“Notas” – 07/03/2015

Por que sou contrário ao Impeachment

Leitores (sobretudo os que leram o post de Quinta-Feira) que são interlocutores me perguntam a razão de minha amargura com os oposicionistas que defendem o impeachment da Presidente Dilma Roussef, principalmente onde digo: “Que estes combatentes consigam o que não tentaram nos dias do Segundo Turno”.

“Eles ao menos fazem alguma coisa”.

Bom, o blog tem em seu arquivo diversos textos que escrevi nos dias da eleição, nos quais declarava meu ceticismo quanto à vitória de Aécio Neves- e mais do que isto, desconfiança da capacidade do PSDB de governar o Brasil em caso de uma vitória. Logo…

Os que defendem o impeachment acreditam ser esta a última chance do Brasil libertar-se deste esquema de Poder, ligado ao Foro de São Paulo- ou aproveita-se esta maré de descontentamento, ou seremos baleados nas ruas por milícias de boina vermelha e sofreremos filas por um rolo de papel higiênico, etc, etc,”como na Venezuela”. Mas se dependemos inteiramente do instituto do impeachment para nos livrarmos desta sorte, nela cairemos por outros meios. Pois o impeachment da Presidente não desinfetaria, por si, a máquina do Governo de milhares de petistas, ou mesmo afrouxaria, por simples conseqüência, o domínio da casta acadêmica sobre o País. Há um longo e penoso ajuste de contas com as fantasias que intoxicaram as massas e este ajuste exigirá seu quinhão dos tucanos, co-autores de muitos dos estragos que os petistas conseguiram, por sua gula e obtusidade, agravar. Estarão dispostos a rever seus conceitos de social-democracia?

Quantos textos não escrevi (e avisei articulistas que respeito, como Augusto Nunes e Ricardo Setti) sobre a necessidade de denunciar com destaque a ação de MAVs na formação de uma opinião pública artificial, porém eficiente pela inércia de suas vítimas tucanas? Quantos textos escrevi (com o mesmo cuidado de divulgar mencionado acima) sobre a necessidade de combatermos sem esperar resultados eleitorais imediatos, antes discutindo políticas públicas, com o realismo quanto ao tempo de maturação das massas? Ponto de vista também defendido em artigos nos últimos anos pelo político mais estudioso destas questões na Oposição, José Serra (elogiei aqui seu trabalho de semeadura):

https://fernandopawwlow.wordpress.com/2013/10/29/notas-29102013/

Portanto, esta modesta folha de serviços me autoriza a vislumbrar nesta onda de impeachment mais uma desconversa de quem podendo combater o monstro ainda em gestação (ou em processo de adolescência no Poder) aposta suas fichas nesta miragem.

Poderemos nos considerar livres deste esquema de Poder se os professores universitários continuarem sua obra de lavagem cerebral e de intimidação dos descontentes, trabalhando doravante para o retorno do PT ou para a migração para outros “coletivos”ou siglas de linha auxiliar, sem qualquer punição por esta militância em horário de trabalho?

Poderemos nos considerar livres deste esquema de Poder se artistas beneficiários de leis de incentivo continuarem sua política de domínio da máquina cultural, elogiando inimigos do País (sob o pretexto de elogiar setores “progressistas”)sem qualquer temor de um julgamento mais severo (e competente) da Imprensa e de revisão de contratos?

Poderemos nos considerar livres deste esquema de Poder se militares que se declararam tranqüilos diante das ameaças do ex-presidente Lula de iniciar guerra com “os exércitos do MST” continuarem em seus postos de comando?

Poderemos nos considerar livres deste esquema de Poder se a imprensa do Governo seguir subsidiada e impune pelos textos insultuosos ao Poder Judiciário que publicou (seja em matérias, seja nos comentários dos MAVs)?

Penso que não- que será até melhor o PT continuar no Governo e colher as fúrias dos descontentes que não hesitarão em cobrar do partido mesmo equívocos de outros governos.Que a ignorância e o fanatismo se voltem contra quem os fomentou, pois.

Que o Mundo tenha o direito a assistir mais performances grotescas do ex- Presidente ameaçando instituições com suas tropas de “militantes sociais”e as peças de oratória da atual ocupante do cargo-sobretudo acompanhada pelos corais de vaias e gritos de obscenidades.

O que não dá é livrar as massas de pagar por suas escolhas e os oposicionistas por comodismos e covardia. Seria roubar de ambos o direito ao aprendizado da arte da Política, aleijar de vez as mentes dos brasileiros. Não se faz isto impunemente- os mesmos crimes serão repetidos contra a Democracia de novo, de novo e de novo.

Tudo o que deve ser combatido pode o ser com a atual presidente no cargo -se não o fazem agora, depois alegarão seguramente falta de tempo, e assim os mesmo senhores e as mesmas ideias voltarão ainda que em outras siglas.Por ex:os caluniadores e insufladores de ódio entre os brasileiros não podem ser combatidos agora? E se não podem mesmo, por que o seriam depois? Muitos dos homens insultados pela imprensa governista são homens ricos e poderosos e não estamos numa Venezuela (ainda), portanto, porque não utilizam do Poder e dinheiro para combater, sobretudo em nome dos que não possuem o mesmo dinheiro? E são precisamente estes que militam na tese segundo a qual um impeachment devolverá ao Brasil a segurança e a plenitude democrática.

Olavo de Carvalho notou que este partido não é um partido como os outros, disposto a jogar o jogo democrático e propor suas ideias numa sociedade plural- é antes um movimento revolucionário, com nítido propósito de Poder, de domínio da sociedade. Logo, removê-lo sem remover os pilares (casta acadêmica, setores do Poder cultural reinando sem contestação aberta, movimentos ditos sociais acintosamente contra-institucionais, etc, etc) sobre os quais este projeto se sustenta é fantasia, somente fantasia.

Jornalistas historicamente ligados ao PT engrossam o coro dos que advogam a queda da Presidente sem tocar nas culpas do seu patrono, e isto é claramente campanha lulista. Outros, por sua vez, criticam abertamente o PT sem combater suas ideias, e isto é claramente campanha do esquema de Poder, agora com outro carro abre-alas.

Todos -os da Oposição, por incompetência e os partidários do esquema de Poder,por cálculo- contribuindo para o retorno –desta vez definitivo -do Monstro.

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