“Notas” – 30/04/2015

“Com adversários unidos assim…”

Amigo leitor me pergunta sobre meu silêncio sobre o ataque de Marco Antonio Villa ao Olavo de Carvalho e a resposta deste ao Villa. Ele correu ao meu blog desejoso de saber o que penso e encontrou a despedida ao Ricardo Setti. Respondo agora:

Não tenho muito a acrescentar ao que Olavo disse. O meu “Não falem do Olavo” adiantou este ataque do historiador ao “astrólogo”- a tacanhice, a mesquinharia, a tentativa de desqualificar Olavo de Carvalho gemendo seu “Presente!”, entre petistas e tucanos. O carimbo de “astrólogo” aplicado em Olavo como seguro anti -surra em debate.

O que assustou foi a baixeza de um historiador que todos julgavam corajoso, pois assumidamente anti -petista em meio em que isto garante patrulhamento e ostracismo; atacar quem nunca o criticou sem nomear, utilizando termos (sobretudo “astrólogo”) encontradiços entre adversários governistas (em sites e blogs do governismo) de seu alvo.

Qual o objetivo de atacar um aliado, ainda que aliado “negativo” no sentido dedo qual fala Ortega y Gasset- afinidades entre dois sujeitos que têm em comum o fato de nenhum dos dois se chamar “João”?  Pois estão, Olavo e Villa, do mesmo lado da trincheira, e esperava-se que as diferenças ideológicas contra quem enfrenta inimigo comum poderoso tivessem o momento adequado de florescer – diferenças que Villa colheu não se sabe de qual leitura dos textos de Olavo de Carvalho, pois não reconhecíveis por quem os tenha lido.

Talvez alguns leitores (e leitores que admiram  o filósofo) desejem intervenção militar com subsequente Estado Forte e tenham nenhum respeito pela Constituição, mas não se vê nos escritos de Olavo de Carvalho qualquer sugestão desta natureza, ou manifestação de simpatia ao Fascismo.

O que leva a concluir que o historiador, quando palpita sobre assuntos alheios ao seu setor de conhecimento acadêmico, faz o mesmo que os demais membros de sua casta – diz impropriedades, frutos de observações ligeiras de fontes imprecisas; o que em seu meio causaria completa desautorização. Como Villa julgaria um mestrando que escrevesse sobre determinado autor com base não em seus escritos, mas nos seus admiradores menos judiciosos? Penso que o candidato a ingressar na casta acadêmica receberia advertências ásperas, mas como não estamos em uma banca acadêmica, e sim na imprensa, qualquer frase de efeito substitui consulta a dados, bibliografia, etc. Não é assim, Professor Villa?

Sei deste professor por ter lido seu nome na lista de agradecimentos de Elio Gaspari em sua tetralogia sobre a Ditadura, e em alguns artigos replicados no site de “Veja”, e por suas participações em programas de TV. Aparições e artigos que, serei honesto, pouco presto atenção. Sua figura de Seminarista-Chefe e sua escrita rotineira, inexpressiva, me fazem lamentar que a Oposição conte com este tipo de combatente. Ainda que corajoso, Villa não é formador de opinião dos mais eficazes, pois caracterizável  como tucano dos mais insípidos e sonolentos. Coragem sem brilho é qualidade moral sem utilidade senão a espiritual. Como tantos como ele, Villa não faz diferença no confronto, e penso que mesmo os ataques que sofre do governismo de internet são medalhas a valorizar, pois do contrário… teria somente o arrastar dos dias sob o petismo, lamentando os atropelas à Constituição de 1988, citada por tantos como ele como as Sagradas Escrituras, ainda que  sejam  Escrituras conspurcadas pela corrupção de quem delas se utiliza para melhor destruí-las.

Villa tornou-se figura conhecida do público do Jornalismo há muito menos tempo que Olavo, e por ser, como disse acima, um intelectual indiferenciado, não tem seus nome escrito em cartazes – como ele citou os cartazes enaltecendo o escritor que mais se esforçou para que o PT perdesse a escritura de propriedade das ruas- e isto parece o ressentir, que se pode fazer?

Penso mesmo que Olavo de Carvalho demorou-se muito com ele, reiterou muitos de seus argumentos – desnecessários aos seus leitores e inúteis aos que estão submetidos à proibição de seu nome – e colocou o acadêmico no mapa – sou dos que desconheciam, por desinteresse, que o historiador mantém blog e twitter. Com os préstimos de Olavo, ganhou seu estádio de leitores. Quem sabe não terá sido esse o motor dos ataques ao “astrólogo”?

Os governistas são mais econômicos, não desperdiçam poder de fogo com aliados, ainda que formados na véspera, e de duração efêmera. Aos inimigos variados, a chuva de agressões, ou o silêncio que produz mais silêncio. Sabem guerrear.

A Oposição não tem o mesmo sentido tático: Mesmo Olavo de Carvalho teve seu nome silenciado mesmo em “Veja” até há pouco tempo – meu “Não falem do Olavo” tratava disto.

A gente do Governo sorri…

Oposição de Facebook
Pessoa muito querida me envia  links, notadamente do Facebook. Links que a imprensa oposicionista também adota como símbolos de mudança, de insatisfação de setores organizados com o Governo, etc.

Um destes, saudado pela imprensa como “vídeo que desmascara esquerdistas”, mostra estudante interrompendo arenga esquerdista na PUC com a interrogação aos debatedores se a Igreja tinha conhecimento de pregação esquerdista em seu domínio.

Quem quer que invoque autoridade da Igreja em um lugar como a PUC, já demonstra amadorismo. Mesmo se o tal estudante interpelasse um membro da CNBB demonstraria nada saber de política e de catolicismo- como notou certa vez Olavo de Carvalho, “a Igreja no Brasil é quase cismática”. Ocorre que o próprio Olavo recomenda que se desmascare padres comprometidos com organizações de Esquerda, pois estes estariam, segundo determinação papal, excomungados. Mas Olavo recomendou que não se fizesse isto em missa. Que dirá em redutos esquerdistas que nada possuem de católicos, exceto no nome – mesa de debatedores esquerdistas e plateia esquerdista.

“Ele teve coragem”.

A coragem do atleticano fardado a rigor no meio da torcida do Cruzeiro.

Invocar valores morais a quem tem a moral da Revolução é o tipo de primarismo que denuncia a falta absoluta de preparo  diante do inimigo.

Os discípulos afoitos do Olavo de Carvalho cometem estas performances que divertem a Esquerda e a conta fica para quem teve suas palavras distorcidas. Quem ele desmascarou? Que provou com seu gesto temerário, senão a imaturidade de gente que repudia o comunismo demonstrando desconhecer sua natureza?

Outro vídeo que me foi enviado e que deliciou a imprensa linha “Veja” foi o vídeo de Lula discursando na cervejaria.

O autor do vídeo comete o truque de focalizar somente pontos vazios do salão, passando a câmera do celular muito depressa onde havia público.

Ora, para que serve este artifício? Sabem todos que aquele público era compulsório (funcionários e claque petista), a tentativa de induzir o público à ilusão de público nenhum para Lula ilude só quem deseja ser iludido. A Esquerda, uma vez mais, ri destes ingênuos.

Muito factoide e nenhuma leitura são os males desta militância de Facebook.
A Esquerda sorri…

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