“Notas” – 28/02/2015

Uma apenas confirmação

 

Assustam-se alguns com os ”Camisas Vermelhas” surrando manifestantes anti-PT.

Não era o que se prometeu?
“Eles apanharão nas urnas e nas ruas”. Quem o disse?

Na ocasião, a justificativa coube à instância lingüística da “figura de linguagem”, como se figuras de linguagem não expressassem desejos e projeções, em si.Como se estas fossem escolhidas entre tantas por mero descuido. Mas o quê, dito no Brasil, não merece a mesma desatenção criminosa? Quantos avisos não são dados, e tomados pela platéia como blague ou blefe? ”Eles não teriam coragem…”

É… Pois é…
Eles farão nas ruas o que fazem há doze anos nas caixas de comentários, onde insultam, ameaçam, elogiam crimes, sem temor de punições. Sem que os titulares dos espaços sejam sequer incomodados.”Deixa…”, diz a vítima da curra, quando a pressente inevitável.

Eu durmo tranqüilo, o que escrevi no blog sobre agressores de internet enviei ao 247 (quando colaborava com o site, ainda não descaradamente governista) e ao blog “Tribuna da Internet”- em ambas ocasiões sendo acusado de censor – e voltei ao assunto periodicamente. Soou talvez exagerado chamar as caixas de comentários como “caixas de esgoto”. Almas sensíveis, compreendem?
Nunca deixei de enviar aos articulistas de “Veja” advertências sobre ex-jornalistas que incentivavam estas agressões verbais em seus espaços na internet governista. Fui, não raro,tratado como ou louco ( que avistava fantasma ao meio-dia) ou futriqueiro.
Hoje estão partindo para ações menos retóricas, mais reais. Sob aplausos dos mesmos incentivadores das violências meramente retóricas. Hoje pensa-se, amanhã fala-se sem inibições, depois de amanhã deixa-se por escrito e logo após, concretiza-se em atos os pensamentos da anti- anti -véspera.Que há de novo nisto?
O Brasil assistiu em sua História alguns empastelamentos de jornais, logo precedente os há. Mas quem parece animado a estudar História antes de se rotular estudiosos como lunáticos?
“Mas o ex- Presidente teve coragem de ameaçar o País com o ‘Exército’ do MST!”. ”Em plena Associação Brasileira de Imprensa!” Sim, entidade convertida em (mais um) escritório do PT.Aplaudido por intelectuais e artistas, notadamente por membros da Família Barreto, que produziu cinebiografia(cinebiografia sobre a qual tratei aqui na ocasião) do mesmo Lula, em pleno mandato.Quem faz isto, aplaude, assovia como apaches (como dizia Nelson Rodrigues), carrega no ombro, etc.

Foi um momento histórico este, o da simultaneidade entre a ameaça ( anúncio) do ex-presidente e a surra dos militantes sobre os “golpistas”. Surra esta prontamente justificada nos mesmos sites e blogs que interessados como eu “perdem tempo”em seguir as pegadas .
Quando empastelarem para valer (não meras pichações ou juvenis arremessos de lixo) alguns destes órgãos do dito PIG, com MAVs tomando as redações, não lamentarei. Não lamentaremos, pois quites com nosso senso de dever.
Penso (e acredito poder dizer por todos que avisaram) que será merecido,que será mesmo preço razoável a se pagar pela lição histórica. O último empastelamento deve ter sido por volta de 1964, está na hora de repassar-se a lição.
Que estes herdeiros aprendam! Que pensem muito na hora de dar emprego aos portadores de diploma que se queixam de ter que ler e cumprir o horário ganhando o piso salarial (vejam a próxima nota, por favor).
Que se cerquem de intelectuais, como seus pais se cercavam.
Que valorizem seus valores, no lugar de enconstá-los como velharias, como lixos necessitados de museus.
Ou merecerão mesmo desaparecer!

Querem saber como se começa ?

Li hoje no “Jornal da Pampulha”que o “cineasta inglês” Orson Welles visitou a zona boêmia de BH, em sua visita ao Brasil. Da visita já sabia, mas não da nacionalidade inglesa do cineasta nascido no Wisconsin. Qualquer clique rápido na internet traz esta informação,não é necessário assistir-se nem mesmo o “Citizen Kane” para saber que o homem de teatro e cinema era norte-americano.

Mas sabe como é….o sujeito tem que fechar o caderno cultural (já escrevi no blog sobre o perigo de se instruir por tais veículos) e o que o patrão paga não justifica o esforço mínimo.E assim trocam-se nacionalidades sem temor de perder emprego e, afinal, os donos de jornais não perdem um centavo com isto (quem cancela assinaturas por conta de barbeiragens?).

Vi outro dia discussão interessante: uma pesquisadora, tendo que escrever sobre determinado filme, obrigou-se a ler o livro no qual se baseou o roteiro. E defendeu esta necessidade.Afinal,o filme,um sucesso, só foi filmado (com grande volume de recursos empregados na promoção de obra medíocre) pelo sucesso comercial que o livro obteve.
Em dias menos miseráveis intelectualmente, nem se discutiria esta precaução, reputada como elementar. Hoje não:

“Você é pedante! E se cerca de citações para impor autoridade do conhecimento. É… prepotência escorada em leituras. Você não engana, não. Deseja calar as manifestações dos vários saberes. “
A cada justificativa, a cada amostra do absurdo de se resenhar filme sem ler o livro-pai da obra, mais agressões verbais, mais exibições de repúdio a quem lê.
“Talvez você possa se dar ao luxo.Eu,com o piso salarial, não tenho como ler todo livro que filmam.”

Nem obras filmadas que são citadas em filmes de Quentin Tarantino escapam da classificação de “conhecimento acumulado de forma pedante”.

Acreditam que Pai Mei, por exemplo, foi uma criação do diretor de “Kill Bill,Vols 1& 2”, e não personagem de filme dos anos 70.
A discussão terminou por desânimo da pesquisadora, que concluiu, sabiamente, que discutir com gente assim é legitimar interlocutores que elogiam a ignorância como valor ético. ”Que vençam os imbecis, me rendo!”
O chato é que gente do tipo escreve em jornais, dá aulas…

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