“Notas”- 05/03/2015

Mirando na fumaça

Leitores me enviam material anti-governista por email, links de Facebook sobre as últimas do Foro de São Paulo e o Movimento dos Caminhoneiros (sobretudo o que não vemos nas TVs), entre outros.

Agradeço, confiro (filtro o mais que posso) o material, e penso:
“Que estes combatentes consigam o que não tentaram nos dias do Segundo Turno.”
Escrevi naqueles dias – e o arquivo do blog o confirma- sobre a legitimação do que não poderia ser tomado como legítimo. Agora…
Sou um cético quanto a qualquer movimento de derrubada deste Governo; penso que o melhor é deixar que a desmoralização siga seu curso, obedecendo à lógica do “Quanto pior, melhor” sem qualquer culpa, pois esta é pedagogia para os cidadãos de uma democracia mal ajeitada, presenteada ao País pelo desgaste de uma Ditadura inoperante.
Que preparam para a guerra psicologia que se anuncia? Como pretendem denunciar como traidores os medalhões que, em caso de uma guerra do Brasil contra exércitos bolivarianos declarem seus apoios aos “progressistas”? Muitos que me enviam estes materiais não se fazem esta pergunta, não se colocam problemas de natureza psico- social, acreditando em uma queda por conseqüência dos desdobramentos da Operação Lava-Jato, ou da piora da economia. O governo cairia de podre, em suma.
Não tiveram a organização de exigir do candidato oposicionista a renúncia à candidatura que se afigurava derrotada pelo terrorismo dos petistas, deixaram o barco correr para a foz de uma eleição que legitimou, por si, o Governo, e apostam tudo em convulsões sociais?
Enquanto estes líderes não tomarem a coragem de romper com a imprensa tucana, e negar legitimidade aos interlocutores da casta acadêmica, todo esforço tenderá para o fortalecimento do Governo, e das forças que o apoiam, que o tornaram possível.
O inimigo não está no Planalto. Esta senhora é apenas o elemento mais visível de um elemento que se não atacado em suas reservas de força,não tardará em se materializar em outra encarnação, mais elástica e resistente.

As dicas já estão sendo dadas neste sentido:
Hoje, um jornalista historicamente ligado ao PT exige renúncia, amanhã uma facção de movimento social declara não se considerar representada no atual Governo, e mudam-se todos os integrantes deste esquema de forças para outro “coletivo”, ninguém perdendo, todos garantindo a sobrevivência política na euforia da derrubada de um governo impopular.
Não aprenderam a desconfiar desta gente, em suma.
E sem nutrir a desconfiança de quem merece somente a desconfiança, prepara-se a volta (merecida pelos descuidados e desinteressados cidadãos que não estudam História) de todos os traidores.

Não!
Que apodreçam em público pelos próximos quatro anos!
Que apresentem o striptease repulsivo, os quadros do Governo e seus apoiadores na Academia e no mundo cultural. Que Lula discurse mais vezes, apresentando ao Mundo sua oratória de ódio entre brasileiros e conclamação à violência contra descontentes -sua decadência como homem de palanque sendo a sua face derradeira no registro histórico.
A visão desta nudez marcará o inconsciente coletivo por muito tempo, enquanto o tiro na fumaça fará rir os cozinheiros do Inferno apenas.

Um cartão postal de BH

Amigos cariocas visitando a Igrejinha da Pampulha sentiram a desolação das almas sensíveis frente aos jardins abandonados (“Este o jardim de Burle Marx?”) e ao desleixo que caracteriza a Pampulha. Um cartão postal no qual o visitante é apresentado ao mau cheiro da lagoa, enquanto peleja para não ser atropelado pelos ciclistas que avançam à toda nas calçadas:
“Ei Zé, eu te atropelo, Tio”, grita o adolescente, no gozo da boçalidade sem o freio de qualquer autoridade visível.
Faixas de pedestre de uso meramente ornamental e grandes trechos sem semáforo dissuadem os visitantes mais animados- fica-se na dependência da boa vontade dos motoristas.
Não há um banheiro público para visitantes ( que deverão dirigir-se ao Parque Guanabara, rezando para que o banheiro esteja vago) e mesmo para os usuários rotineiros do espaço.O vaso sanitário tomado por luxo em um cenário conhecido mundialmente.
Falar em turistas, já vi chineses e franceses. Um francês me pediu informação em inglês: ”Bom, inglês você deve falar, como faço para chegar ao Centro da cidade?”, no tom irônico de quem percebe nossa colonização cultural, mas com o semblante preocupado de quem não obteve informações satisfatórias das placas, e de nenhum funcionário da Prefeitura.
Devo ter enviado uns dois ou três emails à Prefeitura, e dois, com certeza, ao “Jornal da Pampulha” reclamando da obediência facultativa às faixas de pedestre da Av.Fleming. Não obtive resposta em nenhuma das tentativas. Não imagino recorrer a outro órgão da Imprensa.
Não confio muito na Imprensa que à crítica do atraso da cidade saca do colete arengas contra o “Eixo Rio- São Paulo”, entre outras baforadas de naftalina provinciana. Que trata o idioma com desleixo criminoso, e que é muito responsável, enfim, pela eleição de um governo petista no estado.Não perco meu tempo, nem surro o fígado em vão.
Levo os amigos ao Mercado Central, e eles e eu nos sentimos pagos.

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