“Notas”- 12/03/2015

Transformando medo em coragem

“Vê por que esta mulher tem que ser impeachmada?”,me diz o interlocutor após assistir a reportagem da série sobre a Venezuela, exibida no “GloboNews”(que deveria ser exibida no canal aberto da TV Globo para público decisivamente maior).
“Quer que este seja nosso amanhã? Removam esta senhora sem amplo movimento que abale definitivamente seus sustentáculos na mídia e na academia e precisamente este pesadelo venezuelano será nossa realidade na provável volta desta gente, vítima de um golpe da mídia,das forças reacionárias, etc, etc. E teremos esta gente, ainda que sob outra sigla, mas com fome renovada de Poder e no domínio completo da massa moldada segundo as projeções de que seus pretensos defensores foram golpeados pela mídia.Impondo a política econômica que nos traduzirá o modelo venezuelano à perfeição”.
A guerra que está se desenvolvendo na internet e que ganhou as ruas, numa propagação de febre, não deve ser abortada em um movimento “Fora Dilma”, e sim prolongada na longa caminhada que nos dará como prêmio o ódio compacto das massas ao esquema de Poder.Quatro anos que nos livrarão de um retorno que será fácil quando a primeira adversidade econômica de um novo governo surgir.Quatro anos que semearão no ânimo popular repulsa orgânica a tudo que esta gente representa,defende e personifica.
Desperdiçar isto- o nojo aos esquerdistas do modelo pró-cubano por parte de setores vastos da população- em nome de um alívio imediato terá em si o preço deste alívio ser passageiro também. Em quatro anos, estes simpatizantes do bolivarianismo não conseguirão implantar no Brasil a economia do país de sua simpatia, mas em um retorno, desta vez definitivo, terão todo o tempo e meios para isto. Em alguns anos, os mega armazéns estatais ou de empresários sócios do Estado com filas cobrindo quarteirões, serão nossa realidade concreta. Com os funcionários do Governo defendendo os responsáveis, com os argumentos rotineiros: defesa dos nossos mercados e das nossas reservas naturais que são cobiçados pelos imperialistas, e da política governamental de abastecimento que sofre com ação dos sabotadores, etc, etc, etc.
Pois a História não usa perdoar os afoitos que calculam para a semana seguinte as ações e estratégias que exigem anos e décadas para seu desenvolvimento. Os campeões da história instantânea (aí no sentido de café instantâneo, sim?) parecem negligenciar o fato de que as mentalidades demandam tempo para se cristalizar.
E oposicionistas que tiveram meses e anos para elaborar táticas de ação contra o atual esquema de Poder e não o fizeram querem em poucos dias reparar suas negligências e omissões, que tornaram possível a eleição e posterior reeleição de Dilma Roussef.
Não, senhores. Há um longo caminho que passa pela mudança na lei eleitoral, na reforma política (não a defendida pelo Governo, claro) e na ocupação de espaços na mídia.
O ânimo das massas terá assim um sustentáculo político que permitirá mudanças no quadro das classes dirigentes. As classes dirigentes que militam na Oposição precisam estimular esta renovação caso desejem um dia voltar a ser classe dirigente de fato, sem ameaças de setores do populismo autoritário, sócio de populistas autoritários do continente. Custará muito em trabalho e tempo, mas valerá a mercadoria, acreditem.
Apostar em rompantes, ainda que legítimos e de grande escala, pode ser arriscado como apostar num investimento bafejado pela mídia como seguro, sem qualquer comprovação concreta de o ser. Não será o primeiro cavalo bonito e bichado no qual as elites apostarão, não é verdade? Alguma lição sobre apostas políticas e empresariais recentes deve ter ficado nestes cérebros excitáveis à propaganda, acredito.
O investimento na formação de novos quadros na política partidária e na mídia, com a paciência necessária para esperar o fortalecimento destes novos combatentes, é algo que por mais que pareça remoto, é mais seguro.
É preciso converter o medo que as imagens de nossos vizinhos provocam em coragem para o esforço de impedir que seja este, precisamente este, nosso futuro dentro de poucos anos.
Avaliar com lucidez e calma o quanto estes destruidores do País já avançaram e o quanto falta por avançar e destruir por completo é o trabalho a ser feito.
Construir novas alianças com parceiros antigos, por paradoxal que pareça, sobretudo reforçando laços com inimigos comuns desta gente, em termos que revelem maturidade e deem aos parceiros externos a segurança para salvar o que ainda resta de liberdade.
Isto exige mais que marcar marchas pela internet, ou elaborar memes divertidos.

Uma demonstração dispensável-e bem vinda

As manifestações governistas marcadas para a sexta-feira 13 serão desperdício de tempo e de material humano, que provam o quanto estes senhores do esquema de Poder são possíveis de ser enfrentados com lucidez e estudo. Pois somente convencerão os zumbis de sempre com o acréscimo de provocar os inimigos recém conquistados da maioria da população.
Quem, com inteligência mínima, convocaria manifestações neste momento, com a CPI da Petrobrás em plena fervura, com o depoimento do Pedro Barusco ainda fresco nos ouvidos (e as defesas em plenário, aos berros ,do Governo Federal – um espetáculo do envilecimento das instituições promovido pelo braço parlamentar do Governo)do Brasil, com os números impressionantes ( e talvez anestesiantes,pelo absurdo do montante) da rapina?
Quem, senão um completo alienado, invocaria as vozes da rua com o índice de desaprovação inédito na História do Brasil, sobretudo a um Governo em seu apenas terceiro mês?
Quem, senão um primário incorrigível, convocaria os “exércitos do MST” para demonstrações de força em um momento tão impróprio, com a população francamente adversa?
Com inimigos como estes, o único trabalho que se tem é deixá-los prosseguir.

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