“Notas” – 26/02/2015

“Um transporte público de qualidade – serviços para o Cidadão” 

 

As autoridades garantem que “o foco” é o “cidadão”- seu bem estar e segurança. Burocratas zelando para que a existência de milhões seja produtiva e sorridente.

Como dão expediente em cidade onde mesmo associações de usuários usam aplaudir seus desempenhos, os burocratas não veem mais que o cumprimento do dever nos gastos de publicidade oficial. Quantos vozes não ouvi em filas de ônibus defendendo aumentos e supressão de horários? Logo…

Não foi a primeira vez. Num destes ônibus ditos suplementares, caixotes de teto baixo e corredores estreitos e curtos sobre rodas, o desembarque deve ser o mais veloz, como se os usuários usufruíssem de um favor, e não de uma passagem de R$ 3,10. Minha mãe pela segunda vez não desceu com a presteza exigida, e o motorista não se viu na obrigação de esperar mais que um segundo para fechar a porta. Da primeira vez, abriu a porta quando avisado, desta vez, não.”Que a velha desça no próximo ponto para deixar de ser lerda.”
Partiu sob protestos de usuários: ”Pára, Ô filho da puta”.  ”Safado, você precisa levar umas porradas”.  Não só homens gritavam, mulheres também. O Covarde -Adjunto, da cadeira de trocador, apenas gesticulava: ”Que se pode fazer? Desça no próximo ponto mesmo”.
Minha mãe desceu uma rua abaixo, portanto, com filho (eu) e neta já desembarcados, o motorista não abdicou de sua autoridade. Confesso que por uma sorte dele, e minha, embarquei sem o olhar, pois responderia por agressão e ele escapou de uma surra merecida. Minha mãe tem setenta anos.
Assisti cenas do tipo vezes sem conta, velhinhos, ou algum passageiro de muletas correndo no ponto, em vão. A autoridade de camisa azul e cara chupada de verme avançando enquanto praguejava ao trocador, que se ria. O rosto recalcado do jeca com poder de recusar passageiros, ou avançar à toda, provocando quedas, sem temer qualquer conseqüência.

“Já experimentou ligar para a BHTrans?”  “

“Sim, você já ligou?”

Exigem o número do veículo (como você não anotou ao subir a placa, o número do ônibus, ou o segundo exato do embarque?) e pedem que o usuário se identifique. Como fossem tomar alguma providência. Providência tomam alguns usuários que surram alguns destes delinqüentes. Que se reúnem nos pontos finais para acertar contas com covardes.

Que denunciem o blog por apologia da violência!

Nunca vi um patrulheiro do discurso ”Eles são trabalhadores” pegando ônibus, sendo humilhado, ou perdendo compromisso porque suas excelências resolveram enforcar horário.

Nunca vi ônibus respeitar faixa de pedestre, diga-se. Aqui Lara Velho teria que criar uma comunidade no facebook, o “Faixa de Pedestres para Pedestres Já”(as calçadas tomadas por veículos não têm uma Lara Velho para as fotografar, e suspeito que se tivessem, a defensora dos pedestres apanharia do dono do carro, sem polícia para socorrer).

Lembro de uma greve de patrões na qual trocadores após recolher pagamento mandavam passageiros descer. Os que apedrejavam os ônibus eram presos.

Aqui em BH é assim. Sempre será. Porque sempre foi.

Mas nunca vi sorriso mais branco e reconfortante que os exibidos  nas propagandas da Câmara Municipal e da Prefeitura.
E a torcida pelo Oscar?

Não assisti a cerimônia do Oscar e não conheço quem tenha assistido.

As anedotas politicamente corretas, os números musicais (vi no dia seguinte Lady Gaga, o que parece ter sido a única nota memorável da noit) rotineiros, as homenagens aos mortos do ano…parece que houve um sujeito de cuecas.

Não assisti a um único filme entre os indicados, e não os imagino como clássicos daqui a décadas. O politicamente correto é ferrugem que a tudo devora, e o cinema de Hollywood até demorou a desmoronar. A cidade mais importante do país convertida em parque temático para turistas endinheirados não é sinal de uma fratura difícil de reparar?

O imaginário das nações diz mais que projeções e estatísticas, o indicador mais confiável do que uma civilização espera de si. O que vejo do imaginário dos Estados Unidos sugere doença espiritual debilitante, transmitida pelos pensadores da casta acadêmica. Nada se pode dizer com a franqueza necessária, as minorias são demasiado sensíveis.
O Brasil não está nada melhor, ao contrário. Importa as doenças mentais e de linguagem, somando-as às próprias. O cinema brasileiro aceito, o ”cinema mauricinho”, como denunciado pelo Neville d’Almeida é o sintoma definitivo do que estamos fadados a permanecer: obtusos, ignorantes de nossa História, e portadores de uma linguagem de berçário.
Não sei como esta festa acompanhada em tantos países sobreviverá aos bocejos, à indiferença de quem prefere assistir alguma série na TV, ou no computador.
Vestidos e penteados deveriam ser reservados ao momento da grande autocrítica, a uma paródia de premiação.
Que fossem premiados o “Roteiro menos Original”, a “Trilha Sonora mais Pastichosa”, os “Piores Figurinos”(os figurinos inapropriados nos filmes de época merecendo atenção), os “Piores Diretores (havendo duas sub-premiações: Os ”Cineastas Decadentes” e “Cineastas Menos Pessoais”, este dedicado aos diretores com maior capacidade de obedecer ás regras dos grandes estúdios). Os “Filmes Mais Esquecíveis”, e outras distinções ao que o cinema produz de francamente descartável.
Seria uma noite histórica, um sopro de vida.
Naquele país , onde o senso de sobrevivência sempre está à frente do cuidado com etiquetas sociais, isto é possível, aqui….

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