“Notas”- 31/01/2015

O benefício que esta gente faz

Escrevi (texto publicado no blog em 2 de Agosto de 2011 e publicado também no 247, quando eu ainda colaborava com o site, ainda não abertamente chapa-branca) texto intitulado “A Educação Política dos Brasileiros”,  sobre a dificuldade do brasileiro médio de acompanhar em tempo real todas as denúncias envolvendo a classe política, sobretudo a facção no Poder:

“Que dizer da profusão de denúncias de favorecimento, acompanhadas de provas em cascata, reproduzidas em jornais e revistas? Quem honestamente não confunde enredos que pouco ou nada diferem entre si? Lembro de Heráclito Fortes (no auge da crise do Mensalão) se queixando de não mais conseguir ler a edição inteira da “Folha de S.Paulo” num voo de Brasília para Teresina, por conta dos desdobramentos de escândalos que engrossaram o jornal. Conseguiria hoje num voo de Teresina a Porto Alegre?”

Claro que passados alguns anos e outros escândalos, o texto não só continua atual se o considerarmos superado pelo que veio depois – voos internacionais somente podem compreender a leitura de tantos escândalos. Lidos nas edições on line, naturalmente.

O que não aconteceu ainda foi a repulsa eleitoral definitiva, mas esta não parece tão remota assim, pois o conjunto dos estragos tem tornado o povo menos resignado. Confia-se na Justiça Divina, mas a fome por justiça feita aqui no plano material tem se tornado mais veemente – e mesmo os mais dispostos a acreditar em justificativas oficiais perderão a credulidade patológica, após o desfile das promessas adiadas”para quando der”.

Onde a grana? Farão o que com o dinheiro recuperado? Mudarão as leis para que a tentação da desonestidade tenha que se vestir em trajes mais persuasivos? Os chefes maiores da máquina novamente não serão levados à Justiça? Perguntas que as ruas fazem não mais entre dentes, mas berrando, a todo momento. Não importando com os defensores do Governismo, sempre vigilantes, sempre dispostos a emitir suas tolices que não convencem sequer crianças.

“Quem já não encontrou eleitores de partidos e políticos denunciados que dão de ombros, declarando votos em notórios infratores com o argumento: ‘este pelo menos faz’?É o cinismo cívico em pleno vigor no Brasil.”

Este parágrafo continua um tanto atual, mas com um acréscimo: os ditos eleitores recalcitrantes estão mais envergonhados, pronunciando a justificativa indecente com a cabecinha mais baixa, o queixinho menos insolente.

“Pergunta-se hoje quem será o ministro demitido de amanhã como se pergunta quem assassinará Salomão Ayala no remake de “O astro”(remake no ar por ocasião deste texto, esta frase sendo a chamada para o artigo, no 247)- semana retrasada Ministro X, semana próxima Ministro Y(…) quem diria que chegaríamos a este desinteresse há vinte anos?”

Hoje não noto tanto desinteresse, mas dificuldade em acompanhar, a mesma dificuldade (e o mesmo interesse) que ocorriam aos interessados em política na ocasião, agora manifestados em gente sem leitura, mas que sente no dia a dia o País piorando,  como se vivesse em pesadelo vertiginoso de um sono longuíssimo, comatoso, do qual quer despertar o mais depressa. O Brasil oferece o Inferno aqui agora, em vida – aos que constituem a maioria do lado de fora do clube onde celebram grandes negócios, no Paraíso construído sobre o chão batido por lágrimas e suor dos milhões que sobrevivem, somente sobrevivem.

Dirão: “Foi sempre assim”.

Direi: “Mas quando se vislumbra uma vida decente, menos horrorosa, ainda que tal vislumbre tenha sido uma miragem, promessa destinada a não ser cumprida jamais, a resignação fraqueja um bocado.”

O que estes ocupantes do Poder fizeram- prometendo conforto sem sacrifícios, glória sem méritos- e o que eles oferecem de concreto – constituem o bem supremo à História deste País:

O despertar do ressentimento contra os sedutores da massa, a prevenção aos demagogos.

Que este método pedagógico tenha na Oposição (digo Oposição no sentido maior, de políticos profissionais aos formadores de opinião) colaboradora sem desejo de descansar lembrando promessas e a vida real.

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Também respondo pergunta de Augusto Nunes: “Você conhece algum petista desempregado?”

Bravo Augusto, nunca vi petista desempregado.
Nem filho de petista.
Nem genro de petista.
Nem nora de petista.
Como desempregado não vejo o defensor do petismo no ponto de ônibus,
ou funcionando como Militante de Ambiente Virtual (MAV).
Pendurado em alguma ONG, o petista está,
ou como Mestrando ou Doutorando – defendendo teses  do tipo “Análise Semiótica das Letras de Funk Ostentação”.
Petistas desempregados não veremos entre muitos artistas- estes terão sempre agenda cheia, com seus benefícios de leis de incentivo assegurados,
mas críticos do Governo ouvindo “Não há vagas”, ou “Sua redação demonstra desconhecimento da língua”,
tenho visto vários.

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Novo visual do blog

Acometido por sentimento (tardio) de piedade dos leitores que gastavam suas vistas, decidi mudar de tema, adotando um que oferecesse letras maiores. E escolhi um modelo que deixou o blog mais agradável de ler, além de bonito.

Amigos aconselharam mudanças, dentre os quais Valentina de Botas e Ricardo Setti – que aconselharam o negrito nos títulos das notas. Sugestões destes dois talentos (que já abrilhantaram este blog com seus comentários) são ordens. Fernando Morais nos agradecimentos ao Setti, em “Corações Sujos”, repete sobre ele o que Carlos Lacerda dizia de Julio de Mesquita Filho:”Uma pessoa com direito de me dizer o que fazer ou deixar de fazer.” Assino em baixo.

Aos amigos (que sempre sugeriam mudanças que não sabia realizar) e leitores (que permaneceram apesar do castigo de enfrentar um blog desagradável aos olhos), ofereço meus esforços de neófito nas artes gráficas, apanhando bastante, mas com prazer.

Este blog é a serviço.

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2 respostas para “Notas”- 31/01/2015

  1. Valentina de Botas disse:

    Caríssimo Fernando,
    O blog ficou ainda mais lindo. Você gostou? Estou sempre na correria, mas virei mais vezes. É um prazer. Obrigada e um abraço

    • fernandopawlow disse:

      Valentina, gostei muito do resultado, sim. Agradeço, e conto desde já com seus comentários ( excelentes) sempre que a luta permitir.Os amigos deste blog têm ajudado este neófito a tornar o blog bonito,e de leitura que seja prazerosa, e não o exercício de masoquismo que era antes das colaborações .
      Mais uma vez,muito obrigado e um abraço do seu leitor,
      Pawwlow

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