“Notas”- 04/04/2015

Inimigos do povo contra redução de Maioridade Penal

Ah, o Brasil e as discussões atrasadas, e mal colocadas! Com inúmeros casos de assassinatos bárbaros cometidos por “menores de idade” (que podem votar) enfim cogita-se acabar com o fetiche jurídico da maioridade penal – mas como de hábito, não aposentando o critério etário e sim estabelecendo outro número- fetiche: 16 anos.

A maioria da população – a que mora em bairros entregues aos delinquentes, que se desloca para trabalhar em ônibus e trens  superlotados, que vive dentro da Lei apesar de falta de recursos – pensa que o critério a ser adotado é o da periculosidade do criminoso, não sua idade. Mas como é gente que, mesmo por sua condição sócio – econômica, não se articula, vive refém dos legisladores que se deixam tanger por grupos de pressão (sobretudo os que agem nos meios de comunicação) e nada pode esperar de concreto quanto à solução de preocupações sobre violência.”Não tem voz, não tem vez”- como diria antigo lema do MDB.

Quem treina gritos e demonstrações nas Universidades consegue impor sua agenda, sim? Aqueles barbudinhos afeminados, filhinhos de papai que nunca sofreram qualquer assalto e que reagem a qualquer piada sobre eles ameaçando processar, têm maior poder que milhões de trabalhadores vítimas da violência. Afinal, quem na Imprensa realmente luta por multidões de esquecidos? Mesmo em veículos tidos como de “Direita”, poucos se atrevem a dizer as coisas de modo conclusivo: “Matou, assaltou,estuprou? Cana dura mesmo se criança!”

Os “doutores em causas da violência “ são, como já anotei neste blog algumas vezes, ouvidos como autoridades absolutas no assunto, ainda que nunca tenham experimentado com a violência contato maior que visita aos presos (devidamente monitorados e em segurança, claro) em país onde jornalistas que cobrem polícia e familiares de vítimas (ou vítimas sobreviventes) jamais são ouvidos nos debates sobre criminalidade.

Haverá no Brasil alguma ONG que se ocupe de familiares de vítimas da violência? Alguma “Pastoral das Vítimas”? Sugerir isto é, no Brasil, garantir rótulo de “reaça”, ou “coxinha”(o termo idiota do momento) e a consequente marginalização social. Não somos, os contrários a esta ditadura de conceitos um tanto culpados – Por não nos articularmos? Por abandonarmos qualquer colaboração por melindres de ordem moral e religiosa?

Esta gente, capitaneada pela casta acadêmica, sabe engrossar fileiras, nós, os que questionamos a agenda, deixamos para outro dia obrigações que a organização exige. Nem replicar blogueiros simpáticos à causa comum é visto como necessário. Enquanto isto… jovens brancos de classe média militando nas Universidades ridicularizam a dor de vítimas e parentes de vítimas, vilipendiam à vontade. Jovens de “organizações negras” (os negros “oficiais”, como disse Olavo de Carvalho) também seguem as fantasias dos filhos da classe média alta, embora sejam, em sua maioria, oriundos de meios sociais que desmentem as teses acadêmicas sobre criminalidade, pois filhos de trabalhadores pobres que nunca delinquiram (eles mesmos, ainda que com auxílio de cotas, escolheram estudar). Mas o meio …a ditadura do temor de parecer reacionário…

Claro que dá vontade de arrastar pelo braço estes manifestantes que não lavam as peças íntimas sob o chuveiro até lares de vítimas da violência, ou a algum ponto de ônibus onde trabalhadores se reúnem, para que, olhando nos olhos desta gente sofredora, repitam as babaquices que gritam nas demonstrações, mas penso que isto deveria ser feito com seus mentores da academia, com jornalistas que se omitem (quando não defendem criminosos, principalmente em canais de TV por assinatura), com membros de pastorais (monstros insensíveis, verdadeiros advogados do ateísmo no Brasil), membros da casta artística, etc, etc, etc. Estes operadores dos bonecos debiloides são muito beneficiados pela atitude de adoração respeitosa a quem quer que esfregue na cara do interlocutor título acadêmico, a quem se apresente como “autoridade no assunto”.

Eu, de minha parte, repito o que penso sobre esta questão da maioridade a quem me pergunta, indiferente à chantagem de desqualificação intelectual, e me recusando a polemizar. Quem defende ideia fabricada em laboratório de ciência social, com argumentação batida (“só negros e pobre serão penalizados”, “isto não diminuirá a criminalidade”, etc) não merece resposta, não merece que se gaste língua portuguesa, simples.

Pois o tempo gasto nestas discussões não volta, tempo que seria melhor empregado em construir argumentação sólida e em articular grupos de pressão eficientes. Eles sabem que argumentos não são necessários, basta acusar e irritar o interlocutor. O que quer que se apresente numa discussão do tipo é inútil. Articulações em torno de ideias valem mais que as ideias, e eles o sabem.

O fato é que textos como os que escrevi, e que outros tantos escreveram não recebem um oi em artigos de opositores da manutenção da maioridade penal aos 18. Nem mandando os textos para que eles possam pinçar um ou outro argumento, tive algum retorno nestes momentos.Um único articulista, realmente Doutor no assunto, replicou em sua conta no twitter certa vez um texto meu, publicado aqui e no 247, o policial e estúdios da violência, Francisco Carlos Garisto. O resto…quem é Fernando Pawwlow? Quem é este blogueiro que se bate (há alguns anos em vários textos de seu blog) contra o monopólio dos advogados de defesa de malfeitores travestidos de estudiosos da violência nos programas de TV por assinatura?

Os favoráveis ao fim do fetiche jurídico etário não se articulam, nem mesmo se manifestam, exceto quando provocados pela situação (este episódio do Comissão de Constituição e Justiça,por ex). Os defensores da impunidade aos criminosos trabalham em tempo integral – e se articulam, cooperam. Quantos indignados continuam frequentando missa em país onde a igreja é francamente contrária aos seus interesses? Quantos furiosos mantêm os filhos nas Universidades quando os percebem contaminados pelo lixo ideológico e  não os colocam para trabalhar duro (como certa vez sugeriu Diogo Mianardi)? Sem esta virilidade frente aos desafios, qualquer ideia valorosa se emporcalha na inércia, na canalhice do “deixa para amanhã”,”outros lutarão por mim”, tão companheira destes momentos. Quem quer que se cale, ou deixe de escrever, é um cúmplice, simples.

Eu continuarei a escrever sobre o tema, que abandone o blogue quem se incomodar. Pois isto depende de mim; não os votos dos legisladores, não a fúria das massas que não caçam estes escarnecedores da dor alheia como ratos.

Eu continuarei nesta trincheira, e basta.

Um pequeno exemplo

Elaborar listas de absurdos que ouço nestes programas da GloboNews onde “doutores “ disto e daquilo se pronunciam, graves, seria tarefa que me absorveria além do que posso. Mas vez ou outra, algum exemplo se impõe como digno de menção.

Quando logo após a queda do avião na França, com as causas do acidente totalmente desconhecidas uma “autoridade” no assunto apressava-se em descartar o exame de possível falha do piloto “que não está aqui para se defender”, e declarar que o departamento de aviação francês – que supostamente poderia se defender da insinuação de ser ligado às empresas de aviação – não seria fonte isenta. Isto dito à segura distância da França, claro.

Hoje, com o acidente elucidado (haverá quem duvide do versão oficial, claro) a GloboNews teria convidado a referida “autoridade” para se manifestar?

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