por quem deveria ter interesse nisto) e sim com emocionalismos e tópicos de fofoqueira de bairro as candidaturas neste ano. O trabalho de campo será muito mais problemático que parece para ambas facções, e por isto, adia-se para alguma eleição por vir o trabalho.

Os governistas terão um dia que explicar aos seus fiéis o rombo que tornará inviável qualquer programa social, e não terão facilidade em justificar o silencio que fizeram sobre a realidade dos números que exigem disciplina mínima nos gastos, para que estes não tenham que ser cortados de forma brusca. E isto inclui militantes, ou “agentes sociais” que superlotam a máquina, nos ministérios que pouco ou nada exibem de resultados que possam justificá-los.

Os oposicionistas deverão buscar, muitos deles, o caminho das bibliotecas e livrarias, pois pelo que demonstram em seus comentários, tantos parecem sonhar com a derrubada de um projeto hegemônico, desde que esta derrubada não implique em estudos do pensamento que inspira os militantes deste projeto. Pensam que beber de articulistas de admiração o que estes leram substitui leituras próprias, o aprendizado que sem dúvida é cansativo e exigente, enquanto os adversários nunca desistem das escolas de lideranças.

Deveriam os oposicionistas tomar medida que me espanta não tenha ainda sido cogitada: marchar contra órgãos de comunicação que foram ou displicentes ou que subestimaram o inimigo – marchar portando revistas e jornais para a dramatização necessária: rasgá-los e anunciar supressão de assinaturas, ou mesmo exigir que uma comissão de manifestantes seja recebida pelo alto clero desta imprensa que escolheu capas inadequadas ou coberturas que não serviram ao propósito (que deveria ser de interesse desta imprensa) de derrubar este sistema. Que expliquem a incompetência e o descaso; ou que lidem com deserção em massa de consumidores de seus produtos. Uma marcha assim assustaria o Governo, pois este perceberia então um inimigo maduro e conhecedor de estratégia política.

X

Embora sem biografia substanciosa, tenho minhas memórias a redigir. Não sei se há leitores interessados em conhecer minhas perambulações em caixas de comentários de articulistas que admiro, ou se elas dariam um capítulo de um livro, mas que algumas são divertidas, mesmo que educativas, são. Algumas passagens chocariam pela ingenuidade do comentarista aqui, outras desolariam os leitores pelo desperdício de tempo.

Há passagens pelo blog da “Tribuna da Imprensa” (ainda sob Helio Fernandes, que faz falta, embora vivo, por seu afastamento), pelo 247  (na mesmo tempo em que era articulista voluntário no site ainda não declaradamente governista) e por “Veja”, em quase todos os seus articulistas. Em todos, me envolvi em discussões com outros comentaristas, discussões que são responsáveis por muito de meu ceticismo quanto a qualquer maturidade política e intelectual destes setores que , sem paciência para ler, nomeiam-se discutidores de política.

Fui acusado de ser agente de Fernando Collor por apoiar a tese de crime passional no assassinato de Paulo César Farias e de simpático à censura por defender identificação de comentaristas com dados que pudessem inibir agressores anônimos (ainda que esta acusação fosse fruto de texto que escrevi no blog e que foi replicado no 247 e no blog da “Tribuna da Imprensa”). Em ambos episódios, não tive qualquer manifestação de solidariedade dos titulares do espaço, ainda que no caso PC Farias eu estivesse agindo com interesse de resguardar os próprios titulares, pois comentaristas faziam acusações que poderiam gerar processos. O anonimato e a omissão de dados estimulam estas leviandades.

E o bem intencionado carregando na cabeça o capacete de patrulheiro da net, enquanto os “tolerantes” senhores do espaço seguem com a estima da freguesia.

Mas parei com a carreira de palpiteiro de caixa de comentário por outra razão: a atitude blasé dos articulistas que não devolvem comentário com atenção e julgam que o comentarista não faz mais que obrigação de comentar. Liberam sem um “Valeu, otário! Prestigie sempre!”

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