“Notas”- 06/06/2015

“Destilar Ódio”

Sites e blogs do governismo advertem contra jornalistas que “produzem escritos especializados em destilar ódio contra o PT”. Não explicam como se dá este processo de destilação, talvez mesmo utilizem o termo como forma de prestar homenagens, se me entendem. Não me lembro de ter lido estas afetações de indignação à crítica em outros tempos-“destiladores de ódio”.

Como escrevi algumas vezes neste blog, acompanho a discussão política na imprensa desde adolescente, ou mesmo antes. A crítica era exercida, por alguns autores, com violência que assustaria ainda hoje. Um Helio Fernandes (ainda combatente, em seu blog), ou um Tarso de Castro, fustigavam o presidente José Sarney com termos que não despertavam estas manifestações de piedade a Presidentes da República, como assistimos hoje. Acreditava-se que esta era a regra do jogo: uma vez no Poder, que se fortaleça o couro com pancadas.

Ah, Dilma Rousseff não conta com Millôr Fernandes à espreita, como Sarney. Lembro do livro “Diário da Nova República”, com alguns de seus artigos e desenhos para o “Jornal do Brasil”. O político dava um passo no sentido da conciliação com aquele governo, e Millôr ia-lhe em cima; mesmo ministros da Cultura, sempre inócuos, mereciam suas ferroadas. Estou mesmo atrás do “Diário…” , pois além do alto nível de qualidade, comum a todo o trabalho de Millôr, foi um livro corajoso, pois desafiava o otimismo ao qual todos se obrigavam  (a imprensa mais convencional, pelo menos) nos dias do primeiro presidente civil após cinco presidentes generais. Ainda que tenhamos jornalistas críticos com sistema de Poder atual, são, com exceções, combatentes pouco eficazes contra Governo que conta com aliados na Academia e em “movimentos sociais”.

E não tendo que se ver com Millôr ou Tarso, estes integrantes do governismo queixam-se do jornalismo “que destila ódio”, com nostalgia de um paraíso no qual críticos ainda não haviam nascido e que as contas eram todas elas suavizadas com os incentivos do Governo. E digo nostalgia, pois usam de um tom saudoso, não projetam esta utopia para futuro ainda que remoto, lamentam a perda do sossego de um paraíso primordial.

É ou não uma patologia?

E vemos estes amigos da Grande Mordaça em todos os movimentos que prometem dar conta dos defeitos do mundo povoado de pessimistas e “preconceituosos”.

Leitores trataram de me explicar, após o último post, que a campanha de boicote do Silas Malafaia é deletéria, pois “destila ódio” contra homossexuais. Sim, um pastor no que, reitero, é um desperdício de liderança, inicia campanha contra determinada marca de cosméticos, e mesmo os milhões que são indiferentes tanto aos homossexuais como aos “fundamentalistas” seriam contaminados por “onda de ódio” que faria  dos homossexuais  alvo de agressores ou mesmo de assassinos.

Claro que um país em que a discussão pública desce a este ponto de infantilismo está com seu futuro comprometido, pois pessoas inteligentes estão convencidas de que há que se eleger como tema preferencial de ataques um líder religioso que propõe aos seus fiéis uma tolice.

”Ah, mas ele liderou boicote à novela das 21:00 e a novela está afundando”. Não, a novela está afundando por ser a pior de Gilberto Braga; por ser esquemática, discursiva e pesadona – só isto. Ninguém aguenta didatismo chato disfarçado de progressismo após um dia de trabalho. Estes esquerdistas de gabinete nada entendem da massa brasileira.

Os partidários do Governo também vão neste apelo ao que há de mais repulsivo em matéria de coitadinhismo, tentando (hoje com menos sucesso que antes) a jogada de atirar negros contra brancos, uma vez que pobres contra ricos revelou-se postiço demais por parte de um Governo que só apresentou demagogias e melhoras cosméticas da pobreza. Mas mesmo a jogada racialista está em processo de desmoralização, pois as “políticas de reparação” pouco estão ajudando negros e pobres, exceto talvez os funcionários de militância. Não está surtindo efeito o discurso de “brancos destilando ódio contra negros” por estes terem entrado nas Universidades pelas cotas. Por mais que os governistas de internet batuquem esta tecla, muitos negros e pobres estão nas ruas batendo panelas e exigindo o fim deste ciclo.

A acusação de destilação de ódio é o recurso usual dos que não tendo como argumentar, tentam afixar no oponente a máscara do monstro devorador da felicidade – criatura perigosa que só pode ser detida no seu trabalho de destruição mediante freios como censura e cascata de processos. Leiam os porta-vozes deste pensamento covarde e policialesco e vejam se exagero. Em todos eles, a acusação sobre “destilar ódio”, ou “instilar ódio”, devidamente replicada por blogueirinhos empregados em assessorias, ou por MAVs que dão expediente nestes espaços de sabujice financiados por estatais.

Já fui aconselhado por gente preocupada comigo a evitar citações de autores mal vistos por este sistema de fabricação de consenso, evitar certos temas. Pois prefiro abandonar o blog e escrever para mim, para publicar em futuro distante, que me acovardar, que emporcalhar meu blog com estes cuidados em não sofrer rótulos. Sobretudo rótulos distribuídos por incapazes de escrever um período simples seguido de outro período simples, munidos de seus diplominhas obtidos na base da adesão ao rebanho.
Eu não destilo ódio, cuspo o ódio de volta apenas.

A semana da “Abril” como apêndice à fala de um seu presidente no passado

Roberto Civita, quando no “Roda Viva”, disse não se preocupar com o fim da mídia impressa, pois este era problema dos fabricantes de papel e tinta, e seu negócio era informação – que podia  ser publicada por meio eletrônico.

Bom, de lá pra cá algumas revistas desapareceram e uns tantos jornalistas foram demitidos.

Publicou-se notícia de que esta semana houve demissão em cascata e revistas foram vendidas.

Não sei se a culpa é do fim da era do papel como desejam alguns, ou se a Abril não se preparou para o baque trazido pela nova configuração do mercado.

Acontece que os jornalistas que trabalham no eletrônico cometem falhas grotescas de apuração- escrevi sobre isto aqui no blog- e Chefes não são removidos, como deveriam.

Semana passada houve no Rio de Janeiro a “Mostra Christensen“ e a “Veja Rio” publicou a programação. Sob foto de “O Menino e o Vento”, a legenda identificava “O Tempo e o Vento”.

Fora colunistas medíocres, oposicionismo que todo Governo aprecia, por caricato (como não aprenderam com Millôr!), etc, etc, etc.

De fato, o problema não é papel e tinta, como  disse numa noite o Roberto Civita
A semana o confirmou.

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