“Notas” – 03/01/2015

Avisado por um verbete da Enciclopédia do Jornalismo, visito no nascer do ano, o blog de Diogo Mainardi e Mario Sabino, “O Antagonista”. Uma boa notícia de início de 2015, pois sou admirador que sentia falta de Mainardi. Será mais um endereço obrigatório em minhas perambulações pela internet – sou fiel de uma dúzia de sete ou oito blogs e sites.

Li alguns posts. Ácidos, confirmando a dupla como alvo das arengas (que virão, ainda estão afetando desprezo) dos “jornalistas progressistas”, pois não disfarçam minimamente a intenção – a começar pelo nome do blog- de ser o espinho na confiança dos governistas na rendição da imprensa. A disposição em incomodar, de ser a risada desmoralizando aplausos ao Governo, de não dar sossego aos recém-empossados anima, além de divertir.

O blog tem um desenho inovador, permite que os comentários de leitores sejam lidos lado a lado aos artigos da dupla (não assinarão individualmente artigos, uma espécie de Lennon/McCartney do reino jornalístico), oferecendo aos leitores o que chamam os entendidos de “intertextualidade”. Os comentários geralmente nem são lidos pelos articulistas, a falta de tempo sendo a desculpa favorita para justificar o descaso a quem prestigia e trabalha de graça.

Não comentarei no espaço, se desejam saber. Minha carreira de comentarista seguirá somente nos blogs de amigos, os quais manifestam contentamento e gratidão pelo prestígio, penso que em seis anos de blog conquistei o direito de atuar somente onde valorizam meus acordes de caneta. Opinarei neste blog o que opinaria no blog dos dois jornalistas. E acredito que isto funcionará como estímulo a mais posts aqui, quem sabe?
Um bom bilhete de entrada para a aventura de um ano por enfrentar.

Longa vida ao “Antagonista”!

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Um tema que não abordei no texto de despedida de 2014, mas que penso ser importante, e não notado por jornalistas profissionais (não li menção a respeito) é a retirada (espero que não definitiva) de Helio Fernandes do palco da polêmica.

O seu blog era um dos endereços obrigatórios, visitava diariamente o que era o sucessor do jornal “Tribuna da Imprensa”, fixação desde minha adolescência e tema de alguns textos meus.

Textos de meu blog que foram publicados no 247 (quando colaborava com o site ainda não abertamente governista) e no blog da “Tribuna “ (quando HF esteve afastado por certo período) trataram da situação do jornalista mais antigo (do mundo?) então em atividade: esperando indenização e com novas gerações de leitores sem conhecer seu trabalho e importância.

Insisti também aqui no blog e junto aos jornalistas (em comentários) sobre a necessidade de registrar seu depoimento, a exemplo do livro congênere do Carlos Lacerda.

Tudo em vão, e parece que desta vez para sempre. Os golpes sucessivos em um homem de mais de noventa anos de idade – à perda de dois filhos e de um irmão companheiro de ofício (Millôr Fernandes), seguiu-se a perda da companheira de décadas de caminhada, D.Rosinha, mãe de quatro dos cinco filhos do jornalista. Da morte da esposa até hoje, nenhum novo texto, nenhuma nova coluna.

Acesso o blog diariamente esperando encontrar o ídolo de volta, logo me retirando, pois não aprecio a colcha de retalhos de blogs ditos progressistas que é estampada ali pelo atual Diretor. Leio, vez por outra, o Sebastião Nery.

Que diria o combatente veterano dos desdobramentos da Operação Lava-Jato? Que avaliação faria do Ministério? O discurso de despedida do Gilberto Carvalho no qual seu patrimônio modesto tornou-se argumento moral, ou o anúncio das novas regras para se recorrer ao seguro-desemprego (ou a mudança nas pensões) e o discurso de Dilma Rousseff na cerimônia de posse do segundo mandato ficam mais opacos sem suas tiradas, seus artigos que sempre ensinavam História do Brasil enquanto pingavam iis da História que sofremos no tempo atual.

A retirada de um gigante como este não merecer qualquer lamento, ou movimentação de jornalistas de nível para registrar em livro as memórias (Alberto Dines -e lembrem-se do que disseram um do outro – e Ancelmo Góis entrevistaram-no para o “Observatório da Imprensa”, escrevi sobre isto aqui no blog) do jornalista mais antigo em atividade no Brasil (talvez no Mundo) diz muito de nosso merecimento coletivo, em nosso destino merecido. Um povo (não falo de massa que não pode ser responsabilizada por isto) que trata com tamanho desprezo sua história e seus vultos merece a classe dirigente que tem.

O texto que escrevi (e que foi publicado no 247) tem título que infelizmente está se confirmando verdadeiro: “Hélio Fernandes, ou a justiça póstuma”.

Quando não contarmos mais com sua presença, talvez o reconhecimento venha. Não poucos evitam citá-lo por puro sentimento de temor dos patrões, por temer o contágio da antipatia que donos de empresas jornalísticas nutrem por quem sempre atacou o modelo de Jornalismo das grandes empresas: superficial e dócil aos poderes econômicos. Parece discurso de “blogueiro progressista”, mas não discordarei destes blogueiros brindados com anúncios de estatais se estes descreverem a terra como redonda. Muito da imprensa dita oposicionista pouco fez e faz para educar a massa, e o resultado é o avanço dos seus inimigos.

O temor da comparação quando o assunto é volume de trabalho também deve ser um fator no silêncio sobre Helio Fernandes. Durante décadas escreveu artigo diário, mais coluna de notas. Suas férias durante muito tempo foram compulsórias, não escreveu quando preso e confinado. E, como disse acima, sempre citando passagens, e ditos de personagens da História.

Os anos terminam por tomar os melhores, e no Brasil não há reposição suficiente de material.

O abismo engole os que contribuíram para atenuar nosso complexo de inferioridade, vomitando o deserto que faz desistir, que torna os homens fatalistas, enquanto avança a cada ano com o combustível do merecimento dos brasileiros inconscientes.

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“Está assistindo a posse da Dilma?”

“Não, verei o compacto em algum noticiário, minimizando a tortura”.

Por que assistir a coroação da incompetência da Oposição, Oposição aconselhada pessimamente? Por que me submeter à oratória dilmesca?

Qual mal fiz em meu blog ao idioma e ao encadeamento de ideias para me penitenciar com discurso que não logra harmonia interna mínima?

Que me obriga a contemplar o desfile de números que sempre perdem crédito quando conferidos, e projeções que são desmentidas pela lógica?

“Para saber.”

Não, não preciso ver para saber. Lembro da Susan Sontag respondendo algo do tipo aos amigos que insistiam para que assistisse entrevistas e pronunciamentos de Ronald Reagan.

Certas coisas prescindem de testemunho visual e auditivo, pois torturas e aviltamentos que não contribuem para formação de mente crítica, uma vez que emburrecem os não-convertidos pela fúria que provocam. Dilma Rousseff falando, sobretudo em posse, é exemplo do que evito tomar conhecimento direto.

Melhor ler e refletir sobre falhas minhas e de meu meio durante o tempo da atração televisiva, para que ao menos gerações seguintes tenham outro Destino.

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