“Notas” – 23/05/2015

“E o GloboNews acordou…”

Foi preciso uma semana repleta de esfaqueamentos – com uma morte de um médico ciclista – para que finalmente o GloboNews se compenetrasse do absurdo das leis que protegem facínoras por critérios etários. Ações da entidade “O Menor”, intocável pelas leis ditadas pelo espírito bacharelesco lá atrás da História e perpetuada por casta acadêmica com agenda que contempla a sujeição do homem médio aos caprichos dos “Doutores em Causas da Violência”. Tantos outros crimes que abalaram a sensibilidade da população- como o do menino arrastado pelo cinto de segurança e a dentista incinerada por não ter o montante esperado pelos assaltantes- não tocaram o ponto nervoso desta central de jornalismo. Por quê? Não importa. Antes o muito tarde que o nunca, não é mesmo?

A reação da imprensa governista- toda ela afinada com a cartilha da Universidade que proclama o “menor” sagrado – não tardou. Os sacerdotes do culto acadêmico – sejam artistas ou professores universitários – já se pronunciaram: “Redução da maioridade não é a solução”.

Bom, qual a solução, Senhores? Que simplesmente reduzir não é a solução, penso na haver dúvidas. O fim do critério etário – ainda que com prisão separada dos adultos – o é. Este fetiche jurídico de feição numerológica já se provou criminoso. Não são armas nem drogas – quantos países têm estes dois elementos em maior quantidade que o nosso, com violência muito menor? – o combustível do nosso inferno, e sim a impunidade.

Há uma saturação das massas com o abuso dos criminosos, com a inversão de valores, que finalmente está conseguindo permear a consciência da classe jornalística. Dizer o óbvio parece não mais ser privilégio dos “direitistas”. Cada vez mais anunciam crimes envolvendo “Sua Excelência, O Menor”, frisando ironicamente a palavra “Menor”. Isto, há bem pouco tempo, era inimaginável. A casta acadêmica está perdendo esta; a classe jornalística não quer gozar do ostracismo que é o destino seguro dos inimigos dos interesses da maioria.

Claro que certos cacoetes permanecem, compreensivelmente. Quem se arriscará a chamar criminoso de criminoso antes da sentença transitada em julgado? Vão de “suspeito”, mesmo após verificarem que o esfaqueador não é assaltante de primeiro assalto. As expressões graves ao defender o desarmamento também não serão abandonadas tão cedo, nem o hábito de entrevistar algum “Doutor em Causas da Violência”. Eu escrevi sobre o assunto algumas vezes neste blog. Pareço oligotemático (este vocábulo deve existir), e talvez o seja. Um dos assuntos que me faz explodir é a anexação de certos temas vitais por professores universitários visivelmente alienados, insensíveis à sorte dos “setores atrasados”, que os sustentam, falando nisto. O problema da violência é uma das anexações que, aos poucos, a classe jornalística resolve tomar para si – para o domínio das discussões públicas, e isto é avanço democrático. Que ouçam vítimas, familiares de vítimas – as “Vítimas por Excelência”- policiais, repórteres policiais e membros da casta acadêmica autores de estudos sérios, efetuados com independência dos cânones ideológicos do meio. Que discutam penas alternativas a crimes de menor potencial ofensivo à sociedade e possibilidade de conceder porte de armas a quem precisa se defender. E, sobretudo,  discutam estes temas com base em nossa realidade brasileira, não em teorias dadas de antemão, importadas de países que pouco se parecem conosco na mentalidade e história. Pois só se extrai destes países – o mal do subdesenvolvimento – o que eles têm de menos necessário ao nosso país, sempre.

 

Penso que casos antigos devem ser tomados como base, ainda que dolorosos – caso do menino arrastado pelo cinto de segurança e que mereceu da casta acadêmica o desprezo silencioso – de alguns a relativização da culpa das “vítimas da sociedade”- e da dentista incendiada por não ter se abastecido para a visita dos assaltantes.Ou o casal de namorados torturados e mortos por menores.E tantos outros episódios onde monstros após cometerem seus estupros e homicídios riram:”Sou de menor”.

Que não se repita a “pronatequice” (se não existe tal vocábulo, ei-lo uma vez mais- empreguei-o sobre o mesmo tema dias atrás aqui no blog) de Dilma Rousseff em debate propondo tornar a lei mais severa às quadrilhas que empregarem menores de idade – como se em muitos casos os ditos menores não agissem por conta própria. Que não se culpe as vítimas mais uma vez.

Claro que a população pode contribuir nesta campanha. Que boicotem artistas insensíveis às vítimas. Que boicotem igualmente – na medida do possível, claro – empresas que anunciem em órgãos de comunicação que encamparem teses como a do esfaqueador do médico como vítima – embora morador de apartamento de programa governamental. Que se desligue a TV ou mude-se de canal, ou mesmo se promova panelaço, toda vez que um defensor de teses ofensivas à sensibilidade geral se manifestar babando tolices. Escrevam para emissoras protestando, ameaçando boicotar.

E, principalmente, que se eleja classe política sensível ao sofrimento de milhões. Candidato começou a titubear quando consultado sobre o tema, denunciando sujeição à Universidade, que se anuncie mudança de candidato, ainda que votando em branco.

Nas conversas com conhecidos, não recuar, não temer rótulos. Eu, por exemplo, não hesito em romper amizades com enunciadores de lugares-comuns sobre “pobres que não têm chances”. Quem o diz ignora, por má fé, os tantos milhões de pobre honestos e vítimas da violência. Só imbecis convictos acreditam que bandidos não atacam seus irmãos de infortúnio social – as vítimas primeiras dos bandidos, muitas vezes.

Ou seja, esta guerra contra a guerra que oferece o saldo anual de dezenas de milhares de mortos, cabe a todos. Eu neste blog, há alguns anos, tenho me dado ao que me cabe como escritor independente sem esperar nada mais que o silêncio ao que escrevo. Uma vez apenas fui elogiado no twitter e no comentário ao texto que escrevi publicado no ainda não governista declarado 247 por uma autoridade no assunto:Francisco Carlos Garisto. O que me é medalha.

Fiquemos atentos ao “GloboNews” e aos demais comentaristas deste assunto neste momento. Isto podemos fazer, não há desculpa.

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2 respostas para “Notas” – 23/05/2015

  1. Valentina de Botas disse:

    Olá, Fernando!
    Não dá para discordar de você. As leis precisam ser aperfeiçoadas e aplicadas, não é mesmo? Quanto ao silêncio ao que você escreve, compreendo, mas maioria das lutas que lutamos ou das corridas atrás de nem sei o quê não têm mesmo pódios de chegada. Faça o que sua consciência determina, o que faz sua alma se expandir e seu coração rolar de prazer. Um abraço, Valentina

    • fernandopawlow disse:

      Valentina de Botas,companheira na luta contra os poderosos sem mérito, as Leis precisam ser redigidas por legisladores sintonizados com as ondas de insatisfação popular e não com “Doutores” que,sustentados pela população, considera-a “setor atrasado”.
      O silêncio ao que escrevo magoa,pois vindo,muitas vezes,de gente que diz admirar minha escrita-o que configura,portanto, boicote premeditado,mesquinho.Mas continuo,apesar destas estocadas do que considero o traço menos nobre dos brasileiros.
      Porque não sei lutar diferente.Como você, em suas intervenções no espaço do Augusto Nunes, escrevo com a mente desligada de consequencias menores.
      Somos assim,talvez( falo por mim) por saber que não adianta se acovardar,ou esperar reconhecimento.
      Você honra este espaço.Nunca demais agradecer sua participação neste blog.
      Abraços do Pawwlow

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