“Notas”- 31/12/2014

Não lamento o ano que vai se afastando, ainda que pareça ser um ano que se despede cambaleante. 2014 foi um ano que deu ao Brasil exatamente, sem dever ou cobrar por acréscimo, o que o Brasil fez por merecer. Fomos dignos deste ano como em poucas vezes na História – e não apenas no Brasil, vejam o Mundo assustado com o resultado de descuidos variados (avanço do “Estado Islâmico”, a Rússia voltando a afrontar a Civilização Ocidental, etc).

Este blogueiro, contando com decisivo estímulo, fez-se mais assíduo neste blog, e quem consultar o arquivo, encontrará advertências sobre rumos que a imprensa escolheu que levaram o Brasil a mais um período do PT no Poder. Não me promovo mais do que mereço, e reitero aqui minhas queixas sobre a falta de divulgação deste blog por parte dos leitores.

Não, não fico feliz em ter acertado, não lustro minha bola de cristal com o creme da vaidade, pois afinal não sou membro da casta que pode abandonar o Brasil se as piores expectativas se realizarem – mesmo que não se concretizem totalmente, o que restará do Brasil será de difícil superação após a mínima porção de empreendimento dos delírios dos que desfrutam do Poder. Estou entre os que terão que imaginar o começo da saída do labirinto.

Não faltarão motivos para rir – se o senso de humor estiver adaptado aos comediantes da vida pública de turno – ou para lamentar não se ter preparado melhor para a batalha eleitoral de 2014 (autocríticas até agora por fazer) . Quantos escândalos serão saudados como toque de trombetas anunciando o fim do PT, quando parece evidente que os fanáticos do petismo (independente da região geográfica ou do estamento social em que estejam alojados) são surdos aos berros dos fatos? Quando aprenderão a estudar signos e valores caros ao público que se deseja atingir? 2018 enfrentaremos com que estratégia?

Estratégia parece faltar aos que decidem enfrentar inimigos que demandam pensamento estratégico – lembro de artigo de artigo de William Kristol em “The Weekly Standard”deplorando o pronunciamento de Barack Obama no qual o presidente dos Estados Unidos se referia ao “Estado Islâmico”como doença, e não como inimigo. O petismo também foi retratado como um quadro patológico que vitimava a População sem maior perigo – que exigia somente a profilaxia da informação sobre favorecimentos e trapalhadas – por parte de jornalistas que apoiavam a candidatura do PSDB.

Não se cogitou a dramaticidade como (única?) arma contra inimigo que está há doze anos deformando os costumes e reescrevendo a História. Não se avisou Aécio Neves da inutilidade dos debates na atual política do Brasil, e mesmo que avisassem, o temor do desconhecido (a renúncia explosiva da candidatura, exposição do mecanismo destas eleições para o mundo todo) não permitiria ousadias que mudam a História. Bom, fica para uma eventual (que sabemos sobre a democracia no médio prazo?) próxima ocasião…

Como esquecer que este foi ano que substituiu no inconsciente coletivo o “Maracanaço”pelo “Mineiraço” como símbolo maior da incompetência brasileira, de nossa falta de vocação para a Vitória? “7×1- Em casa”, bordado com fios verde-amarelo em nosso uniforme brasileiro. Não antevejo mudança do tratamento da Imprensa aos jovens senhores do mundo – seguirão sendo paparicados, recebendo apelidos ridículos e servindo como tópicos de reportagens impermeáveis ao bom gosto. Afinal, mudariam com que instrumento de artesanato os redatores que exibem – pelo que cometem – desconhecer as joias do Nelson Rodrigues?

Não apenas Nelson Rodrigues (alvo de citação canhestra de seu nome por parte do redator dos discursos de Dilma Rousseff) parece não ser leitura de devoção de jornalistas. Cláudio Abramo seria leitura de articulistas que encomendavam foguetes para a vitória da Oposição, que percebiam nos escândalos da Petrobras? Carlos Castello Branco inspira os jornalistas que cobrem Brasília? Há, sobretudo na imprensa dita de Oposição, seguidores do Tarso de Castro (infelizmente citado pelo folclore pessoal, e muito pouco pelo que dissecava, com humor, dos ânimos da classe dirigente brasileira, à Esquerda e à Direita) ?

Não lamento 2014, foi ano que pagou aos brasileiros anos de desinteresse por Política, portanto, um ano justo. Propiciou, sobretudo, o espetáculo de um Partido que vai se desintegrar sem ajuda dos antagonistas. Ganhasse o PSDB,  teríamos iniciado contagem regressiva para a devolução do Poder ao PT, somente.

Foi ano que rasgou a escritura de posse das ruas para os “movimentos sociais”. As ruas agora são de quem se organiza – sem subsídios oficiais e coleiras partidárias – para fazer de cada dia deste Governo um espinho que faça lamentar aos vitoriosos do dia a vitória obtida pela difamação e pela ameaça. Pelas promessas e ameaças quanto ao futuro, esta vitória terá o seu preço  pago pelo próprio PT.

Será divertido acompanhar os sites e blogs do governismo, as torções da lógica para explicar cada promessa sendo desmoralizada e as evoluções na corda bamba quando as correntes do Governo se acusarem mutuamente, deliciarão os que se enfurecem com o espetáculo asqueroso encenado nestes redutos de jornalismo de sindicato petista.

2015 promete ser ainda mais generoso com quem escreve; falta de tema, ou desculpa de sumiço da musa não serão aceitos por leitores que exigem renovação de conteúdo.

Que estes leitores tenham neste blog um servidor.

E que este servidor seja, como espero que todos sejamos, dignos deste 2015 que vem correndo, correndo…

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