“Notas”- 04/06/2015

A liberdade de aderir aos “Tolerantes”

Seria bom não ter que me ocupar, como blogueiro, de questões que sei sinais de atraso mental – que são risíveis em países que se desenvolveram de forma orgânica – com situações sociais e culturais que, se aparecem em países do Primeiro Mundo, aparecem atenuadas. Mas são assuntos que me são obrigatórios pela minha condição de brasileiro deste tempo.

O cenário cultural em países onde a Universidade é apenas um dos entes de legitimação intelectual não comporta como questões relevantes as que aqui tomam tempo e atenção dos intelectuais ou aspirantes ao clero intelectual – seja na casta acadêmica, seja fora dela, na imprensa e/ou nos blogs.

Fico imaginando intelectuais em país onde o mercado editorial é pujante discutindo a recomendação de boicote de um líder religioso a determinada marca de cosméticos; condenando-o ou defendendo seu direito a recomendar boicotes aos seus seguidores. Não consigo visualizar este tópico ocupando mais que nota, notinha mesmo, em jornal, revista,ou portal de notícias. Aqui…

Condenam a “intolerância” de Silas Malafaia os tolerantes que não admitem que líderes religiosos se manifestem aos seus fiéis, senão para endossar teses geradas nas Universidades e encampadas por partidos políticos, sindicatos, ONGs e meios de comunicação. O sujeito no Brasil não pode pensar diferente, e vocalizar este pensamento discordante de setores organizados nem mesmo ao seu meio de atuação. Deve-se, se não se desejar ser criminalizado e alvo do coro de chacotas, se calar, abster-se de opinar.

Silas Malafaia não se atemoriza, e tem contra si os inimigos enumerados no parágrafo anterior. E mesmo os que não se filiam a qualquer destas esferas sente receio de defendê-lo, pois quem deseja ser contaminado com maldições (Já tratei aqui da ordem “Não falem do Olavo! Não em público!”)? Sobretudo por quem já não o aprecia, ou tem aversão à igreja do referido pastor.

Eu não sou um seguidor da igreja de Malafaia, nem de qualquer outra. Algumas vezes assisti seu programa nos tempos da “Band”; às vezes me divertia e considerava sábios alguns de seus conselhos aos fiéis, outras tantas me enjoava dos gritos e minha paciência sempre cedia nos intermináveis anúncios de seus produtos editoriais. Mas respeitava sua disposição de brigar com setores organizados e pela atuação junto às Comissões do Congresso nacional, pois acredito ser este o papel de um líder de segmentos culturais, sociais, religiosos, etc.

Este exercício do mister de liderança tem-no feito alvo preferencial de gente de ONGs, Universidade e mídia. Só os membros destas esferas de Poder podem ter voz no Brasil de hoje, os demais apenas desejam “aparecer” ou praticar “golpismo”. Lembraram pois (sobretudo de uns tempos para cá, nos quais Malafaia tem exercido enérgica oposição ao PT -pouco se via de combate a ele antes) que Malafaia ganha dinheiro, e que, portanto, não pode ter opinião política. Outros pastores, os que aderiram ao projeto de Poder atual, ou que se mantêm em posição fetal diante de polêmicas, estes não merecem ter patrimônio e meios de o conseguir divulgados. Malafaia e alguns outros, estes sim, são devoradores de dízimos e dinheiristas incansáveis.

O tal boicote proposto à marca que realizou campanha voltada ao público homossexual, ou que seja amigável aos homossexuais, me parece um desperdício de energia, um barateamento do poder de influência, além de tolo e simplista. Mas reconheço o direito do pastor falar às suas ovelhas – como não me enfureço, como muitos, quando líderes da CUT ou do PT falam aos seus o que pensam disto ou daquilo. Não quero o modelo social onde tolices não possam ser ditas e escritas. Quero ver certos setores ridicularizados por esforço próprio, pois a perda política costuma ser irreversível, em muitos casos.

Mas no Brasil só se pode dizer “Sim” aos hábitos impostos como cultura por membros da casta acadêmica, e este gozo do Poder tem feito com que seus beneficiados tenham perdido (parece que de vez) o senso de proporção.

Desejam eliminar direito de manifestação e culto, envolvendo-se mesmo (sem qualquer conhecimento) em questões de teologia, e de organização interna de religiões. Utilizam para isto o argumento, falacioso, de que um líder religioso, ainda que falando apenas aos seus, pode, por sua projeção, instilar ódio nas massas contra homossexuais. Basta verificar reportagens sobre agressores identificados de homossexuais para se ter a certeza da falácia – muitos destes agressores são, ou ateus, ou  se declaram  identificados com ramos do ocultismo, nada tendo de ligação com o meio evangélico, ou mesmo cristão.

Portanto… desejam estes escandalizados com a “última do Malafaia” controlar o que as pessoas pensam – interditar qualquer debate sobre dogmas gerados pela Academia e impostos a um povo sem instrução como sinais de civilização.

As tolices de sempre são sacadas como “argumentos”: suposto desejo de tomada do Poder por fundamentalistas, as menções à opulência dos negócios do líder religioso, conjectura de mictório de ginásio sobre “razões secretas por trás de tanto ódio aos gays”, a ignorância de “setores retrógrados” (retrógrados, mas que mantêm com seu esforço a casta acadêmica que os despreza), e todo o resto do que se toma por opinião no Brasil de uma hora covarde em que muitos temem ser identificados e rotulados como “reacionários” e ”coxinhas” (quem teme este rótulo o merece, penso).

Mesmo quem tem muito a perder caso este totalitarismo se concretize de vez, e não como intimidação apenas de autodeclarados membros de minorias, engrossa o coro anti-Malafaia.

Gente de talento como Renzo Mora, por exemplo. O único twitter que acompanho, pois aficionado por seus textos que mesclam indignação com humor bem mirado na hipocrisia e na estupidez exercidas em nome do politicamente correto. Há em seus textos de blog e em suas intervenções (perfurantes) no twitter muitos questionamentos que poderiam torná-lo alvo dos mesmos inimigos do pastor objeto de suas sátiras.

Não que ele não esteja certo em satirizar quem julga merecer ser atacado, e mais ainda em considerar que os inimigos de seus inimigos não são obrigatoriamente seus amigos, mas sugiro ao brilhante texto – que honrou algumas vezes este espaço com seus comentários – que reflita sobre o linchamento a quem pensa diferente de si, linchamento este que pode tê-lo no futuro como vítima.

Deveria então Renzo Mora aplaudir o pastor e seu convite ao boicote? Claro que não escrevi isto, nem autorizo que se diga que o aconselho a se abster, mas que o jornalista e escritor reflita sobre o ridículo comum ao pastor e aos seus detratores – que nada, mas nada, têm em comum com um dos grandes combatentes pela Liberdade do Brasil neste período de obscurantismo.

Amanhã, caro Renzo Mora, não tenha dúvidas, cismarão com você, e quem então o defenderá? Quem conterá os esquadrões de “ofendidos?”

Quando poucos se prontificam a defender o que julgam repulsivo, em nome da Liberdade, ninguém está seguro, caro Renzo Mora, ninguém.

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2 respostas para “Notas”- 04/06/2015

  1. Renzo Mora disse:

    Não sou nem de longe tão talentoso assim, mas agradeço a citação. Grande texto. Quando me atacarem, espero ter você ao meu lado.

    • fernandopawlow disse:

      Renzo Mora, você é dos grandes e o sabe.Como sabe que terá o amigo ao lado quando ofendidos profissionais resolverem te eleger como alvo.Se escrevo o que escrevi sobre Malafaia (candidatando-me aos rótulos de quem ousa não o ver como o que há de pior nestes dias no Brasil) que não figura nem de longe entre meus ídolos, que não escreverei sobre uma admiração verdadeira, um autor que quando trocamos nosso primeiro email tinha em mim um leitor há mais de dois anos?
      Agradeço o elogio ao texto,você sabe o quanto isto me vale.
      grande abraço do Pawwlow

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