“Notas” – 20/11/2014

Este blog em seis anos a completar em Dezembro, tem, a despeito de seus hiatos e de alguns textos curtos como bilhetes, alguns méritos. Ainda que com poucos leitores e quase nenhum divulgador entre os que dizem ler e gostar, lança suas campanhas como a do livro-depoimento de Helio Fernandes e pressão por demais autobiografias de jornalistas que ocuparam a linha de gente nas batalhas culturais e políticas do País, entre outras cismas minhas que não tiveram seguidores, pela obscuridade deste blogueiro. Fiz e faço minha parte, ou não teria justificativa para continuar neste trabalho sem remuneração além do sentimento de dever cumprido.

A satisfação em saber que estou em comunhão com as mentes mais preparadas do Brasil também ajuda a tarefa – cansativa a quem apanha do computador, a quem vive exilado neste tempo sem o preparo tecnológico devido de postar. Escrever coisas que penso: “Não estarás divagando demais?” e ler dias depois pessoas talentosas terem ideia igual ou semelhante é compensador, fortalece o senso de confiança nas minhas intuições.

Postei no 28/08/2014: “suas demonstrações tocantes de fé nos poucos minutos que candidatos dispõem, cada um, nestes debates com cinco ou seis candidatos, dentre os quais somente dois ou três tem chances reais de concorrer. Candidatos com 1% ou 2% são, claro, merecedores de atenção e respeito, mas subtraem muito do tempo que candidatos viáveis teriam fossem as regras mais exigentes.”

Logo pensei: “Não estaria sendo injusto com candidatos de siglas menores?” Pois no dia 29/08/2014, Ricardo Setti, em seu blog em “Veja”, em artigo no qual sugeria roda de entrevistas com candidatos competitivos, colocava entre as razões (a “Razão Número Dois”) para nova série de entrevistas, as regras de debates que obrigavam aos candidatos relevantes dividir tempo precioso com candidaturas sem possibilidade eleitoral.

E me senti aliviado por não ser uma excentricidade metida a palpitar, pois profissional veterano e competente como Setti pensara como eu, numa coincidência de que me fez sentir bem conectado com as potências do mundo intelectual.

Postei no 13/11/2014 algo que me pareceu razoável, mas que temi ser tomado como crítica pueril às marchas oposicionistas, como resmungo ou deboche de quem ficou em casa:

“Deveriam os oposicionistas tomar medida que me espanta não tenha ainda sido cogitada: marchar contra órgãos de comunicação que foram ou displicentes ou que subestimaram o inimigo – marchar portando revistas e jornais para a dramatização necessária: rasgá-los e anunciar supressão de assinaturas, ou mesmo exigir que uma comissão de manifestantes seja recebida pelo alto clero desta imprensa que escolheu capas inadequadas ou coberturas que não serviram ao propósito (que deveria ser de interesse desta imprensa) de derrubar este sistema. Que expliquem a incompetência e o descaso; ou que lidem com deserção em massa de consumidores de seus produtos. Uma marcha assim assustaria o Governo, pois este perceberia então um inimigo maduro e conhecedor de estratégia política.”

E tive a honra de ver que Olavo de Carvalho tem a mesma ideia de marchar contra órgãos de comunicação e exigir que uma comissão seja recebida, ao ouvir o programa da “Radio Vox” do dia 18/11/2014 e assistir o hangout com Lobão do dia 20/11/2014.

Quando se tem a impressão de falar sozinho (muitas vezes com razão) ao tocar blog sem leitores e sem divulgação, surpresas como esta socorrem o blogueiro desanimado, informando-o que, mesmo sem leitores, há conexão espiritual entre combatentes intelectuais de status diversos e ser um desconhecido não é desculpa para abandonar a trincheira, pois se está no caminho certo de análise e julgamento dos fenômenos.

Estas confirmações do acaso ao meu trabalho me obrigam a continuar, reitero.

X

Uma premonição, mais que uma confirmação, tive ao escrever o post no 14/06/2014 que intitulei ”’Empirismo abstrato’ e ‘Não falem do Olavo’” que tratava, na sua segunda parte do silencio da mídia sobre Olavo de Carvalho, exibido (mais uma vez) quando Lobão lançou seu segundo livro  (“Manifesto do Nada na Terra do Nunca”), este de ensaios, e declarou influencia do autor de “O Jardim das Aflições”.

A ordem “Não falem do Olavo, não em público” alcançou Lobão, que teve as portas fechadas nos programas de entrevistas que o receberam quando lançara sua autobiografia ”50 anos a Mil”. Do silêncio ao linchamento por MAVs e blogueiros amigos do Governo, um suspiro. Hoje programas de suposto humor (há mesmo quem ria destes rascunhos de comediantes?) de uma emissora, a “Rede Bandeirantes”, me confirmam: Lobão, ao se associar ao inimigo (Olavo de Carvalho) de camadas poderosas da vida brasileira, sagrou-se como autor- assunto e contagiou-se com a maldição da tribo: o ostracismo ditado por seus maiorais. E a adesão apaixonada de quem despreza os referidos maiorais.

Há a controvérsia do veto que Mario Sergio Conti teria imposto à participação do compositor e músico no “Roda Viva” (fui dos que escreveram à TV Cultura e receberam negativa – da entrevista e do veto) e cheguei mesmo a travar ligeira discussão com o cantor em seu perfil no Facebook  (quando eu tinha conta, que encerrei) perto do fim do ano, lembrando a ele que , com a negativa do convite da “Cultura”, ficava sua palavra contra a do Conti, somente. Disse a ele lamentar esta questão ente duas de minhas admirações (Lobão e Conti) e recebi uma resposta que me orgulha ser o destinatário (por seu caráter literário): “Dividir admiração com o Conti é o pior presente de fim de ano que uma criatura pode receber.” Que eu tenha sido a mão que ofereceu este presente, sinal que me marcou – não o terei como amigo, ou leitor. Lamento, e continuo admirando ambos, que me animam muitas vezes ao trabalho com seus trabalhos. Ossos e farpas do ofício e da vida.

Fosse leitura de Lobão, e contasse com seu apreço, seguiria ele algum conselho? Ouviria minhas recomendações de volta ao Rio de Janeiro e consequente devolução de status entre a gente de São Paulo que tende a tomar celebridades que a escolhem como estrelas no ocaso, a pergunta: “Por que você escolheu viver em São Paulo?” significando: “Por que muda para cá? Curtindo ostracismo na sua terra?”- sendo dirigida aos notáveis, sobretudo do Rio de Janeiro- que mudam para a cidade.

Aconselharia concentrar seus esforços somente na batalha cultural e evitar militâncias entre gente simplista contra gente primária e comprometida  (sobretudo financeiramente) com o atual sistema de Poder.

Diria: “Não responda provocações dos pigmeus, não coloque vilarejos no mapa, nada de discutir com anônimos”.

Aconselharia ao reexame de seu papel de combatente cultural – e do poder que este posto contém – e no que ele seria letal aos inimigos (principalmente nesta aliança com Olavo de Carvalho) partindo de uma caixa de percussão como o Rio de Janeiro.

Mas não sou seu amigo e nem estou em posição de aconselhar quem quer que seja. Que amigos o aconselhem, e torço que haja entre gente que Lobão admira e respeita quem pense como eu.  Olavo de Carvalho se pensasse como eu no tocante ao dito nos parágrafos acima…

Mas não sou lido por eles, que ignoram minha existência- e que decerto desconhecem ou esqueceram este endereço, o “Fernando Pawwlow- Cadernos”.

E tenho meus problemas a resolver.

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